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Diagnóstico traça o perfil atual do morador de rua em Ipatinga

Por: Diário do Aço 05/10/2017 18:32
Secom/ PMI

O plenário da Câmara ficou lotado na manhã desta quinta-feira

O fórum “Cenário Urbano: uma leitura do cotidiano”, apresentou nesta quinta-feira (5), um diagnóstico sobre a atualidade da população em situação de rua em Ipatinga. Trata-se de um levantamento feito nas ruas por uma equipe da Polícia Militar, especialmente treinada para isso.

O evento, no plenário da Câmara de Ipatinga, envolveu representantes das secretarias municipais: Saúde; Serviços Urbanos e Meio Ambiente (Sesuma); Segurança e Convivência Cidadã (Sescon), e Governo. Outros organismos mobilizados foram o Ministério Público, a Defensoria Pública, o Corpo de Bombeiros Militar, conselhos comunitários de Segurança Pública (Conseps), Rede de Comércio Protegido e, ainda, representantes da comunidade.

Durante o evento foi definida a criação de um fórum permanente de discussão sobre o assunto. A próxima ação será uma Roda de Conversa a ser realizada na Praça Caratinga, no bairro Contingente, com todos os segmentos representados no encontro e também com pessoas em situação de rua, que normalmente utilizam aquele espaço público.

A equipe da 82ª Companhia da Polícia Militar entrevistou 156 pessoas em situação de rua entre os meses de junho e setembro na área de abrangência da companhia, no Centro, Parque Ipanema e bairro Jardim Panorama.

Diagnóstico

A pesquisa identificou dois grupos de pessoas em situação de rua: um que mora e dorme nas ruas, fazendo uso dos serviços oferecidos pela prefeitura, e outro pendular, que são aqueles que ora moram na rua, ora vivem com a família, revezando-se entre os ambientes.

Sessenta por cento dos entrevistados são de outras cidades ou estados; apenas 40% têm origem em Ipatinga; 72% são do sexo masculino e 28% mulheres; 65% estão em idade laboral entre 21 e 40 anos; destes, a grande maioria (44%) tem idade entre 31 e 40 anos. Entre os entrevistados, a maior parte deles (47%), não tem nem sequer o ensino fundamental completo e 67% fazem uso de substâncias químicas e álcool – destes, 62% são usuários de crack, 63% são viciados em álcool e 50% têm o chamado vício cruzado, quando usam as duas substâncias ao mesmo tempo. Além disso, 60% tem algum tipo de registro policial.

Os dados do Departamento de Proteção Social Especial (Depsoe), coletados no mês de setembro, mostram que a instituição de acolhimento Parusia (albergue) realizou atendimento para 203 pessoas. No Centro de Referência Especializado para a População em Situação de Rua (Centro Pop), foram 315 atendimentos.

Existem 150 pessoas em situação de rua atualmente registradas no Cadastro Único (CadÚnico) de Ipatinga. E, destas, 113 são beneficiárias do Programa Bolsa Família.

Quem polui mesmo, a cidade?

A Diretora do Depsoe, Cláudia Castro, considera que o Fórum de Debates foi um momento de reflexão e levantou uma discussão polêmica. “Precisamos pensar em quem sou eu e qual é o meu papel na cidade. As pessoas reclamam que o morador de rua polui o cenário urbano. Mas qual é então o meu papel quando jogo lixo em local inadequado? Será que é só o morador de rua que suja a cidade ou somos todos nós que não damos a destinação correta ao nosso lixo e entulho?”, reflete.

O adjunto da Secretaria de Serviços Urbanos de Ipatinga, Eduardo Villani, concorda. “Até o momento, já recolhemos quase 27 mil toneladas de entulho na cidade, o que seria suficiente para encher um campo de futebol numa altura de 8 metros, aproximadamente. Isso é um impacto muito grande no cenário urbano de nossa cidade. Todos temos nossa parcela de responsabilidade em manter a Ipatinga limpa e não apenas colocar a culpa na pessoa que vive em situação de rua. Ele merece nosso respeito, é um cidadão como outro qualquer”, afirma.

Complexidade

Para o comandante da 82ª Companhia de Polícia Militar, instalada no Centro, tenente PM Lindhon Jonhson, a problemática é complexa. “Vivemos aqui um momento histórico e precisamos atender este cidadão dentro das demandas dele. Com os direitos e responsabilidades que ele merece. Essa discussão integrada é um avanço neste caminho”, acredita.

Responsabilidade de todos

A representante do Ministério Público de Ipatinga, promotora Graciele de Rezende Almeida, diz que este não é um problema apenas da Secretaria de Assistência Social. “É preciso ter a consciência que a situação do morador de rua é uma problemática de todos, sociedade e poder público. A solução só virá com a união. Não existe uma solução pronta. Todos precisam fazer a sua parte e contribuir para melhorar a situação”, salienta.

Os serviços existentes no município para atender pessoas em situação de rua são: Centro Pop, localizado na rua Pouso Alegre, 34, Centro, 3829-8738; Parusia: avenida João Valentim Pascoal, 40, Centro, 3822-3731; Consultório na Rua com serviços de atenção básica na área de saúde; Clínica Psicossocial (Clips), que é o serviço especializado em reabilitação psíquica e social, e Centro de Atenção Psicossocial (CAPS).



Postado originalmente por: Diário do Aço

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