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Juiz de Fora e Região

Mais de 90% dos alunos matriculados na rede municipal de ensino estão alfabetizados

Por: Diário Regional 11/10/2017 21:37

Dados levantados pela Secretaria de Educação (SE) da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), com base no Plano de Ações Articuladas (PAR) desenvolvido pelo Ministério da Educação (MEC) mostram que 94,4% dos alunos matriculados na rede municipal de ensino, concluem o terceiro ano do ensino fundamental alfabetizados. Atualmente, cerca de 44 mil alunos estão matriculados. Segundo a pasta, o resultado tem sido positivo. Conforme o que foi observado no Programa de Avaliação da Alfabetização (Proalfa) realizado em 2016, a proficiência municipal dos alunos do terceiro ano em relação à alfabetização aumentou de 531,2 pontos em 2015, para 539,2 em 2016.

Os números também são positivos na faixa dos jovens/adultos com 15 anos ou mais. Cerca de 7.900 estudantes estão matriculados de forma presencial ou semipresencial nas escolas da rede municipal. Desse montante, 96,7% são alfabetizados, caso de Maria Tereza Roberto Rodrigues Martins, 65 anos, que ingressou na rede pública de ensino em 2015. Irmã de outros seis irmãos, ela explica que não teve a oportunidade de estudar na infância, e que passou por situações constrangedoras, chegando a ficar perdida na cidade por não saber ler e escrever.

“Quando era criança, eu trabalhava na roça e meu pai não deixava a gente estudar. Na nossa família, todos trabalhavam e ninguém teve a chance de ir para a escola. Passei por dificuldades para assinar meu nome, para me deslocar até os lugares, por não conseguir ler o nome das ruas e, inclusive, uma vez cheguei a ficar perdida por ter entrado em ônibus errado”, lembra.

A idosa percebeu a possibilidade de aprender ao conhecer os cursos de Educação de Jovens e Adultos (EJA), que são promovidos pelo Centro de Educação de Jovens e Adultos Dr. Geraldo Moutinho (CEM). “Conheci o CEM através de amigos e me arrependo de não ter conhecido mais cedo. Hoje, já consigo ler e escrever, sei qual ônibus tenho que pegar, sei para o endereço que tenho que ir. É uma sensação muito boa”, afirma Maria Tereza.

Além do ensino regular, o CEM também realiza oficinas de teatro, música, leitura, dança, percussão, corte de costura e outros para os mais de 1500 estudantes cadastrados na escola. “São projetos que englobam toda a escola e também prepara os alunos para o mercado de trabalho. É muito gratificante realizar esse trabalho. São pessoas que fazem sacrifício, algumas delas se deslocam de bairros distantes para estarem aqui e aprender”, ressalta o diretor da escola, Francisco de Almeida Bessa Junior.

De acordo com a SE, políticas públicas foram adotadas para permitir maior acesso e permanência de adultos no EJA. Foram desenvolvidos cursos de formação continuada para professores da rede municipal, como o “Extrapolando a Sala de Aula”, oferecido aos professores que atuam no Laboratório de Aprendizagem, “Alfabetização em Rede”, destinado aos docentes dos anos iniciais nas escolas e outros, com o propósito de auxiliá-los no trabalho com a alfabetização.

Para os jovens e adultos, além do EJA presencial, que é oferecido em 36 escolas da rede, projetos como o Cesu (Supletivos), com atendimentos semipresencial em sete localidades do município e os Círculos de Alfabetização e Cultura (CAC), que tem o objetivo de oportunizar aos cidadãos que não dominam o sistema de escrita alfabética, com ações baseadas na participação, na autonomia, na igualdade e na justiça social, reduzindo os índices de analfabetismo, também são disponibilizados.

As ações têm sido intensificadas tanto que, em junho de 2014, a cidade recebeu, da Unesco, o Selo de Município Livre do Analfabetismo, em que os trabalhos do EJA municipal foram considerados destaque.

Maria faz parte da estatística e se sente orgulhosa. Ela convida outras pessoas a fazer parte dos números. “Quero convidar a todos para conhecer a escola. Os professores são atenciosos e pacientes. Comecei através do ‘a, e i, o, u’ e aprendi e, certamente, outros também poderão aprender”, finaliza.

Postado originalmente por: Diario Regional – Juiz de Fora

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