HMC tem condições de funcionar apenas até domingo, afirma diretor

Alex Ferreira

Mauro Oscar alertou sobre a situação do Hospital Márcio Cunha com a paralisação dos caminhoneiros

A preocupação com as consequências da paralisação dos caminhoneiros aumenta a cada dia, principalmente entre empresários, lojistas e gestores de entidades. Para alertar sobre os riscos aos quais a sociedade está sujeita, os coordenadores da Agenda de Convergência do Vale do Aço convocaram a imprensa para uma entrevista coletiva na tarde desta terça-feira (29). O encontro contou com a presença do presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) Regional Vale do Aço, Flaviano Gaggiato; do diretor do Hospital Márcio Cunha (HMC), Mauro Oscar; do presidente da Associação Comercial de Ipatinga (Aciapi), Claúdio Zambaldi; presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Ipatinga, José Carlos Alvarenga; e do presidente da Associação Comercial de Coronel Fabriciano (Acicel), Ismá Canedo.

Na avaliação do Flaviano Gaggiato, os reflexos da paralisação dos caminhoneiros são imediatos para a população. Muitas empresas já adotaram planos de contingência, reduzindo ao máximo suas atividades para manter os equipamentos essenciais em funcionamento, como altos-fornos e aciaria. “Isso pode impactar a médio e longo prazo na diminuição de empregos. Uma vez que estabelecida a normalidade de suprimentos, os fornecedores estarão com poucos suprimentos, que demorarão para chegar às empresas. E tudo isso leva tempo. Então a gente acredita que ainda levará cerca de dois meses para o mercado voltar à normalidade, após o fim da paralisação”, destaca.

O presidente da Fiemg acrescenta que cerca de 60% dos caminhoneiros que atuam no país são contratados por empresas e apenas 25% são autônomos. Com isso, levanta-se a suspeita de que interesses empresarias contribuíram para o início deste movimento. “Afirmar que houve isso, seria leviano da minha parte, porque não tenho esse conhecimento, mas as informações indicam que houve interesses escusos por trás disso tudo”, cita.

Alerta máximo
Outro ponto destacado foi o prazo de funcionamento do Hospital Márcio Cunha, que está desabastecimento de insumos importantes. Segundo Mauro Oscar, caso a paralisação não termine nesta semana, o HMC terá condições de prestar serviço apenas até domingo (3) por causa da falta de medicamentos, produtos e materiais. “As transportadoras estão se recusando a coletar os insumos e trazer para o hospital. Já em relação aos internados, a partir de domingo vamos ver quantos realmente vão ficar no hospital e analisaremos quais recursos teremos”, afirma.

Wôlmer Ezequiel

Os coordenadores da Agência de Convergência do Vale do Aço apontaram os efeitos da paralisação dos caminhoneiros

Mauro Oscar demonstrou preocupação com a possível morte de pacientes que não poderão receber o atendimento adequado após domingo, caso o movimento ainda esteja nas ruas. “É uma coisa forte, mas é algo que pode acontecer. Primeira dificuldade é a pessoa conseguir chegar ao hospital. Mesmo que ela consiga, o que vai adiantar se não tiver medicamento ou tratamento para ela?”, salienta.

Os demais participantes do encontro detalharam, cada um em seu setor, os impactos econômicos e sociais provocados pela sequência da paralisação, que nesta terça-feira (29) completou nove dias.

Comércio
Para o presidente da Aciapi, essa paralisação ocorreu justo quando o país estava começando a recuperar economicamente e, com isso, todos estão pagando as consequências, principalmente, os empresários. Já os consumidores estão ficando sem combustível para se locomover até às lojas e fazer suas compras necessárias. “Então acaba que o prejuízo chegou rápido. Tem lojistas e empresários que estão passando um dia sem vender nada, porque o foco mudou. As pessoas ficam preocupadas em ir aos supermercados ou pegar fila nos postos de combustível. As pessoas precisam apoiar o fim da paralisação, para que as coisas possam voltar à normalidade, antes que piore mais ainda”, alerta.

O presidente da CDL, José Carlos Alvarenga, informou que apoiou o movimento dos caminhoneiros no início, já que o valor do frete atual repercute para os empresários, porém, percebeu que a paralisação foi longe demais. “Isso é muito maior que o valor do combustível. Virou uma manifestação política. E percebe-se que os clientes das lojas sumiram. Então as pessoas precisam começar a entender a situação disso”, afirma José Carlos Alvarenga.

Já o presidente da Acicel, avalia o cenário atual como crítico e precisa ser revertido o quanto antes. “O movimento é legítimo, mas já passou dos limites. Temos que fazer algo, antes que o caos aumente mais ainda. Precisamos colocar o país para trabalhar”, pontua Ismá Canedo.

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