Prefeitura de Passos inaugura Memorial do Fórum

Foi entregue à sociedade passense na última quinta-feira à noite um espaço que conta a história do icônico Fórum de Justiça de Passos, que em 2008 foi transformado em um recinto de promoção cultural. A sala Memorial do Fórum é uma criação do Departamento de Cultura, da Secretaria de Educação, Cultura, Esporte e Lazer (Secel), com curadoria do arquiteto e colunista social César Tadeu Elias, que recolheu e organizou reproduções de fotos, ilustrações e textos ligados ao imóvel e de importância histórica e cultural para o município passense. A solenidade teve as presenças do prefeito Ataíde Vilela – no último evento de sua gestão –, da titular da Secel, Pilar Aparecida Lemos Faria, da diretora de Cultura, Taciana Lopes Baptista, da presidente do Conselho Municipal de Patrimônio Cultura, Adriana Beatriz Polez Rocha, e de César Tadeu, que descerraram a placa de inauguração do “Memorial”. O evento teve a parte musical pelo coral da Primeira Igreja Batista de Passos, sob a regência de Neuza Furtado. Em seu pronunciamento, o prefeito disse que o prédio do antigo fórum é “emblemático, um ícone para nossa cidade” por causa de sua história, desde sua inauguração em 1919 como sede do poder executivo (Paço Municipal), passando pela sua entrega ao Estado em contrapartida aos recursos para a obra de abastecimento de água da cidade até sua transformação em Palácio da Cultura, em 2008. “A rigor, pela justiça, esse prédio sempre foi nosso”, ressaltou, referindo-se também a doação do imóvel pelo Estado prevista para o início de 2017. A secretária de Educação, Pilar Faria, relembrou da cessão do prédio em 2008, na primeira gestão de Ataíde, para que pudesse ser preservado e utilizado pela Secel, principalmente em aspectos culturais e artísticos. Recentemente, segundo Pilar, o prédio recebeu investimentos para diversas melhorias, como a instalação de copa-cozinha e as reformas da sala para a instalação da Associação dos Escritores e do salão de exposições. Para a diretora de Cultura, a criação e inauguração do Memorial do Fórum significaram a realização de um sonho, para que a sociedade possa conhecer um pouco mais de sua história e entender melhor a importância cultural e social do recinto. “Estamos fechando uma gestão que está deixando um marco em Passos”, disse. Segundo Adriana Beatriz Polez Rocha, o Conselho de Patrimônio Cultural já aprovou um parecer pelo tombamento do prédio do Palácio da Cultura, o que deve ocorrer imediatamente após a Assembleia Legislativa de Minas Gerais aprovar o projeto de lei que autoriza do governo a doá-lo para o Município. “É uma noite recheada de notícias boas para nós”, comemorou.   Memória – O Memorial do Fórum foi instalado numa sala térrea do prédio, em frente ao Departamento de Cultura. Nas paredes, César Tadeu colocou quadros com reproduções de fotos, textos e desenhos sobre o prédio e personagens ligados ao local, como o escritor e jornalista Antônio Celestino, que escreveu (“Os contratadores da morte”) sobre os jagunços que os coronéis (grandes fazendeiros) da época contratavam para eliminar inimigos. Também constam no Memorial textos e fotos relacionados à horrenda história da “matança no fórum” que, apesar de não ter sido cometida exatamente no prédio atual – pois data de 1909, enquanto a construção se deu a partir de 1917 –, faz parte memória do município, retratando o fim de um período sombrio, o do “coronelismo”, dominado pelas tocaias e mortes sob encomenda. O então Paço Municipal – depois Fórum de Justiça e, desde 2008, Palácio da Cultura – foi construído em estilo eclético, segundo César Tadeu, por arquitetos e engenheiros italianos que vieram para Passos naquele início de século XX. Ainda conforme o curador, os autores do projeto e da obra são Marchetto Timótheo (arquiteto e construtor), Pedro Penacchio (estucador e escultor da fachada) e Maximo de Lucca, que fez a planta do prédio. No Memorial do Fórum, o visitante irá ver também algumas cenas urbanas registradas naquelas décadas iniciais do século XX, chegando aos anos 50 e 60, e observar como a cidade foi se transformando, por exemplo, com as obras de urbanização do prefeito Geraldo da Silva Maia, em 1953. A igreja de Nossa Senhora do Rosário, a antiga rodoviária num canto da praça e outros casarões – alguns ainda de pé – e outros personagens também fazem parte do acervo do Memorial. A visitação é aberta ao público, gratuitamente, das 8h às 14h.

Postado originalmente por: Virou Noticia

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