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Vale do Aço

Psicólogo alerta para a prevenção do suicídio

Por: Diário do Aço 17/09/2017 8:32
Alex Ferreira

Cristiano Barbosa abordou questões relacionadas ao suicídio durante entrevista

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que, no Brasil, ocorrem cerca de 10 mil suicídios por ano. No mundo, são mais de 800 mil ocorrências, o que representa uma morte por suicídio a cada 40 segundos.

Em termos locais, o Vale do Aço registrou somente de janeiro até agora onze casos de suicídio, dos quais, um em Timóteo, um em Joanésia, quatro em Coronel Fabriciano e cinco em Ipatinga, conforme dados da Secretaria de Estado de Defesa Social.

O psicólogo Cristiano Barbosa, com especialização na área comportamental, clínica e social, aborda, em entrevista ao Diário do Aço, aspectos da campanha “Setembro Amarelo”, que faz um alerta contra o autoextermínio.

Diário do Aço: No campo da psicologia, como o assunto “suicídio” é tratado?
Cristiano Barbosa: Como qualquer outra área da vida que envolva o ser humano, seja na área policial, imprensa ou qualquer outro tipo de instituição. Já para a família, é tratado como uma tragédia mesmo, talvez uma das situações que mais devem ser levadas a sério, porque trata da própria pessoa autoexterminar-se e, muitas vezes, as pessoas próximas só ficam sabendo que o indivíduo tinha a intenção de tirar a própria vida, só depois que ocorre mesmo. E a maior parte das pessoas eu já atendi durante a minha carreira, tinham problemas com falta de afeto, de amor ou de aceitação da família. Então, esses fatores acabam sendo um dos principais motivos que levam a pessoa a suicidar.

DA: Nesse mês, a campanha “Setembro Amarelo” aponta a necessidade de prevenção. Como o senhor entende que deve se dar essa prevenção?
Cristiano Barbosa: Na maioria das vezes, os comportamentos que a pessoa possui não são facilmente observados, porque vivemos em uma sociedade em que as pessoas estão muito ocupadas. Nesse caso, as relações pessoais vão ficando em segundo plano. Então, uma vez que o ser humano não está sendo bem-sucedido, gera insatisfação e vai sofrendo com o tempo. E isso pode contribuir para que ele pense em tirar a própria vida. Só que, mesmo com muitos estudos, ainda não existe maneira de prevenir plenamente de extinguir os comportamentos que levam ao autoextermínio. Mas nos caso dos suicídios relacionados à depressão, a pessoa vai apresentar algum rebaixamento de humor, perda de concentração, apresenta muita fadiga, perda de interesse por tudo, isolamento social e entre outros sinais. Então, esses tipos de comportamento podem sinalizar que o indivíduo não está bem.

DA: Há um antigo entendimento segundo qual a divulgação dos casos de suicídio pela imprensa só serviriam para estimular outras pessoas em estado depressivo a tomar o caminho do autoextermínio. O que o senhor pensa sobre isso?
Cristiano Barbosa: Desde antigamente, quando eram lançados livros que contavam histórias de pessoas que tiravam a própria vida, se percebia que aumentava o número de pessoas na sociedade que suicidavam. O ser humano aprende muito por imitação. Mas se a gente for ficar fechando os olhos para esse problema, não vai resolver. Tanto que a própria Organização Mundial de Saúde lançou um manual de prevenção do suicídio para os profissionais da mídia, como se fossem regras para eles trazerem esse tipo de informação para a sociedade. Nesse manual, também é explicado que os profissionais da mídia não devem detalhar quais foram os métodos utilizados pelo indivíduo, porque se percebe que, a partir do conhecimento desses métodos, aumenta também o número de suicidas que utilizam a mesma forma para cometer o autoextermínio.

DA: O suicídio é uma decisão imediata que uma pessoa toma?
Cristiano Barbosa: Se a gente for analisar em termos daquilo que está sendo visto, o suicídio é o objeto final que, na maioria das vezes, não começa no ano em que a pessoa se suicidou, mas lá no princípio da vida e envolve uma série de fatores complexos, e também o tipo de situação que a pessoa está vivenciando. Então, é muito complicado falar que o suicídio é algo de curto prazo, porque teve todo um investimento de problemas para chegar à conclusão que não valeria mais a pena viver. Além disso, muitos dos suicídios praticamente não têm a motivação esclarecida porque, quando a família descobre, é quando o indivíduo já tirou a própria vida. A não ser nas situações em que a pessoa sobrevive.


Postado originalmente por: Diário do Aço

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