Somente 12,8% dos estudantes do ensino superior no Brasil são negros

Ao longo dos últimos anos, a quantidade de alunos pretos e pardos e de baixa renda nas faculdades federais brasileiras cresceu – dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o número mais que dobrou em 10 anos, saltando de 5,5% em 2005 para 12,8% em 2015, na faixa etária de 18 aos 24 anos – mas o acesso desses jovens ao ensino superior ainda está longe de ser o ideal.

Apesar dos avanços, influenciados, principalmente, pelas políticas afirmativas implementadas pelo governo federal – como as cotas sociais-, na avaliação do diretor de Ações Afirmativas da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Julvan Moreira de Oliveira, os números são preocupantes.

“Cerca de 51% da população brasileira é composta por pretos e pardos, e não estamos sendo representados nos espaços da sociedade e, especificamente, na universidade, apenas uma parcela dos estudantes são negros, o que indica que devemos caminhar muito ainda. Na minha visão, deveríamos ter, no mínimo, 50% de alunos negros para refletir a quantidade da raça no país”, afirma.

Oliveira defende que a criação das cotas foi essencial para esse desenvolvimento, entretanto, existe a necessidade de políticas que incentivem a permanencia dos estudantes nas instituições. “Antes da cota, convivíamos com cenário de quase ausência dos estudantes negros nas universidades brasileiras. Porém, é preciso intensificar políticas afirmativas para a permanência dos estudantes que entram nas faculdades. Entrar é uma coisa, o difícil é continuar. Mesmo que o curso seja gratuito, os estudantes precisam de livros, passagem, alimentação e moradia, e isso precisa ser ampliado”, disse.

Ele também argumenta que o investimento precisa ser feito na educação básica. “É primordial o início de um trabalho preparatório para os estudantes do ensino médio, para que eles possam prestam o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e outros processos seletivos que possibilitem sua entrada na universidade”, acrescenta Oliveira.

Saulo Machado, estudante negro e cotista da UFJF desde 2014, afirma que o sistema de cotas deveria ser revisto. “Não vejo muitos alunos negros na universidade. Por isso, acredito que as costas devem ser reavaliadas. Tenho amigos brancos, que possuem boa renda e entraram da mesma forma que eu. O sistema é valido, vem como reconhecimento ao esforço do povo negro no país, e evidencia que somos menos favorecidos. Porém, precisa ser reformulado para que possamos elevar o país à igualdade”, comenta.

Postado originalmente por: Diario Regional – Juiz de Fora

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