Conteúdo local pode atrair mais ouvintes e anunciantes para as rádios

A programação voltada preferencialmente para os moradores da região pode gerar diversos benefícios para a emissora, como o aumento da audiência e de anunciantes locais

Por: Patrícia Marques

O rádio é um dos meios de comunicação mais democráticos que existem. O veículo também possui baixo custo e atinge todas as classes sociais, tanto é que na última pesquisa “Book de Rádio”, realizada pela Kantar Ibope Mídia, foi constatado que o rádio alcança 89% das pessoas. O rádio chega tão longe que diversas pessoas que saíram de suas cidades, inclusive do país, utilizam do meio para se manterem informadas, o que pode-se enaltecer também a importância da divulgação de conteúdos locais. Segundo o radialista e jornalista Paulo Leite, que vive nos Estados Unidos desde 1992, os conteúdos locais podem trazer diversos benefícios para a emissora.

logo_sinteck_grande-1

“Não há nenhuma dúvida de que as emissoras que atingem as maiores audiências e desfrutam dos maiores índices de lealdade junto aos ouvintes são aquelas que se posicionam o mais próximo possível dos ouvintes. Nenhum outro meio de comunicação pode ser tão localizado quanto o rádio, dada a facilidade de transmitir informações de que o veículo desfruta. Qualquer um, armado de um celular, pode transmitir vídeo ao vivo e esse vídeo pode ser retransmitido por uma estação de TV, mas isso pressupõe a existência de uma rede celular no local dos acontecimentos, banda suficiente, etc. Já o rádio transmite de qualquer lugar, seja por telefone comum, celular ou rádios que usam bandas de telecomunicação,” salienta Leite.

O presidente da Associação Mineira de Rádio e Televisão (AMIRT), Mayrinck Júnior, reafirma a visão de Leite e ressalta a importância das notícias locais para a sociedade. “Essas emissoras são as verdadeiras rádios comunitárias da cidade, são o elo de ligação da comunidade com diversos órgãos, como a Prefeitura, Ministério Público, Cemig, Copasa, entre outros. As grandes redes estão preocupadas com as notícias estaduais, nacionais ou mundiais, quem se preocupa com as informações dos próprios municípios são as emissoras de rádio do interior”.

Como exemplo, o jornalista explica que as últimas décadas nos Estados Unidos foram marcadas por uma enorme concentração de grandes redes de emissoras de rádio, porém as emissoras menores continuaram a atender o mercado local e hoje desfrutam de uma “saúde financeira que dá inveja às grandes redes”.

Leite destaca que o motivo é simples: “as grandes redes – que carregam dívidas quase impossíveis de pagar – reutilizam as mesmas programações em quase todas as suas emissoras, por uma questão de economia. Isso torna as emissoras impessoais e afastadas de suas audiências locais. As emissoras menores continuam produzindo suas programações e seus noticiários em suas comunidades e por isso atraem maiores audiências e, consequentemente, o maior número de anunciantes. O anunciante local ainda é o principal no rádio americano, onde a exemplo do que acontece no Brasil, os grandes anunciantes nacionais prestam pouca atenção ao rádio,” disse.

O jornalista concorda que as redes de rádio vieram para ficar, mas mesmo as emissoras norte-americanas vinculadas a uma grande rede reservam alguns minutos a cada intervalo comercial para veicular notícias e informações locais, como tempo e temperatura, trânsito, entre outras.

Mayrinck salienta a importância da valorização do veículo para toda a sociedade. “O rádio tem o papel social muito grande e quanto menor a cidade mais importante é a função dessa emissora, porque só ela fala daquela comunidade. Já os grandes veículos estão preocupados com grandes matérias. Em pequenas e médias cidades, o rádio é imbatível quando fala de assuntos sobre o próprio município.”

Leite também destaca a relevância do veículo para a população. “O rádio pode atingir imediatamente a esmagadora maioria dos habitantes de qualquer cidade, por ser gratuito e facilmente sintonizável por qualquer um em aparelhos com os quais todos estão familiarizados há décadas. Embora informações urgentes de utilidade pública possam (e cada vez mais sejam) transmitidas diretamente a celulares, o rádio transmite essas informações e pode dar mais detalhes, pode responder a perguntas e colocar as informações dentro de um contexto, o que já é bem mais difícil com uma série de torpedos enviados a um celular”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.

WP2Social Auto Publish Powered By : XYZScripts.com
%d blogueiros gostam disto: