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Região: Mulher tenta roubar filha branca de mãe negra no posto Graal

Por: Portal MPA 28/06/2017 9:00

 

Uma estudante de enfermagem, negra, de 22 anos, precisou usar fotos e vídeos de redes sociais para provar que era a verdadeira mãe de sua filha, que é branca e tem olhos claros. Jamille Stephanie Sales Azevedo (foto) contou que uma criminosa se passou por mãe da criança de 1 ano e 5 meses e tentou raptá-la, nessa segunda-feira (26), no restaurante Graal, em Perdões, na região Centro-Oeste de Minas Gerais. Mãe e filha voltavam de uma viagem a São Paulo. A vítima contou que precisou convencer uma multidão de que era mãe da criança, já que, por ser negra, a maioria teria duvidado do parentesco.

A jovem contou que foi passar o fim de semana em São Paulo com o marido e a filha. Nessa segunda-feira (26), ela embarcou em um ônibus com a menina rumo a Belo Horizonte. Na segunda parada, Jamille desceu para lanchar com a pequena no Graal. Quando ela entrou no banheiro, uma mulher começou a brincar com a criança e a pegou pela mão. “Eu não me importei, mas, de repente, ela começou a gritar: ‘Solta a minha filha’. Eu olhei para trás e para os lados, não acreditei que era comigo. E ela repetiu: ‘Solta minha filha’”, narrou Jamille. Na sequência, uma funcionária do estabelecimento teria se aproximado e questionado o que estava ocorrendo. “Ela disse com todas as letras: ‘Essa preta pegou a minha filha’”, contou. Conforme relato da vítima, a mulher que tentou levar a criança era branca, aparentava ter 30 anos e estava bem-vestida.

A funcionária se virou para a vítima e perguntou se ela teria como comprovar que se tratava de sua filha. “Na hora eu fiquei sem reação: como eu provo que a criança é minha filha, assim, na pressão?”, desabafou.

Documento. Já a criminosa parecia estar esperando por esse momento e mostrou uma certidão de nascimento de uma menina de 1 ano e 8 meses. Jamille tinha a carteira de identidade e o CPF da criança, mas os documentos não foram suficientes para convencer as outras pessoas de que ela era a mãe. “Os funcionários me seguraram e deram minha filha na mão dela. Ela ia ficar com minha filha porque é branca”, disse. No meio da confusão, a criança chamou pela mãe, mas como havia duas mulheres, não ficou claro quem era a mãe.

A criminosa chegou a entrar com a criança em seu carro, de onde foi tirada por Jamille. Para provar que falava a verdade, a mãe mostrou fotos e até vídeos do parto. Depois de apresentar os documentos e a passagem da bebê, ela voltou para o ônibus e seguiu viagem com a filha. A outra mulher não foi presa, nem identificada.

Tentativa. A estudante de enfermagem informou que foi até a Polícia Militar quando desembarcou do ônibus na rodoviária de Belo Horizonte. Entretanto, os policiais militares não teriam registrado a ocorrência porque a vítima não sabia o nome da criminosa.

SAIBA MAIS

Pena. A ocorrência foi registrada como subtração de menor de quem tem guarda. Segundo a advogada Carla Silene, do Instituto de Ciências Penais (ICP), a pena varia de dois meses a dois anos de prisão. Porém, se a criança for devolvida sem sofrer maus-tratos, a punição pode não ser aplicada. 

Números. Em Minas Gerais, 131 pessoas foram vítimas de sequestro e cárcere privado nos cinco primeiros meses deste ano.

Restaurante afirma que gerente desconhece os fatos

A rede Graal, onde teria ocorrido a tentativa de sequestro, afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o gerente do estabelecimento em Perdões “desconhece os fatos supostamente ocorridos na unidade”. No fim da tarde desta terça-feira (27), a Polícia Civil começou a investigar o crime depois que a mãe da criança registrou o caso na delegacia regional de Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte.

Conforme a assessoria de imprensa da corporação, o caso vai ser investigado pela delegacia de Ribeirão Vermelho, no Centro-Oeste de Minas, responsável pelo local onde teria ocorrido o crime.

A rede Graal informou que tem um monitoramento de câmeras em pontos estratégicos e está levantando as imagens, que devem ser solicitadas nesta quarta-feira (28) pela polícia. (AD)

Reportagem de Aline Diniz e Thalita Marinho para o Jornal “O tempo”

Postado originalmente por: Portal MPA

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