Fiscaliza JF faz três visitas a hospitais para verificar condições para enfrentamento da COVID-19

A preocupação com a situação do sistema de saúde da cidade durante a pandemia levou os servidores do Fiscaliza JF a visitar o Hospital Dr. João Penido, o Hospital Universitário (HU) e o Hospital Maternidade Therezinha de Jesus (HMTJ). De acordo com os dados apresentados à equipe do Fiscaliza JF, 100% dos leitos de UTI do HU estão ocupados. Os números não são mais animadores no Hospital João Penido, que está com 70% das vagas ocupadas. Já na Maternidade Therezinha de Jesus a taxa de ocupação é de 20%. A expectativa é de que sejam habilitados mais 20 leitos de UTI para atender pacientes com COVID-19 ainda esta semana. Os vereadores Luiz Otávio Fernandes Coelho – Pardal (PSL), Marlon Siqueira (Progressista), Ana Rossignoli (PATRIOTA),  Júlio Obama Jr. (PODE) e André Mariano (PSL); além de Zé Márcio – Garotinho (PV), que é representante da Comissão Parlamentar de Combate ao Coronavírus, acompanharam a visita.

O infectologista do HU, Rodrigo Daniel Souza, questionado sobre a taxa de ocupação do hospital já ser de 100% das UTI, afirmou que o principal problema para pacientes com COVID-19 será a necessidade de leitos de tratamento intensivo. “E o paciente que não tiver acesso a esse tipo de leito é que vai evoluir para óbito por falta de assistência. A prefeitura já solicitou várias vezes ampliação de leitos de UTI e está buscando as medidas para corrigir as falhas. Mas esbarramos em deficiência de estrutura e falta de equipamentos. Mesmo com dinheiro para comprar, não se encontra no mercado aparelhos disponíveis e, além disso, equipes disponíveis altamente qualificadas”. No HU, há cinco leitos de UTI, todos ocupados. Já na enfermaria, dos 13 disponíveis, 10 estão vagos. Segundo os dados coletados pelo Fiscaliza, dos 39 atendimentos do HU relativos à COVID-19, houve 8 confirmações do diagnóstico e há ainda seis considerados suspeitos. Além disso, há no HU três funcionários afastados com a doença.

Rodrigo analisa também que leituras equivocadas dos dados levam, erroneamente, a crer que a doença esteja controlada. De acordo com ele, a comparação de curvas precisa levar em consideração os grupos de pessoas. “ aspas aqui ne No começo da epidemia a linha era uma, mas é preciso considerar que a linha mudou quando chegou às camadas mais pobres e a pacientes do SUS porque o desenho de curva não pode ser comparado com a linha traçada no começo da pandemia, são grupos diferentes”. Ele enfatiza ainda que “comparar os gráficos do começo e de agora faz parecer que está controlada, e não está”.

Na Maternidade Therezinha de Jesus há 20 leitos de UTI geral com, atualmente, quatro pacientes, sendo dois casos suspeitos e dois confirmados de COVID-19. O hospital, que não era referência para atendimento da COVID-19, registrou, desde o dia 30, nove óbitos suspeitos. O diretor-presidente do HMTJ, Marco Antônio Almeida, ressaltou a idade avançada das vítimas e o fato de que todos tinham comorbidades. Quanto às informações sobre afastamento de profissionais de saúde, os dados do Fiscaliza contabilizaram que na Maternidade há 36 afastamentos de profissionais do hospital, sendo destes 11 casos ainda em investigação.

No Hospital Dr. João Penido há 49 leitos, sendo que, destes, 9 estão ocupados por pacientes com suspeita e confirmação da doença. Além disso, desde a declaração da pandemia, ocorreram dois óbitos por COVID-19, além de cinco altas. O diretor do Hospital João Penido, Rodrigo Daniel Souza, destacou a perspectiva de quem está dentro do hospital. “Pelos atendimentos aqui, estamos com o crescimento amenizado perto do que era esperado, mas estamos preparados para atender o aumento da demanda”.

Para o vereador e também presidente da Câmara, Luiz Otávio Coelho – Pardal, as visitas são fundamentais para saber exatamente o que se passa nos hospitais para que os vereadores também possam informar a população. “Anunciam nos meios de comunicação que 84% dos leitos estão ocupados em função da COVID-19, mas dá para desmembrar isso em outras informações mais detalhadas. Informação com  mais transparência e clareza para dar mais tranquilidade à população. E esclarecer se as ocupações são apenas de pessoas com COVID-19”.

O vereador e também representante da Comissão Parlamentar de Combate ao Coronavírus Zé Márcio – Garotinho destacou que o problema em Juiz de Fora não é de enfermaria, mas de UTI. Ele reforçou a importância da quarentena e de um planejamento e escalonamento de atividades. “O que me deixou muito preocupado é a falta de leitos de UTI que podemos ter no futuro”. Marlon Siqueira destacou a importância da verificação in loco para entender melhor a situação. “A Câmara Municipal precisa apoiar a prefeitura de Juiz de Fora para contratualização de maior número de leitos de UTI. As visitas vão continuar em outros hospitais da cidade para um diagnóstico e auxiliar a prefeitura no que ela necessita”. Marlon destacou ainda que é preciso pensar na situação da cidade como macrorregião e em barreiras para garantir o atendimento a pessoas da cidade já que o sistema, segundo ele, está quase colapsando.

A vereadora Ana Rossignoli também ressaltou a importância da verificação in loco com os administradores dos hospitais, e reforçou a necessidade de isolamento social da população para a redução do número de casos. “Só saia de casa em caso extremo e use máscaras. Ainda é o melhor remédio para se prevenir contra a COVID-19”, finalizou.

 

Fonte: Assessoria

Postado originalmente por: Diario Regional – Juiz de Fora

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