UFJF estuda implantação de cotas na pós-graduação

A Pró-reitoria de Pós-graduação e Pesquisa (Propp) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), em parceria com a Diretoria de Ações Afirmativas (Diaaf), promoveu, na manhã de hoje, 25, a conferência “Cotas na Pós-Graduação”. O evento, realizado no Anfiteatro das Pró-Reitorias, abriu o debate na instituição sobre a possibilidade de reserva de vagas para pessoas negras, indígenas, portadoras de deficiência, travestis e transexuais nos cursos de mestrado e doutorado da UFJF.

Na ocasião, também foi organizada a estrutura da comissão para tratar da temática e criar agenda de debates sobre o assunto na Universidade. O grupo será formado por um representante da Propp, um representante da Associação Nacional de Pós-graduandos (ANPG), um representante docente e um representante do Centro de Educação à Distância (Cead) da UFJF. Os membros da comissão serão nomeados por meio de portaria.

O grupo será responsável por formar uma agenda de trabalhos, que pode incluir novos seminários e conferências, a fim de desenvolver uma proposta de política de inclusão na pós-graduação da Universidade. “Formar a comissão é importante para se criar um consenso a cerca dessa questão. Há um decreto nacional e um movimento de inclusão em várias universidades. A UFJF quer se posicionar nesse debate, como espaço diversificado e de enfrentamento da questão”, explica a pró-reitora de Pós-graduação e Pesquisa, Mônica Ribeiro de Oliveira.

Para subsidiar o trabalho da comissão, a Propp vai iniciar um levantamento de dados junto aos programas de pós-graduação, a fim de traçar um perfil de raça e de cor no campo da pesquisa na UFJF.

UNIVERSIDADE TEM 0,5% DE DOCENTES NEGROS

O professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Paulo Vinícius Baptista da Silva, que participou da conferência que debateu o tema salientou que a presença de negros na pós-graduação brasileira é residual. “Temos um sistema de pós-graduação no qual a presença de negros e negras é mínima, completamente incompatível com a sociedade brasileira. Temos 50% de negros e negras na sociedade brasileira e apenas 0,5% como docentes das universidades. Dentro da pós-graduação, o percentual de professores é ainda menor. Isso não tem outro nome que não segregação racial. Então, para combater essa segregação dentro do sistema de pós-graduação não basta simplesmente aguardar que negros e negras da graduação se preparem. Precisamos de uma medida mais efetiva de curto prazo e é o sistema de cotas, para que possamos ter uma inclusão maior já num primeiro momento e algum impacto nesses índices, como já tivemos nos índices da graduação.”

O professor ressalta ainda a importância da inclusão das pessoas com deficiência na pós-graduação, uma vez que, segundo ele, há discriminação social e demanda desse grupo por melhor formação. “Tivemos apenas alguma melhora em áreas específicas. Temos políticas de inclusão no que se refere aos cegos, cadeirantes, surdos, mas uma entrada ainda pequena, principalmente nas universidades públicas. No caso das pessoas transexuais e travestis, pela violência que sofrem durante seu processo de formação, a expulsão das famílias, a violência nas escolas, a violência nas ruas e no próprio cotidiano. Essas pessoas precisam ter espaços de proteção. Dar espaço de formação para essas pessoas representa muito no plano simbólico. Essas pessoas têm o direito à formação, têm o direito a circular livremente pela sociedade, têm que ser respeitadas nos diversos espaços.”

A avaliação do professor da UFPR é compartilhada pelo diretor de Ações Afirmativas (Diaaf) da UFJF, Julvan Moreira de Oliveira. “A relevância das cotas está na inserção desses grupos historicamente excluídos. Quanto mais vamos ascendendo nos níveis de ensino, maior vai ficando a diferença entre brancos e negros. Esta inclusão é uma outra forma de produção científica”, opinou o diretor, defendendo que a questão seja discutida.

LEGISLAÇÃO DE COTAS NO BRASIL

Em maio de 2016, a Portaria nº 12 do Ministério da Educação (MEC) estabeleceu um prazo de 90 dias para as Instituições de Educação Superior apresentarem propostas de inclusão de negros (pretos e pardos), indígenas e pessoas com deficiência em seus programas de pós-graduação.

De acordo com o MEC, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) ficou responsável pela organização de uma base de dados que informe o número de negros, indígenas e pessoas com deficiência nos programas de pós-graduação com políticas de ações afirmativas das universidades, a partir da base de dados geral dos programas de pós-graduação monitorados pela Capes.

“Muitas universidades já divulgaram processos seletivos adequados à nova portaria. Embora na maioria dos casos as políticas de ação afirmativa ainda estejam limitadas a alguns dos programas de pós-graduação, principalmente na área da Educação. Na Universidade Federal da Bahia, por exemplo, as cotas já foram institucionalizadas para todos os cursos”, pondera a pró-reitora de Pós-graduação e Pesquisa da UFJF.

Fonte: Assessoria

Postado originalmente por: Diario Regional – Juiz de Fora

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