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São João del Rei e Região

Polícia Civil investiga república são-joanense

Por: Gazeta de São João del Rei 02/09/2017 0:03

A Delegacia da Mulher é a nova responsável pelas investigações envolvendo uma república de São João del-Rei e um cartaz apontado em redes sociais como incitando à violência e ao estupro.
Na semana passada, a foto de um impresso pregado no imóvel onde funciona a DaNação viralizou na internet e ganhou repercussão nacional com dizeres como “nunca se deve bater em uma mulher. Ela pode gostar” e “é vedada toda e qualquer recriminação ao morador que embebedar uma mulher para pegá-la”.

Polícia Civil esteve em república são-joanense na semana passada - Foto: Divulgação

Polícia Civil esteve em república são-joanense na semana passada – Foto: Divulgação

No topo do material, identificado como uma “lei” que “atesta os direitos e deveres” dos residentes, havia a frase “aqui tudo termina bem”. Ao todo, a publicação contava com 28 artigos e estaria na casa desde 2004.

Foi retirada na sexta-feira, 25, durante visita da Polícia Civil, que abriu inquérito para investigar o assunto.

Redes Sociais
A polêmica teve início na terça-feira, 22, quando a página Spotted Feminista UFSJ publicou uma foto do cartaz pertencente à DaNação. Não demorou para a postagem ser compartilhada internet afora, ganhar matérias em veículos nacionais e levantar debates sobre machismo e abuso, chegando a ser alvo de uma nota de repúdio do Diretório Central dos Estudantes (DCE), da UFSJ. “Cartazes como esses legitimam e perpetuam a violência de gênero, que mata mulheres todos os dias no Brasil e no mundo. Isso não é uma brincadeira, isso não é engraçado, isso é crime”, pontuou o grupo.

No dia seguinte, o Spotted Feminista excluiu a publicação, alegando que os moradores da DaNação haviam recebido ameaças e, além disso, emitido um pedido público de desculpas, prometendo eliminar o cartaz.

Nada disso impediu a circulação da foto, que foi postada em outros locais e ganhou manchetes. No Google, pesquisas com os temos “cartaz de república da UFSJ” ou “cartaz de república em São João del-Rei” retornam até 281 mil resultados em menos de um segundo. Na primeira página, matérias em jornais de Minas, São Paulo, Rio de Janeiro e até do Mato Grosso.

Polícia
A repercussão levou o caso para a polícia. Na sexta-feira, 25, agentes civis visitaram a República DaNação e apreenderam o cartaz, que estava sendo queimado – conforme promessa dos moradores em posicionamento no Facebook. “Estamos em fase de investigação, apurando todos os fatos. O ideal é que não entremos em muitos detalhes agora, mas frisemos que providências estão sendo tomadas”, explicou a delegada responsável pelo caso, Alessandra Azalim.

E completou: “A Delegacia de Polícia Civil, representada pela Delegacia de Mulheres, repudia aquele discurso. A situação é de real mau gosto e é extremamente preocupante perceber que, no século XXI, mulheres ainda são tratadas com desprezo e preconceito, sendo colocadas em situação de vulnerabilidade. E pensar que, no Brasil, existe a Lei Maria da Penha, a terceira melhor do mundo no combate à Violência Doméstica”.

A delegada acrescentou, ainda, que “aquele conteúdo fere o princípio basilar da nossa Constituição Federal, que é a Dignidade Humana. Além disso, atinge a questão da Dignidade Sexual, prevista no Código Penal Brasileiro”.

O alerta veio em referência ao Título VI, “Dos Crimes Contra a Dignidade Sexual”, também mencionado pelo DCE em sua nota de repúdio e em réplica do Spotted Feminista UFSJ na quarta-feira, 23. O trecho em questão traz no artigo 215 a definição de “violação sexual mediante fraude”: “Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com alguém, mediante fraude ou outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima”.

República
A Gazeta entrou em contato com a República DaNação por telefone e através da caixa de mensagens disponibilizada pelos moradores no Facebook. No entanto, até o fechamento da edição na quinta-feira, 31, não obteve retorno.

No dia 23, estudantes usaram página da rede social para se pronunciar: “Às vezes nunca (sic) paramos para ler aquilo que escrevemos ou algo que está ali na nossa frente há tanto tempo.

Agradecemos à pessoa que fotografou e à página que divulgou o cartaz por nos fazer refletir e por nos fazer reler com cuidado aquele desagradável conteúdo. Erramos por tê-lo colado numa parede dentro da nossa casa. Erramos por ter convivido tanto tempo sem nos incomodar com esse conteúdo machista”.

Em outro trecho, destacaram que queimariam o cartaz. Até a última quinta-feira a postagem tinha 120 reações, um compartilhamento e mais de 20 comentários. Dentre eles, alegações de que os “mandamentos” polêmicos não deveriam ser levados a sério.

O delegado regional de Polícia Civil, Marcos Atalla, discordou em conversa com a nossa redação. “Todo o texto evidencia comportamentos machistas, preconceituosos, ofensivos e de objetificação da mulher. Não é possível conceber o que está escrito ali como piada ou brincadeira. Toda manifestação de pensamento tem limite e há leis para atestar isso”.

Postado originalmente por: Gazeta de São João del Rei

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