Escala de plantão dos médicos no hospital em Coronel Fabriciano se encerra hoje

Wôlmer Ezequiel

Antigo hospital São Camilo não contará mais com médicos de plantão

Passadas 24 horas do fechamento das portas para novos atendimentos no Hospital Doutor José Maria Morais (antigo São Camilo) em Coronel Fabriciano, o quadro é de indefinição. Nenhuma ação concreta foi anunciada pelos agentes envolvidos na negociação que transfere a administração integral da instituição. Os médicos encerraram a entrada de novos pacientes devido à total falta de condições de atendimento no local, com o afastamento da Sociedade Beneficente São Camilo.

Nesta quarta-feira, o advogado Maicon Reis explicou ao Diário do Aço que a situação pode piorar ainda mais com a falta de médicos plantonistas a partir desta quinta-feira (1), pois o contrato de prestação de serviços desses profissionais deixa de existir hoje.

“A escala de plantão assinada pela São Camilo, por meio do seu diretor técnico, vence hoje (1). Então, o médico plantonista que entraria no serviço nesta quarta-feira (31), às 19h, vai sair hoje, às 7h, e não terá outro plantonista para assumir seu lugar”, alerta.

Atendimento normal
O advogado aproveita para reforçar que os médicos vão continuar atendendo, normalmente, os pacientes internados. “A UTI está com dez internados e os médicos intensivistas não vão arredar o pé de perto deles. Então, temos profissionais bem intencionados, que estão trabalhando para a população, mesmo com o salário em atraso e não sabendo de quem é que vão receber o pagamento”, pontua.

Cirurgias
Maicon Reis acrescenta que o Hospital Doutor José Maria Morais, atualmente, possui 67 pacientes internados. Por isso, é importante definir como irá funcionar o atendimento a partir desta quinta-feira. “Possivelmente vai ficar um hospitalista para atender quem está ali dentro. Ocorre que o hospitalista é um clínico. Então, se tiver alguma necessidade de cirurgia, esse médico não vai poder fazer”, avisa.

O advogado também explica que, mesmo se o cirurgião estiver visitando o seu paciente no hospital, e durante essa visita, alguém precisar de uma cirurgia, isso não será possível, haja vista que também não há anestesistas de plantão ou de sobreaviso.

Gestão plena
Outra questão levantada pela defesa dos médicos é que o estado está se esforçando para conseguir resolver a burocracia administrativa de transferir a gestão para o município de Coronel Fabriciano. “Entretanto, a gestão interna do hospital não está sendo feita. Não existe um administrador dentro do hospital que represente o estado. Não tem diretor técnico nem para assinar a escala de plantão”, observa.

Conforme Maicon Reis, mesmo se o município conseguir a transferência da gestão, não é possível fazer nada por enquanto, porque a administração municipal só poderá realmente assumir a gestão plena a partir do dia 1 de julho. “Então, o município não pode assinar contrato com o médico que está ali atendendo, porque senão pode estar ferindo a lei de responsabilidade fiscal. Desse modo, como é que vai ficar a situação desse médico do dia 10 de maio até o dia 30 de junho. Quem vai remunerar esse médico?”, questiona.

Dica
O advogado aconselha os parentes dos internados no hospital em Coronel Fabriciano que procurem o Ministério Público para tentar agilizar a transferência deles para outros hospitais capacitados a oferecer condições adequadas de atendimento.

Também foi denunciada ao Ministério Público de Minas Gerais a Sociedade Beneficente São Camilo, uma vez que documentos comprovam as transferências de recurso do estado para a antiga mantenedora do hospital, que por sua vez não quitou os pagamentos de pessoal.

A reportagem do Diário do Aço tenta, desde terça-feira, ouvir a versão da Sociedade Beneficente São Camilo, mas a resposta oficial ainda não foi enviada.

População manifesta indignação na porta do hospital José Maria morais

O operário Longuino de Arruda estava com um horário marcado para ser atendido no hospital nesta quarta-feira (31). Ele tinha um pedido médico de revisão do braço, que está quebrado. “Na hora que eu cheguei aqui, que um colega me falou que o hospital estava fechado. Agora, vou ter que ir para o hospital Vital Brazil, em Timóteo, para que um médico possa olhar meu braço quebrado”, disse em entrevista ao Diário do Aço.

Elenilda de Lima afirma que não tem roupa de cama disponível no hospital

Já o aposentado Isaías de Lima Brandão, comenta que sofreu um acidente no sábado (27), e foi ao hospital em Fabriciano para ser operado, mas as condições hospitalares já estavam precárias nesse dia. Por isso, ele desistiu e pagou por uma cirurgia em uma unidade particular. “Não tem como ser atendido aqui no hospital. Não nem cirurgia. Tem pessoas que até estão indo para Bom Jesus do Galho para ser atendidas. O hospital está sem equipamento, remédio e outras coisas”, lamenta.

Longuino de Arruda precisava que seu braço quebrado fosse analisado pelos médicosestava com um horário marcado para

Dona de casa, Elenilda de Lima está com o marido internado no hospital, e confirma que a situação está precária na unidade. “Está faltando até roupa de cama. A sorte é que os médicos garantiram que o remédio do meu marido ainda não está faltando. Mas está faltando muitas coisas lá dentro. Mas mesmo com essas dificuldades, a assistência hospitalar está sendo oferecida para os internados. E os médicos estão trabalhando, assim como as enfermeiras. Ou seja, pelo menos meu marido está sendo bem cuidado”, afirma.

Isaías de Lima não conseguiu ser operado no hospital em Fabriciano

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Postado originalmente por: Diário do Aço

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