Parceria entre sistema prisional e prefeitura visa ressocialização de detentos que estão perto de soltura

por Tatiana Oliveira

Público-alvo envolve principalmente moradores de rua e detentos com vínculos familiares rompidos com histórico de uso de drogas

Na manhã de quarta-feira, 18, o secretário de Políticas Sobre Drogas, Ailton Oliveira de Souza, e o diretor do Presídio de Araguari, Murilo Cássio Fernandes, firmaram uma parceria entre o município e o estado de Minas Gerais para a realização do Programa de Reinserção do Pré-egresso e Egresso do Sistema Prisional – PRPEESP. “Visto que um dos fatores do risco de reincidência criminal é o uso e abuso de substâncias psicoativas, através da ressocialização e do tratamento, esse número tende a cair”, afirma o secretário.

O público-alvo são os presos que estão prestes a serem libertos e os ex-detentos que possuem histórico de uso e abuso de drogas. A triagem será feita durante a acolhida realizada pela equipe de saúde da unidade Básica de Saúde Prisional e direcionada para a equipe da secretaria. Hoje o presídio conta com aproximadamente 380 detentos. “A reincidência é grande, acredito que de aproximadamente 60%. Desses, 10% tem vínculos rompidos, 4% moradores de rua e o restante são vínculos fragilizados, mas que ainda tem uma ligação com algum ente familiar” conta a proponente do projeto Sandra Aparecida Coutinho.

Coutinho é psicóloga no sistema prisional e vê no dia-a-dia do presídio a necessidade da parceria. “Percebi no sistema prisional, onde trabalho há 13 anos com detentos, que o grau de reincidência é muito alto. Pela experiência que vivencio notei que faltava a secretaria municipal de Políticas Sobre Drogas envolvida nessa parceria”.

Segundo ela, o preso tem pleno acesso às políticas públicas dentro do presídio, o problema maior é quando ele é reinserido na sociedade. “Lá, o detento pode contar com médico, dentista, psicólogo, escola, ou seja, quando entra no presídio é incluído nas políticas públicas. Mas quando ele chega na sociedade enfrenta dificuldades para ser incluído, começar no mercado de trabalho, na escola, fazer um curso profissionalizante, para ter uma chance de mudança de vida”, diz a psicóloga.

De acordo com seus relatos, o uso e abuso de substância psicoativas pode ser agravado devido a essa exclusão social. “No sistema prisional o detento fica um tempo sem utilizar essas substâncias. Quando ele sai e enfrenta essas perdas e dificuldades ele acaba recaindo”. Para viabilizar o programa, estão sendo firmadas e buscadas parcerias com diversos órgãos públicos. “Vamos utilizar da estrutura do Centro de Alternativas Penais –  CEAPA, que será um forte parceiro, o poder Judiciário e da rede SUS e SUAS, com todo o seu complexo de instituições”.

Para Coutinho, a parceria com o Judiciário será essencial. “Caso o pré-egresso ou o egresso não tenha esse desejo inicial de buscar ajuda, esperamos que por meio do Judiciário ele seja determinado à secretaria de Políticas sobre Drogas”. Segundo ela, o público muitas vezes não está maduro o suficiente para procurar tratamento. “A partir daí podemos trabalhar os vínculos com família e equipe. Assim vamos criando possibilidades de mudança, de serem incluídos em algo diferente do que vem fazendo, além do crime”.

Segundo o projeto, a proposta é trabalhar com um programa de acompanhamento do pré-egresso, egresso e suas famílias. “Busca-se prestar atenção e cuidar do dependente químico crônico, com os vínculos fragilizados e morando nas ruas”, afirma a psicóloga.

Conforme relata a psicóloga à Gazeta do Triângulo, visitas estão sendo feitas às famílias dos pré-egressos para um mapeamento do público. Equipe utilizada é da secretaria de Políticas sobre Drogas.” A visita domiciliar é um dos instrumentos que potencializa as condições do conhecimento do cotidiano dos sujeitos, em seu ambiente de convivência familiar e comunitária”, explica. Também serão realizadas entrevistas psicossociais para auxiliar nos encaminhamentos e orientações a serem adotados.

Como material humano, estão envolvidos no programa psicólogos, assistentes sociais, motorista, auxiliar administrativo, instrutores, entre outros. Também está previsto no projeto custos com veículo, cesta básica, material de escritório e material informativo.

Postado originalmente por: Gazeta do Triângulo

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