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Vale do Aço

Operários ainda sem pagamento por causa de um imbróglio

Por: Diário do Aço 01/11/2017 18:32
Divulgação

A empresa Vetor Mathias empregou cerca de 110 funcionários, em maio, para trabalharem na construção de um picador de madeira

Os empregados terceirizados que atuaram na montagem de um picador de madeira para a Cenibra, em Belo Oriente, ainda não receberam o salário referente ao mês de setembro e outros acertos trabalhistas. O caso chegou a ser tratado no Ministério Público do Trabalho em uma reunião que terminou unicamente com um entendimento de mais prazo para uma solução, antes do ajuizamento de uma ação na Justiça do Trabalho.

A informação é do diretor do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Construção Civil, Mobiliário, Terraplanagem, Estradas, Barragem, Ponte, Construção e Montagem (Siticom), Elias Tomaz. Conforme já publicado pelo Diário do Aço, a empresa Demuth Máquinas, do Rio Grande do Sul, foi contratada pela Cenibra para desenvolver um projeto de picador de madeira. Para a montagem do equipamento, a Demuth contratou a Vetor Mathias, que empregou cerca de 110 funcionários, em maio, para trabalharem na construção do picador. No entanto, a Vetor Mathias demitiu os operários em outubro e, até o momento, não efetuou o pagamento do salário de setembro, e muito menos fez os acertos rescisórios.

Vetor Mathias

Por meio de uma nota, Paranaense explicou ao Diário do Aço o motivo de não ter acertado com os trabalhadores. “A Vetor Mathias esclarece que, em razão da inadimplência da Demuth, não houve o repasse dos valores necessários ao pagamento dos empregados lotados na obra até o presente momento”, informa.

A nota ainda acrescenta que a empresa buscou todas as alternativas possíveis para encontrar uma solução para o impasse. “A Vetor Mathias, sempre prezando pelos interesses dos empregados, envidou de todos os esforços possíveis para que houvesse a liberação dos valores injustamente não pagos pela Demuth, mas infelizmente sem sucesso.
Diante disso buscou, com o Sindicato dos Trabalhadores, a mediação do Ministério Público do Trabalho de Coronel Fabriciano, sobre a questão, sendo designada audiência de mediação que ocorreu em 31/10/2017”, afirma.
De acordo com a nota, na audiência ficou decidido que as empresas teriam mais alguns dias para solucionar esse problema, que já persiste há mais de quatro semanas, conforme reclamam os trabalhadores.

“Debatidas as divergências, a Cenibra solicitou a suspensão da mediação para que o assunto fosse levado a sua Diretoria, restando designada data para uma nova reunião no dia 10 de novembro”, destaca.
Por fim, a empresa do Paraná reforçou seus princípios na nota. “A Vetor Mathias salienta que prima pelas relações de boa-fé, até mesmo por isso procurou o Ministério Público, nas pessoas dos procuradores Túlio Alvarenga e Adolfo Silva Jacob, para que fosse mediada a situação dos empregados”, conclui a nota.

Demuth

Procurada pelo Diário do Aço, a empresa gaúcha Demuth não se pronunciou até o fechamento desta edição. Entretanto, na audiência no MPT, seus representantes informaram que a empresa não deve nenhum valor à Vetor Mathias. Segue a íntegra do texto da ata da reunião: “A empresa Demuth esclarece que não deve nenhum valor ao grupo Vetor Mathias, sendo que todos os pagamentos foram devidamente adimplidos nos prazos estabelecidos e ressalta que o valor global do contrato assinado para a execução da obra no prazo de doze meses pela Vetor era em torno de 6 milhões e 600 mil reais, de modo que é improcedente o saldo requerido pela Vetor, haja vista a conclusão de cerca de 30% da obra. Outrossim, existem valores devidos da Vetor à Demuth em razão de multa contratual pela rescisão do contrato, por motivo de abandono da obra pela Vetor”.

Cenibra

Mesmo sem ter relação direta com o impasse, a Celulose Nipo-Brasileira (Cenibra) também se pronunciou, por meio de uma nota, sobre essa ocorrência em seu canteiro de obras de expansão. “A respeito da relação de prestação de serviço e situação comercial entre as empresas Vetor L. Mathias e Demuth, informamos que a Cenibra foi convidada para uma audiência no Ministério Público do Trabalho e irá colaborar da melhor forma”, esclarece.

Sindicato

O diretor do Siticom, Elias Tomaz, acrescenta que os trabalhadores estão em uma situação crítica, com várias contas para pagar, além das despesas normais para sustentar a família e conviver com a incerteza. “Enquanto ocorre essa briga, quem fica prejudicado são os trabalhadores, que não receberam o pagamento de setembro, nem seus acertos de rescisão”, pontua.

Para o diretor, essa decisão de resolver o problema por meio de reuniões é a mais viável. “Para evitar demora, também achei melhor encontrar a solução via reunião, porque já tive experiências com ações coletivas que demoraram vários anos para que a justiça fosse feita com o trabalhador”, avalia.



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