Produtores anunciam que pode faltar leite

O consumo caiu, a importação subiu e os estoques de leite ficaram maiores nas prateleiras dos supermercados. Para o consumidor a notícia é boa, pois quanto maior é a oferta, mais barato ele pagará. Já para o produtor, que está vendendo o litro a R$ 1,10, em média, mas está gastando R$ 1,20 para produzir, o momento é tão delicado que nessa quinta-feira (14) o setor organizou uma reunião emergencial na sede da Federação da Agricultura e Pecuária (Faemg).

“Entre as medidas, decidimos conscientizar o produtor a reduzir o volume de produção. Caso contrário, o preço continuará em queda, não haverá como investir. Se isso acontecer, no ano que vem o risco é de faltar leite”, afirma o presidente da Comissão Técnica de Pecuária de Leite da Faemg, Eduardo de Carvalho Pena.

Segundo ele, a medida é importante, mas não pode ser tomada isoladamente. É preciso uma intervenção do governo federal. “Não basta diminuir a produção. O ideal é limitar, por meio de cotas, a quantidade de leite que pode entrar no Brasil”, destaca.

A Faemg já está em contato com os ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior para solicitar proteção para o mercado. “O Uruguai está exportando muito leite para o Brasil. Só em agosto, junto com a Argentina, foram cerca de 7 milhões de litros. Não queremos que a importação seja proibida, mas o governo precisa limitar em no máximo 4 milhões de litros por mês”, destaca.

De acordo com Pena, além dos impactos na renda do produtor, há sério risco de demissões. “O produtor está tendo, em média, um prejuízo de R$ 0,10 por litro. Se o governo não fizer nada, vai ficar difícil manter empregos”, avalia. De acordo com a Faemg, só em Minas Gerais a pecuária gera 1 milhão de empregos diretos.

Considerando que o Estado produz cerca de 9 bilhões de litros de leite por ano, o prejuízo será de, no mínimo, R$ 90 milhões. “Isso se a gente considerar a perda de R$ 0,10. Mas, em alguns casos, há produtor tendo prejuízo de R$ 0,20 por litro”, calcula Pena.

Outra possibilidade seria o governo comprar leite em pó para estocar. A medida reduziria estoques e regularia preços. “O sindicato de produtores do Rio Grande do Sul chegou a apresentar essa proposta, mas o governo recusou, pois não tem dinheiro”, destaca.

No varejo. Enquanto isso, nas prateleiras dos supermercados de Belo Horizonte, os preços estão caindo. De acordo com a coordenadora de pesquisas do Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis (Ipead/UFMG), Thaise Martins, na média mensal encerrada na primeira semana de agosto o preço médio era de R$ 3,17. Na média mensal da primeira semana de setembro, já tinha caído para R$ 3,04. “Caiu 4%. Essa redução certamente vai ajudar a conter a inflação, que tem subido principalmente por conta da gasolina. Vai atenuar, mas não vai impedir a alta de custos”, avalia Thaise.

Estrutura. Para o presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da CNA, Rodrigo Alvim, é preciso mudanças na logística, no melhoramento genético do rebanho e na adequação da oferta.

CADEIA DO LEITE

Produção em Minas
9 bilhões de litros ao ano

Empregos diretos
1 milhão 

Importação
Só em agosto, entraram cerca de 7 milhões de litros de leite no Brasil

Preço para o produtor
Desde janeiro, caiu de R$ 1,40 para R$ 1,10

Preço para o consumidor
Em relação a agosto, caiu de R$ 3,17 para R$ 3,04

 

Reportagem de Queila Ariadne para o Jornal “O tempo”

Postado originalmente por: Nova FM

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