Covid-19: fatores socioeconômico e ocupacional aumentam risco de morte

Conclusão é de estudo do Ipea em parceria com a UFRJ

Com uma realidade que os coloca em situação de maior vulnerabilidade diante da covid-19, profissionais da área da saúde têm 146% de risco de morrer por causa da doença. Os dados fazem parte de um estudo feito por pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro.

De acordo com a análise, fatores socioeconômicos e ocupacionais influenciam na probabilidade de morte pelo novo coronavírus.

Uma das constatações feitas pela pesquisa é a de que os homens têm 135% mais chances de morrer pela doença do que as mulheres. No caso de indígenas, pessoas pretas e pardas apresentam risco 39% superior à parcela branca da população.

A posição que a pessoa ocupa no mercado de trabalho também pode aumentar esses riscos. A exposição dos trabalhadores do setor de Segurança a não resistir à infecção chega a ser mais de duas vezes superior ao de outros profissionais.

Da mesma forma, outras categorias que não puderam ficar em isolamento por causa da pandemia, nem exercer suas funções de forma remota, também apresentaram risco maior de morte.

De acordo com os pesquisadores, quem trabalha na região metropolitana do Rio é mais suscetível, com 141% a mais de probabilidade de óbito.

Já aquele que possui nível superior completo tem 44% a menos de chance de morrer pela doença.

Ainda de acordo com o estudo do Ipea e da UFRJ, o motivo pode estar ligado à possibilidade de adesão às medidas de isolamento social, como, por exemplo, o teletrabalho.

Os resultados mostram também que, a cada ano a mais de idade, a probabilidade de óbito por covid-19 aumenta em 18%.

A coordenadora do Centro de Pesquisa em Ciência, Tecnologia e Sociedade do Ipea e uma das autoras do estudo, Fernanda De Negri, explica que a pesquisa é importante para sinalizar a estratégia de imunização, levando em conta os grupos mais vulneráveis.

O estudo utilizou dados da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, que disponibiliza casos confirmados da doença, desde a decretação da pandemia, em março.

Para identificar características socioeconômicas, os pesquisadores associaram os registros à base de dados da Rais, a Relação Anual de Informações Sociais.

Ao todo, foram utilizados registros de mais de 145 mil casos de covid-19 e quase 13 mil mortes ocorridas até o dia 4 de julho.

*As informações são da Rádioagência Nacional.

 

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