Diretor da Usiminas Mecânica afirma que empresa opera com 15% da capacidade

Wôlmer Ezequiel

Usiminas Mecânica ainda não conseguiu encontrar uma forma de sair da crise e voltar a ocupar a sua capacidade instalada

Para alguns especialistas, a economia brasileira já apresenta sinais de retomada do crescimento, porém, esse não é o caso da Usiminas Mecânica S.A. (UMSA), sediada em Ipatinga. Uma das mais importantes empresas de bens de capital do Brasil, ainda não conseguiu encontrar uma forma de sair da crise e voltar a ocupar a sua capacidade instalada. Sem grandes obras estruturantes em andamento no Brasil, a empresa também não tem grandes encomendas. A informação é do diretor, Heitor Takaki, ao fazer uma avaliação da empresa no mercado durante entrevista ao Diário do Aço. O diretor, entretanto, é otimista em relação ao futuro.

“Estamos com uma operação de 15% da nossa capacidade, o que é baixa em relação ao nosso potencial, e isso representa a nossa dedicação que é muito grande”, afirma.

Segundo o diretor, para que fosse possível manter a Usiminas Mecânica em funcionamento, foi necessária uma série de negociações e adequações. “Fizemos um esforço muito grande de reavaliar todos nossos custos variáveis, como negociações de contratos, energia elétrica, seguro de fábrica, enfim, todo o arcabouço que gera custos que nós, aparentemente, não teríamos condições de reduzir”, informa.

Perspectiva
Para o diretor, as perspectivas de crescimento da empresa são baixas no curto prazo, mas mesmo assim, os resultados do segundo semestre são melhores em relação ao início deste ano. “Hoje nós estamos no fundo do poço na economia, mas nós estamos com um panorama de viés de alta de melhoria em médio prazo e não curto prazo. Já temos uma visão um pouco mais alongada da nossa carga, ainda baixa. Temos uma visão de seis meses, diferente de quando começamos o ano, quando só tínhamos dois meses de visão”, explica.

Tiago Araújo

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Delações
Outro detalhe que atrapalha o desenvolvimento da economia, conforme o diretor, são as delações premiadas feitas por personagens relevantes no cenário político e econômico. Grandes empreiteiras responsáveis por obras de significativo porte na infraestrutura do país estão mergulhas em uma crise e enfrentam dificuldades judiciais. Com isso, grandes contratos de fornecimento de estruturas metálicas deixam de ser firmados. “A expectativa nossa é que ainda teremos movimentos políticos, como as delações no âmbito da Lava Jato que podem influenciar o setor econômico, como foi em abril. A delação dos executivos da JBS afetou toda a cadeia do mercado e isso paralisou todos os investimentos. Então, há ainda um medo de que a instabilidade política possa gerar impactos negativos na economia”, afirma.

Setor ferroviário
Como na economia há um “ecossistema” interligado, a crise política e econômica tem efeitos multiplicadores em segmentos variados. O diretor da UMSA, explica que a baixa demanda do setor ferroviário também gerou impactos na Usiminas Mecânica, nos anos anteriores. “Há dois anos, estamos com a unidade de Congonhas fechada em função da baixa demanda oriunda do setor ferroviário. A expectativa de crescimento da logística era grande, mas foi frustrada com a questão do minério de ferro. A commoditie teve uma queda nos últimos anos e isso levou a uma redução na demanda de logística ferroviária. Com isso, o setor ficou estagnado por dois anos e volta agora bem devagar, mas com as empresas ferroviárias voltando atenção para o agronegócio”, avalia o dirigente.

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