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Campanha pede permanência de padre Airton em Tiradentes

Por: Gazeta de São João del Rei 23/09/2017 0:03

A permanência do Padre Airton Conceição de Almeida na Paróquia de Santo Antônio, em Tiradentes, é pauta de mobilização popular via abaixo-assinado itinerante e campanhas online. Há pouco mais de três anos atuando no município, o religioso pode deixar a comunidade no próximo dia 1º de novembro e retornar à sede da Congregação dos Padres Rogacionistas do Sagrado Coração, em São Paulo.

Pe. Airton está na cidade há cerca de três anos e deve retornar a SP - Foto: Arquivo Pessoal

Pe. Airton está na cidade há cerca de três anos e deve retornar a SP – Foto: Arquivo Pessoal

Fiéis tiradentinos, no entanto, têm se organizado publicamente pedindo que a Diocese de São João del-Rei mantenha Padre Airton na região. Até a quinta-feira, 21, data de fechamento desta edição, mais de 1,2 mil pessoas já haviam aderido à petição. Três dias antes, na segunda-feira, 18, uma nota atribuída ao bispo diocesano Dom Célio de Oliveira Goulart havia dado como certa a mudança de Padre Airton.

Decisão
Em conversa com a reportagem da Gazeta, o Padre Ademir Sebastião Longatti, pároco responsável pela Paróquia de Santo Antônio, falou sobre a situação. “O Padre Airton criou laços de amizade enormes em Tiradentes e isso é muito bonito. Na realidade, por também ser psicólogo, foi ouvido e alento para várias pessoas. Então realmente já esperávamos que se sensibilizassem com a despedida dele em algum momento.

Sinal de que deixou marcas importantes por onde passou”, avaliou.

E continuou: “Porém, a Igreja também envolve questões contratuais e prazos para cada atividade. O dele se encerrou neste ano após algumas renovações para que, inclusive, possa fazer a diferença junto a outras populações. Mais ainda num momento em que há, mundialmente, escassez de sacerdotes”, disse.

Teor semelhante tem nota oficial da Diocese. No texto, Dom Célio aponta que “o Revmo. Sr. Pe. Airton Conceição de Almeida, da Congregação dos Padres Rogacionistas do Sagrado Coração, com licença do seu Superior Maior, está em nossa comunidade por um período chamado no Direito Canônico de Tempo de Exclaustração. Terminado esse tempo, ele retornará à sua Congregação, cujo Superior Provincial reside em São Paulo e lhe determinará outro lugar de suas atividades pastorais”.

De acordo com o Glossário de Cultura Católica, da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, exclaustração é o “período em que o religioso vive fora da casa religiosa, segundo as normas canônicas”.

Ainda em seu pronunciamento oficial, o bispo diocesano destacou que “a Diocese está atenta às necessidades pastorais da referida paróquia e nomeará em breve um Diácono para auxiliar nos trabalhos pastorais.

Esse Diácono permanecerá na paróquia depois de sua ordenação presbiteral”.

Intervenção
Através da hashtag #somostodospadreairton, fiéis defenderam, no Facebook, que o religioso não deixe Tiradentes. Até a última quinta-feira, 21, havia cerca de 200 postagens abertas na campanha. Junto a isso, dezenas de perfis tiveram fotos trocadas por imagens do representante católico.

A mobilização, no entanto, também saiu do ambiente virtual. Além do abaixo-assinado que percorreu pontos diferentes de Tiradentes para adesões, moradores da cidade chegaram a procurar a Prefeitura local pedindo intervenção do prefeito, José Antônio do Nascimento (PSDB). Também em entrevista à Gazeta, Nascimento contou ter se reunido com Dom Célio na tarde de terça-feira, 19. “Muitas pessoas foram ao gabinete falar sobre o assunto e, diante disso, pedi esse encontro. Fui extremamente bem-recebido e tivemos uma conversa proveitosa. Agora é termos serenidade e realmente rezarmos pelo melhor. Torço para que Padre Aírton fique”, frisou.

O prefeito abordou, ainda, comentários envolvendo a saída do padre e questões políticas. “Há um tempo começaram a criticar o fato de sermos amigos. Houve quem dissesse que o trabalho do padre, próximo à população, teria sido usado para favorecer as votações em outubro do ano passado. E isso ficou ainda mais forte quando começou a atua como psicólogo na área de Assistência Social da cidade”, contou.

E completou: “Não houve qualquer tipo de influência e, hoje, ele assume um cargo de confiança, como psicólogo no CRAS. Padre Aírton chegou, inclusive, a pedir que fosse voluntário. É um homem que quer fazer o bem”.

No posicionamento público em torno do assunto, no entanto, a Diocese não mencionou qualquer polêmica nesse sentido.

População
Nas redes sociais, a maioria dos comentários gira em torno dos pedidos de permanência de Padre Airton. Dentre os depoimentos, internautas relatam melhorias emocionais em momentos difíceis após interagirem com o padre. “Ele ofereceu os melhores conselhos e isso me acalmou muito. Foi, de fato, um grande pastor para uma ovelha perdida”, comentou uma usuária da web.

Outro pontuou que “ele contribuiu muito para nossa cidade. Mas talvez precise dessa mudança e a comunidade também. Imagino o quanto está feliz com toda essa manifestação de afeto. Por outro lado, quando aceitou o sacerdócio, optou também pelo desapego e pela possível itinerância. Aceitemos as mudanças com amor e como opção de melhora”.

Em entrevista à Gazeta, Padre Aírton agradeceu pelo carinho que tem recebido e disse que gostaria de permanecer em Tiradentes. No entanto, optou por não se manifestar publicamente sobre o assunto agora. “Ainda há conversas acontecendo. Prefiro aguardar decisões concretas, com fé e tranquilidade”, disse.

Postado originalmente por: Gazeta de São João del Rei

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