Começa a corrida pelo voto regional para a Câmara dos Deputados na RMVA

Wôlmer Ezequiel

Campanha pretende concentrar os votos dos eleitores em representantes do Vale do Aço

O clima de incertezas que predominou a agenda eleitoral começou a se dissipar com o início oficial das campanhas eleitorais na última quinta-feira, dia 16. Oficialmente, já estão liberadas as campanhas nas ruas com a realização de panfletagens, comícios (exceto showmícios com artistas), caminhadas, carreatas e campanhas pelas redes sociais.
As eleições gerais de 2018 têm uma série de diferenças em relação a 2014, a começar pelo período de propaganda eleitoral, que caiu de três meses para 45 dias. Já o horário eleitoral gratuito terá início no dia 31 de agosto e se estenderá até 4 de outubro. Serão ao todo 50 minutos diários de propaganda política no rádio e na TV.

Entretanto, um assunto que tem ganhado força nos últimos anos, especialmente no Vale do Aço, refere-se à representatividade regional, sobretudo na Câmara Federal, em Brasília, coração do poder e onde são decididos os repasses de recursos para os municípios na esfera nacional.

Não é novidade nenhuma que a Região Metropolitana do Vale do Aço tem sido relegada ao mais completo esquecimento em termos de verbas federais. Não custa lembrar questões sensíveis como a obra da BR-381 que se arrasta indefinidamente há pelo menos 10 anos; a reforma da ponte antiga sobre o Rio Piracicaba, entre Coronel Fabriciano e Timóteo, entre outras, o que paralisou qualquer projeto de desenvolvimento regional.

Eleitores
Com um eleitorado de pouco mais de 340 mil eleitores, a Região Metropolitana do Vale do Aço (RMVA) conta atualmente com apenas um deputado federal, Leonardo Quintão, que mantém uma ligação com as demandas dos municípios da região.

Em face da ausência dessa representatividade mais efetiva em Brasília e diante da necessidade de a região fazer valer o seu status de produtora de riquezas, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) Regional Vale do Aço, que coordena e secretaria a Agenda de Convergência do Vale do Aço, que reúne representantes de 39 entidades, lançou neste ano a campanha “Voto Vale do Aço”.

O objetivo é “trabalhar a conscientização e o valor do voto regional, possibilitando eleger candidatos “ficha limpa” e compromissados com as prioridades do Vale do Aço, para que possa ser cobrada uma atuação dedicada e de resultados.

Meta
O desafio da região é o de eleger entre 2 e 3 deputados federais e 4 estaduais, para tal, conta com o eleitorado de Ipatinga (cerca de 183 mil eleitores), Coronel Fabriciano (81.470), Timóteo (60.034) e Santana do Paraíso (16.923), municípios que compõem a Região Metropolitana que possui cerca de 340 mil eleitores. Se entre 30% a 40% desses eleitores se conscientizarem para votar e eleger os candidatos que têm realmente vínculos, com residência, convivência e história, a meta estipulada pela Agenda não está assim tão distante, basta que a mobilização aconteça de fato.

Após o prazo das convenções e registros de candidaturas pelo menos três nomes aparecem com identificação com o Vale do Aço e se enquadram na proposta da Agenda de Convergência. São eles, Leonardo Quintão (PMDB), que tenta a reeleição para o seu quarto mandato; Roberto Carlos (Avante), ex-vereador de Ipatinga e atualmente ocupa a primeira suplência de deputado federal pelo seu partido, tendo sido o candidato majoritário na eleição passada em Ipatinga; e Enéias Reis (PSL), vereador em Coronel Fabriciano e membro da Igreja Assembleia de Deus. Leonardo e Roberto fizeram na última sexta-feira (17) o lançamento regional das suas respectivas campanhas.

A Agenda de Convergência reforça que o Vale do Aço possui sua identidade regional forte e reconhecida. Mas, o desenvolvimento social e econômico não acontece na velocidade e, muitas vezes, na direção desejadas. Daí a necessidade de aumentar a representação política regional, a exemplo do que ocorre em outras regiões de Minas, que adotaram a mesma estratégia.

Pulverização de votos prejudica eleição de candidatos do Vale

Levantamento junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com base na votação para deputado federal nos quatro municípios da RMVA, nas eleições de 2014, revelam um pouco a situação de abandono da região. Por um lado, pode-se notar a pulverização de votos em diversos candidatos. Segundo dados apurados pela Fiemg, por exemplo,
na eleição de 2014 foi constatado que, para deputado federal, dos 609 candidatos em Minas Gerais, 528 candidatos, ou seja, 87%, foram votados no Vale do Aço, onde foram eleitos apenas dois deputados federais (Leonardo Quintão e Gabriel Guimarães) com mais de 10% de seus votos obtidos aqui.

Entre os candidatos de outras regiões eleitos com os votos do Vale do Aço, independentemente de siglas partidárias, há deputados de Belo Horizonte, Manhuaçu, Lavras, Urucânia, Triângulo Mineiro e Norte de Minas.
Em Ipatinga, por exemplo, dos 10 candidatos mais votados no município na eleição passada, sete se elegeram à Câmara Federal, dos quais o mais votado, o ex-vereador Roberto Carlos, ficou com a primeira suplência. À exceção de Leonardo Quintão, os demais eram de fora. O mesmo vale para Fabriciano, Timóteo e Santana do Paraíso (veja quadro).

TSE


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