Números de denúncias relacionadas à violência contra criança e adolescente aumentam

A Secretaria de Desenvolvimento Social (SDS) divulgou um balanço com o percentual de atendimento dos Centros de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), a crianças e adolescentes vítimas de violência. Desde o início do ano, a SDS atende uma média mensal de 112 casos de violência contra as crianças dentro do ambiente familiar, 42 ocorrências relacionadas a abuso sexual, 9 atendimentos em decorrência de exploração sexual, 554 oriundos de negligencia ou abandono e 20 registros provenientes de denúncias de trabalho infantil.

“Em relação a 2016, percebemos um aumento muito considerável, inclusive, algumas denúncias até dobraram. Estão havendo mais denúncias, no entanto, elas não estão totalmente relacionadas ao aumento da violência, pois, as agressões sempre ocorreram, só não eram notificadas. O que ocorre é que as pessoas estão criando coragem, tendo maior acesso a informação, a transparência, e estão se interessando mais pela situação do país”, explicou o secretário de Desenvolvimento Social, Abraão Gérson Ribeiro.

No comparativo com o ano anterior, o relatório aponta que de fato, o número de ocorrências aumentou. Em 2016, foram registrados mensalmente 98 casos de violência no âmbito familiar, 33 atendimentos por abuso sexual, 4 ocorrências de exploração sexual, 398 casos de negligencia ou abandono e 10 denúncias de trabalho infantil.

Ainda, conforme os dados levantados, muitas vezes, a agressão está dentro de casa, em forma de maus-tratos físicos ou, até mesmo, a negligência. “A maioria das violências são intrafamiliar. São pessoas da família denunciando suspeitos dentro do ambiente familiar. Antes, isso ficava muito por debaixo dos panos. Com os diversos canais de denúncias, as pessoas estão tomando coragem e conhecendo os seus direitos”, acrescentou o secretario da SDS.

TRABALHO PJF

A SDS realiza diversos trabalhos de prevenção e combate a agressões contra crianças e adolescentes. Segundo o secretario, são nove Centros de Referência da Assistência Social (CRAS), três CREAS e outros dois departamentos que atendem a cerca de 3600 pessoas por mês, entre idosos, crianças e adolescentes, no intuito de fortalecer os laços da família e prestar auxilio aos envolvidos. “Temos um trabalho de prevenção, através de uma atividade de convivência e fortalecimento de vinculo, onde trabalhamos para a criança não perder esse laço familiar, além de um departamento que trabalho nas situações em que os direitos foram violados”, destacou. “Nunca tratamos somente da criança. Sempre envolvemos a família”, completou.
Ribeiro orienta também, quanto às medidas a serem tomadas pelos familiares, na iminência de uma violação. “O que recomendo é que as pessoas denunciem imediatamente. Elas podem procurar o Conselho Tutelar, a Vara de Infância, o Ministério Público ou o CREAS”, lembrou.

AJUDA DO ESPECIALISTA

Traumas da violência doméstica podem fazer com que a criança promova a autoagressão por achar que é a causa destes problemas. Outro resultado é a agressão como uma forma de defesa, pois como ela não consegue se defender dos maus-tratos acaba descontando em outras pessoas. “A criança que vive esse tipo de situação, quando ela tem de reproduzir isso em seus relacionamentos, elas acabam tendo muitos problemas de convivência, começa a não tolerar as coisas e acabam se tornando agressivas. Os pais fazem parte do primeiro núcleo, é a família quem vai estruturar essa criança. Então, se em seu ambiente a criança tem estímulos, presencia palavras agressivas, brigas entre seus pais e agressões, ela armazena esses fatos em seu consciente, e acaba levando aquilo para a vida adulta”, ressaltou a Neuropsicopedagoga, Cristina Coronha.

A especialista alertou também, que por isso, zelar pelas crianças não é uma tarefa exclusiva dos pais, mas também da sociedade como um todo. “A escola tem uma responsabilidade civil sobre a criança. Se ela percebe que o seu aluno está sofrendo maus tratos, ela precisa conversar com a família e denunciar ao conselho tutelar”, afirmou Cristina.

Cristina salientou, ainda, sobre a importância da participação dos pais na vida dos filhos. “Os pais precisam entender a sua responsabilidade, eles não podem dormir nunca. Devem estar atentos a qualquer mudança no comportamento, acompanhar a vida dos filhos. E caso perceba alguma situação, que procurem o auxilio especializado”, finalizou.

Postado originalmente por: Diario Regional – Juiz de Fora

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