Diretor da FSFX critica situação de hospitais em Fabriciano e Timóteo

Wôlmer Ezequiel

Mauro Oscar Souza Lima, em entrevista ao Diário do Aço

A crise no atendimento hospitalar pelo Sistema Único de Saúde, que a população passou a enfrentar após o fechamento do Hospital José Maria Morais, antigo São Camilo, em Coronel Fabriciano, pode se agravar e gera preocupação também em Ipatinga. A situação requer um plano de emergência, porque permanece o aviso da suspensão de novos atendimentos também no hospital Vital Brazil, em Timóteo, a partir do próximo dia 10. Caso essa tendência não seja corrigida, os impactos em todo o sistema hospitalar na região será inevitável.

Conforme dados do Hospital Márcio Cunha, após o fechamento do hospital na cidade vizinha, houve um impacto com aumento de cerca de 20% em todos os setores no HMC, em Ipatinga.

Procurado para falar sobre esse cenário de crise, o diretor executivo da mantenedora do Hospital Márcio Cunha em Ipatinga, Fundação São Francisco Xavier (FSFX), Mauro Oscar Souza Lima, afirmou em entrevista ao Diário do Aço, nesta segunda-feira, que o cenário de sobrecarga é preocupante em todo o sistema público hospitalar.

O diretor observa que essa crise já ocorre há um tempo, e essas últimas ocorrências, envolvendo o fechamento de um hospital e o fechamento iminente do segundo, atestam o agravamento da crise. Por isso que os prefeitos de Coronel Fabriciano, e Timóteo, respectivamente, Marcos Vinícius e Geraldo Hilário, já deveriam ter pensado em uma solução antes de chegar a esse nível, pontua o diretor.

“Já era uma coisa esperada. Todo mundo sabe que quando já tem contrato e convênio, junto ao estado, há prazos determinados. Todo mundo já deveria ter tomado as providências necessárias para que não acontecesse essa crise na nossa região, em termos de serviços e saúde. Então, todos os envolvidos, como o próprio estado, os prefeitos, os munícipios, deveriam ter olhado para isso com mais atenção”, afirma.

Mauro Oscar também alertou que os prefeitos das duas cidades, Coronel Fabriciano e Timóteo, precisam se unir e ajustar para encontrar uma solução conjunta para a crise hospitalar. O diretor pontua que a FSFX e o Hospital Márcio Cunha (HMC), não foram convidados a fazer a gestão nos hospitais, nem chamados para conversar a respeito de uma saída para a crise.

Médicos
O diretor do Hospital Márcio Cunha também fez críticas ao Corpo Clínico do antigo Hospital São Camilo em Coronel Fabriciano, que não deveria ter fechado as portas para novos atendimentos, porque isso só vai prejudicar a população. “Para nós, é impensável uma porta de acesso aos pacientes ser fechada. Se está faltando medicamentos, tem que procurar solucionar. O desafio é criar e viabilizar o atendimento dentro dessa situação, e não fechar as portas”, salienta.

Outro cenário
Questionado sobre a possibilidade de um outro cenário, caso a FSFX tivesse sido convidada a assumir a administração do hospital em Coronel Fabriciano, o diretor assegurou que o resultado seria diferente. “A FSFX e o HMC deixam claro que possuem expertise na gestão, tanto que, no ano passado, nós fomos para Itabira, e assumimos um hospital com 81 leitos, maternidade, cirurgia, pediatria, clínica médica, etc. Então, essa situação já deixou claro que o modelo de gestão que fazemos aqui na região é replicável. No entanto, para sermos convidados, o interesse tem que ser de ambas as partes”, destaca.

Prefeitura nega que tenha demorado com providências

Por meio de uma nota, a Prefeitura de Coronel Fabriciano respondeu ao Diário do Aço sobre o fechamento do Hospital José Maria Morais e as afirmações do diretor Mauro Oscar. Segue a íntegra da nota.

“A respeito das críticas feitas pelo senhor Mauro Oscar Souza Lima, diretor da Fundação São Francisco Xavier, esclarecemos que a Prefeitura de Coronel Fabriciano vem agindo com extrema clareza e dentro do que é de sua responsabilidade para solucionar os problemas referentes ao Hospital Doutor José Maria Morais, antigo São Camilo. É inverídica e infundada a informação de que a prefeitura não tomou as providências necessárias de forma antecipada, considerando que o hospital era do Estado e a gestão da Beneficência São Camilo. O município recebeu a cessão de uso do hospital somente no dia 1 de junho, portanto, as ações anteriores a esta data não cabem à prefeitura responder. Reiteramos que todas as medidas estão sendo feitas de forma resolutiva para que possamos pactuar com o Ministério da Saúde um novo modelo de serviço, levando em consideração as reais necessidades da população, sem demagogia nem atropelos”, conclui a nota.

Procurados pela reportagem do Diário do Aço, o advogado do Corpo Clínico, Maicon Reis, e o Procurador Geral de Timóteo, Jonair Cordeiro Silva, não responderam até o fechamento desta matéria.


Postado originalmente por: Diário do Aço

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