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Juiz de Fora e Região

Movimento Convergência Negra promove ações de combate ao racismo na cidade

Por: Diário Regional 10/11/2017 6:37

Desde o início deste mês, marcado pela celebração do “Dia Nacional da Consciência Negra”, no dia próximo dia 20, o movimento “Convergência Negra”, em parceria com a Superintendência Regional de Ensino (SRE) da cidade e com o Conselho Municipal para Promoção da Igualdade Racial, através da ação “20 Dias de Ativismo Contra o Racismo”, vem realizando atividades que intensificam a luta contra o preconceito racial.

Por meio de rodas de conversa, apresentações e outras iniciativas, o grupo promove o debate com a sociedade civil, visando à criação de políticas públicas de enfretamento à crescente mortalidade de jovens negros, além do “encurtamento” das relações sociais entre negros e brancos. “Juiz de Fora, segundo o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da Organização das Nações Unidas (ONU), está na terceira posição do país quando se fala de desigualdade racial entre negros e brancos, e é a primeira colocada do estado. Uma cidade que sempre carregou títulos que nos honrava, mas, agora, é um cenário que evidência a necessidade da criação de ações para que isso não ocorra. Aliado a isso, a cidade registra número grande de jovens negros mortos em homicídios. Somente neste ano, são mais de 100. Oriundas da periferia, envolvidos ou não com a criminalidade, é algo preocupante, mas que não causa perplexidade na população”, afirma o sociólogo e coordenador do movimento, Martvs Chagas.

Conforme dados da ONU, sete em cada 10 pessoas assassinadas no país são negras, na faixa etária de 15 a 29 anos. São cinco vidas perdidas a cada duas horas. Já o Atlas da Violência 2017, revela que de 2005 para 2015, enquanto a taxa de homicídios por 100 mil habitantes teve queda de 12% entre pessoas não negras, para os negros houve aumento de 18%. Além do mais, segundo o Atlas, os negros possuem chances 23,5% maiores de serem assassinados em relação a brasileiros de outras raças. “O movimento vem de encontro a essa realidade, não só no sentido de denunciar, mas também, no intuito de criar soluções que irão amenizar ou fornecer condições para que a sociedade extermine esse quadro lamentável. Com isso, a gente coloca o debate à tona e faz com que a sociedade discuta sobre o tema, que se apropriem das informações e comecem a formar consciência crítica para sanar o problema”, reforça Chagas.

O sociólogo defende que a solução envolve toda a sociedade. “Embora estejamos falando do racismo contra negros, a saída dessa situação não depende somente da população negra. Toda sociedade precisa participar independentemente da cor de pele, crença religiosa ou orientação sexual. Queremos abranger todo mundo para ter uma cidade justa e igual”, disse.

 

MULHERES

O Atlas da Violência também mostra que, em 2015, cerca de 385 mulheres foram assassinadas por dia. A porcentagem de homicídio de mulheres cresceu 7,5% entre 2005 e 2015, em todo o país. Enquanto a mortalidade de não-negras (brancas, amarelas e indígenas) caiu 7,4% no mesmo período, entre as mulheres negras o índice subiu 22%.

A estudante Naiara Marques de Britto, de 18 anos, ressalta que os números são apenas o reflexo de uma sociedade machista e intolerante que prevalece no país. “Para a mulher é duas vezes mais difícil, é uma luta diária. Andando pelas ruas sempre escuto coisas como ‘moreninha, é lindinha, mas pena que é pretinha’. Todos os dias a gente enfrenta isso. Em algumas situações a gente não consegue reagir, mas é importante falar, se posicionar, denunciar”, conta.

Integrante do Convergência Negra, ela conta como foi a criação do grupo e como se identificou. “É a junção de vários grupos: ‘Movimento Negro Unificado’, ‘Conexão Negra’, o que deu início a tudo isso. Eu, por exemplo, me descobri como mulher negra há pouco tempo. Vivemos em um país onde o ‘colorismo’ é muito forte. Negro de pele clara tem uma tendência a não se identificar, embora minha família seja negra”, ressalta.

Naiara destaca a importância da luta contra o racismo. “O dia 20 é uma data importante para o povo negro, mas a luta não se resume somente nesta data. Somos negros durante todo o ano e as pessoas precisam ter essa noção. É preciso reconhecer que o Brasil é um país racista, com a questão racial sendo colocada em prática a todo o momento. A partir disso, temos que tentar desconstruir isso para mudar a realidade”, finaliza a estudante.

 

AUDIÊNCIA PÚBLICA

A Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) vai realizar, em Juiz de Fora, audiência pública para discutir o tema. Durante o encontro, será construido um documento oficial, que posteriormente será entregue na Câmara Municipal. “O ofício será elaborado a partir da contribuição dos debates que estão sendo promovidos. A proposta é apresentar sugestões para mudar a realidade da cidade”, conclui Chagas.

Postado originalmente por: Diario Regional – Juiz de Fora

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