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Juiz de Fora e Região

Estudantes participam de curso sobre sistema elétrico brasileiro

Por: Diário Regional 07/12/2017 7:37

Mais de 80% de toda energia produzida no Brasil tem origem em usinas hidrelétricas, que têm seus despachos otimizados através de sistemas computacionais com aplicação de complexas tecnologias.

Pensando na importância de dominar o uso desses softwares de planejamento energético, o curso de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) recebeu, nos últimos dois dias, 4 e 5 de dezembro, um treinamento sobre os modelos computacionais para o planejamento e programação de operação, utilizados oficialmente no setor elétrico. O curso foi ministrado por pesquisadores do Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel), instituição responsável pelo desenvolvimento dos modelos.

O treinamento é aplicado em diversas faculdades de engenharia e acontece em duas etapas, associando atividades teóricas e práticas. Durante as aulas, são apresentados quatro softwares: Newave, Decomp, Dessem e Encad. “Temos uma quantidade muito grande de empresas que usam nossos modelos, então, essa capacitação pode auxiliar os alunos, de graduação ou pós graduação, de forma que seja útil no meio acadêmico e profissional”, explica o chefe do departamento de otimização energética e meio ambiente do Cepel, André Diniz.

O sistema energético brasileiro

“O Brasil é um país privilegiado, pois conta mais de 100 usinas hidrelétricas, que são responsáveis por atender a maior parte do mercado de energia elétrica. Dezenas de usinas hidrelétricas estão ligadas em cascata e situadas distantes dos grandes centros de consumo”, contextualiza o professor do departamento de Engenharia Elétrica, André Marcato. “Otimizar a utilização da água, reduzir o consumo de combustíveis e a poluição ambiental provocada pelas usinas termelétricas, otimizar a forma como a energia é transmitida é uma tarefa extremamente complexa.

A cadeia de modelos desenvolvida pelo CEPEL é uma das mais completas e eficazes do mundo para realizar o planejamento da operação e expansão. Foi um privilégio para UFJF receber este treinamento.”

Os programas possibilitam ainda a otimização de energia gerada em hidrelétricas e termelétricas, cálculos de danos ambientais e distribuição da energia gerada. Marcato explica que “a tarefa de decidir como transmitir a energia das usinas para os grandes centros de consumo é feita com base nos modelos do Cepel.

Pesquisadores da equipe que desenvolve esses modelos estão aqui, fazendo um treinamento para cerca de 50 alunos do curso de Engenharia Elétrica, com duração de dois dias. Isso é de extrema importância porque diversas empresas utilizam esses modelos, como geradoras, distribuidoras, transmissoras e comercializadoras de energia. Ter esse conhecimento é uma oportunidade para os alunos que vão chegar ao mercado com um conhecimento diferenciado.”

Parceria entre indústria e academia

Para que os alunos da UFJF possam utilizar os softwares em atividades de pesquisa e pós-graduação, foi selado um convênio entre o Centro e a Universidade que permite o livre acesso aos modelos em versões acadêmicas. “É uma grande satisfação para o Cepel firmar esse convênio. Nosso objetivo é transcender esse curso, preparando o caminho para mais colaborações técnicas entre as instituições, com coorientações de pesquisas e trabalhos. Isso permite que tenhamos mais contato com o conhecimento desenvolvido na academia e os estudantes tenham uma melhor noção das metodologias e softwares utilizados na prática”, ressalta André Diniz.

A doutoranda do Programa de pós-graduação em engenharia elétrica (PPEE), Camile Aredes avalia que ter um curso ministrado por pesquisadores do Cepel é uma grande oportunidade. “A minha área de pesquisa é voltada para planejamento e operação de sistemas elétricos.

Escutar profissionais que atuam nessa área já tem grande valor, ver o que vem sendo feito é necessário pra mim, que proponho inovações em um assunto que é a realidade deles.” O estudante da graduação, Arthur Lauro, destaca o porquê de participar do curso “Para trabalhar na área você tem que ter conhecimento desses softwares, as empresas cobram o domínio desses programas mais até do que saber outro idioma, como o inglês por exemplo”.


 Fonte: Assessoria/ UFJF

Postado originalmente por: Diario Regional – Juiz de Fora

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