Guerra entre gangues amedronta moradores do Benfica

Moradores do bairro Benfica, zona Norte, estão preocupados com o crescimento da violência. Conforme os relatos, trocas de tiros e brigas entre gangues rivais estão se tornando frequentes na região. A população também reclama da ausência de policiais durante o final da tarde e início da noite, momentos em que os problemas acontecem com mais intensidade.

Uma residente do bairro, que trabalha com transporte escolar, mas que preferiu não se identificar, revelou que presenciou tal situação por volta das 17h15 dessa segunda-feira, 20. “Estávamos transportando crianças da escola para um condomínio quando escutamos os disparos. Era uma briga de gangues e só não teve mais tiros, pois uma das armas falhou e o pessoal se dispersou”, disse.

Segundo ela, o fato aconteceu nas proximidades do condomínio Ana Rosa, mas trocas de tiros também já foram presenciadas perto das escolas estaduais Presidente Costa e Silva (Polivalente), localizada na Rua Afonso Garcia, e Professor Lopes, na Rua Evaristo da Veiga. “A gente fica com medo, pois são adolescentes que estão com arma na mão. Precisamos de uma viatura no período, já que muitas vans escolares passam pela região”, pleiteia.

MEDIDAS ADOTADAS PELO PODER PÚBLICO NÃO SÃO EFICIENTES

De acordo com a presidente da Associação de Moradores do bairro, Aline Junqueira, reuniões com as autoridades têm sido realizadas em busca de soluções. “Temos discutido sobre o número de armas circulando na região e o aumento de menores com a posse delas. Outra coisa que nos preocupa é a briga entre as gangues, algo que sempre aconteceu, principalmente nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro. Porém o nosso alerta é sobre a necessidade de medidas emergenciais, devido ao período de festividades que faz parte desses meses”, lembra.

Ela ressalta que as medidas adotadas pelo poder público não são eficientes, uma vez que a violência da região foi mapeada, bem como foi instalada uma CPI das gangues, visando o debate com os moradores. Aline reforça que a falta de projetos sociais colabora para aumento da criminalidade. “O programa Menor Aprendiz não tem grande adesão, o investimento na assistência social diminuiu e isso tem consequências. A gente cobra mais ações para os jovens, principalmente nas áreas que são mais vulneráveis. Geralmente, os projetos sociais são para garotos de até oito anos. Aqueles que têm mais de 10 anos, que estão passando por uma fase em que, muitas das vezes, querem sair das escolas, não recebem grande incentivo”, ressalta. “O que a gente mais cobra são ações para os jovens, os que vivem em áreas de vulnerabilidade. É preciso que sejam elaboradas iniciativas para esses meninos, através do esporte, da luta, cultura, além da formação profissional”, reivindica.

PROBLEMAS SOCIAIS DIFICULTAM O COMBATE AO CRIME

Conforme dados da Polícia Militar (PM), no período de janeiro até novembro deste ano, foram registradas 376 ocorrências de crimes violentos na zona Norte, quase 16% a menos do que em 2016 (376). Com relação a homicídios consumados, o crescimento foi de mais de 18%, 16 no ano passado contra 19 em 2017.

Especificamente, no bairro Benfica, a polícia avalia as condições como favoráveis, embora enxergue que alguns pontos necessitem de mais atenção. “Por ser um centro comercial e residencial, Benfica é uma área que a PM trata com olhar diferenciado em termos de estratégias de policiamento. Comparando com as estáticas do ano passado, estamos com uma redução de mais de 10% na criminalidade violenta. Evidentemente que existem alguns fatores, como homicídios, furtos e roubos, que nos preocupam, assim como incomodam a comunidade. Entretanto, a existência dessas situações fez com que os moradores se aproximassem mais da polícia, questionando o que pode ser feito”, afirma o comandante da 173ª Companhia da PM, Capitão Ricardo França.

França reforça que a PM tem se empenhado para reduzir a criminalidade, por meio dos fatos que a comunidade apresenta. No entanto, na percepção dele, o problema de segurança pública na zona norte, assim como na maioria das cidades brasileiras, está relacionado à desestrutura social existente nas localidades. “A criminalidade não acontece por falta de policiamento ou por sua ineficiência. Ela é a consequência dos problemas sociais. A PM não atua na causa, mas no que o problema traz. Somente os órgãos do poder público têm acesso à origem dele. No caso de Benfica, existem graves problemas sociais, como, por exemplo, nas regiões de Vila Esperança, Miguel Marinho, Novo Triunfo, Ponte Preta, que são locais onde há uma degradação social forte. São vários os fatores, como a desestrutura familiar, ausência de crianças na escola e a falta de atividades para crianças e adolescentes, que traz como consequência a criminalidade”, explica.

O capitão reitera que toda sociedade precisa participar. “Durante as reuniões, temos mostrado para moradores e comerciantes que diante a esse cenário, a única forma de trazer resultados, em curto prazo, é que eles se aproximem da PM e nos tragam detalhes de situações especificas. Pode ser um movimento estranho na rua, em frente ao estabelecimento ou da residência, características dos suspeitos, dos carros. O que precisamos é de informações palpáveis para que possamos trabalhar por meio delas e garantir maior resultado”, reforça.

COMO DENUNCIAR

Para fazer denúncias, basta ligar para o disque denúncia 181, ou para o 190 da PM. O sigilo é garantido.

Postado originalmente por: Diario Regional – Juiz de Fora

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