Conservatório questiona SRE sobre pagamentos

O Conservatório de São João fica na Rua Padre José Maria Xavier. Foto: Arquivo Gazeta

O Conservatório de São João fica na Rua Padre José Maria Xavier. Foto: Arquivo Gazeta

Por uma falha da Superintendência Regional de Ensino (SRE), 45 educadores do Conservatório Estadual de Música Padre José Maria Xavier ficarão sem receber vencimentos na instituição do mês de março.

Com a situação, de um lado fica a SRE, representante local da Secretaria de Estado de Educação (SEE), argumentando ter enfrentado dificuldades na designação de uma inspetora responsável por quitar os holerites. De outro, os professores que reclamam de descaso.

 

Educadores
Segundo o professor de canto Adilson Santos, os problemas começaram já nos primeiros dias de março. “Nossos contracheques são disponibilizados online no início de todo mês para que possam ser conferidos. Desta vez isso não ocorreu. Os professores, então, começaram a desconfiar de que algo estava errado”, conta.

De acordo com Santos, porém, a confirmação só veio na quarta-feira, 8, durante reunião regular dos docentes. “Soubemos, então, que só receberíamos os pagamentos relativos a fevereiro em abril. Ou seja, ficaríamos 30 dias sem qualquer salário”, lembra.

Um grupo de educadores, então, teria procurado a Superintendência Regional de Ensino para questionar sobre o problema e, segundo o professor, teria sido recebido com certa hostilidade. “Faltou solidariedade das pessoas ali. As respostas iniciais foram dadas com má vontade, tom de piada às vezes. Somos profissionais que têm compromissos pessoais. Há quem cuide da família, arque com escola, farmácia. Para piorar, houve silêncio também nos contatos feitos via internet”, reclama o professor, que atua no Conservatório há mais de duas décadas.

 

Retorno
Por ser instituição estadual, o Conservatório está vinculado à Secretaria de Estado de Educação. Além disso, questões contratuais e processos de pagamentos, por exemplo, passam primeiro pela Superintendência Regional. Exatamente por isso, conta Santos, emails foram enviados para ambas as instituições. “Na quinta-feira, 9, enviei uma mensagem à SEE através do ‘Fale Conosco’, no site oficial. Lá, avisaram que ela seria encaminhada aos responsáveis pelo meu questionamento em dois dias úteis. Mas só recebi silêncio até agora (quinta-feira, 16)”, lamenta.

De fato, ao preencher um cadastro e enviar qualquer solicitação via web, uma caixa auxiliar aparece na tela avisando que o “prazo para encaminhamento ao setor responsável é de 2 dias úteis”. E embora não haja previsão de retorno da SRE em São João del-Rei, Santos também questiona o tratamento do órgão local. “Dizem que houve problemas no envio de documentos sobre designações. Então me pergunto se isso não poderia ter sido evitado e previsto, criando um esquema que não nos prejudicasse. Será, ainda, que não poderíamos ser avisados com antecedência, para que pensássemos em soluções? Comunicação, aliás, continua não acontecendo. E temos medo de que isso volte a acontecer a qualquer momento”, protesta o professor de canto.

Outro docente, João Carlos de Oliveira, diz o mesmo. “Trabalho ali há 31 anos e só por muita paixão ao que faço é que continuo atuando todos esses dias de forma dedicada. Porque não quero penalizar meus alunos como fomos penalizados. Se houve um erro administrativo, que houvesse uma forma de corrigi-lo sem que passássemos pela situação atual. Vou ser honesto: estou honrando compromissos financeiros com cheque especial. No mês que vem, juros vão levar parte dos meus rendimentos”.
O diretor do Conservatório, Anthony Claret Moura Nery, preferiu não se manifestar sobre o assunto.

 

Superintendência
Em entrevista à Gazeta, a superintendente regional de Ensino, Adriana Leitão, explicou o caso em nome da SRE. Segundo ela, houve mudanças na inspetoria responsável pelo Conservatório e, para piorar, houve impasses na plataforma de seleção junto à Secretaria de Estado de Educação.

Ao fim de tudo isso, de acordo com Adriana, a profissional contratada não teve tempo hábil para checar, organizar e enviar os documentos que garantiriam o pagamento de docentes designados. “No caso dos efetivos, os vencimentos são automáticos.

Para designações, o processo é diferente e conta com prazos-limite no envio de documentos. Em geral, essa data é estipulada até o dia 14 de cada mês. Infelizmente, a inspetora começou a atuar depois disso e acabou prejudicada, já que também receberá com os professores”, diz.

A superintendente também falou sobre as reclamações de descaso. “Na realidade, esta é uma história que nos entristece muito. Não gostaríamos, jamais, de ver qualquer profissional nessa situação. Então consideramos mais do que justa a vinda de educadores até aqui para conversar, bem como os emails que recebemos. Infelizmente, porém, não temos respostas imediatas. E preferimos ter posicionamentos concretos da SEE para repassar”, argumenta.

Ainda segundo Adriana, a Superintendência tentou ampliação de prazo para envio de documentos e posterior pagamento junto à Secretaria de Estado de Educação, mas não conseguiu que isso ocorresse. A solicitação, agora, é a emissão de cheques extras, ou seja, fora da data habitual de vencimentos, para os professores. “Não estamos inertes. Estamos intermediando, enviando pedidos. Para o último, que sugere os cheques extras, não houve negativa até agora. Então resta aguardar. Faremos o melhor possível”, encerra.

Postado originalmente por: Gazeta de São João del Rei

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