Mateus Simões descarta “lockdown”, mas afirma que Minas vai viver a pior fase no combate ao coronavírus

Com o pico, haverá aumento na ocupação de leitos de UTI e população deverá se atentar às medidas de prevenção

Conforme prognóstico do Governo de Minas, o pico do novo coronavírus no Estado deve ocorrer na próxima quarta-feira (15). Em entrevista exclusiva ao Amirt Live, programa da Associação Mineira de Rádio e Televisão (Amirt), o secretário-geral Mateus Simões disse que lamenta o número de mortes, mas que estava dentro do previsto pelo Executivo.

“Os dados são sempre tristes especialmente quando a gente fala dos óbitos, mas eu gosto sempre de lembrar que apesar de termos passado de mil óbitos no início dessa semana, nós ainda temos quase 10 vezes menos óbitos que o estado do Rio de Janeiro, que é um estado menor em termos de população do que Minas Gerais”, disse o secretário.

Segundo Simões, o governo se programou para vivenciar esse momento com um pouco mais de tranquilidade, visto que cada uma das 14 regionais do Estado possui condição de atendimento ao longo das próximas semanas, que ele definiu como “desafiadoras”.

“O pico ocorre quando a gente atinge o ponto máximo de contágio, o que significa que a demanda dos leitos hospitalares está no seu ponto máximo”, explicou Simões, que ainda esclareceu que a queda será gradual. Para ele, a última quinzena do mês de julho será a mais difícil desde o início da pandemia.

Durante a transmissão, Simões ainda contou que as regiões Centro-Sul e Noroeste têm demonstrado bons desempenhos em relação ao controle da doença. Diferente da região Central e do Triângulo Mineiro, que apresentaram crescimento na velocidade de contágio.

Para enfrentar o período, o Estado conseguiu aumentar em mais de 70% o número de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). De acordo com o secretário, o objetivo é chegar a quase 100%.

“Isso significa que nós teremos condição de dar atendimento a esses pacientes. Nós não vamos conseguir evitar que a doença circule, mas a gente conseguiu diminuir a velocidade da circulação para que os leitos tivessem disponíveis para as pessoas que precisassem deles,” destacou.

O secretário-geral do governo de Minas, Mateus Simões, participou do Amirt Live desta quarta-feira (8). Foto: Reprodução/Youtube

Lockdown

No decorrer da entrevista, Simões ressaltou que não existe neste momento nenhuma possibilidade de lockdown no Estado ao longo das próximas semanas. Ele explica que o fechamento completo de todos os serviços, incluindo os considerados essenciais como supermercados e farmácias, não faz parte da política para o Estado atualmente.

Nós não vimos aqui em Minas Gerais o risco de isso acontecer, nem como política do Estado, nem em nenhuma das nossas regionais. Pode ser que alguma cidade sofra um surto muito localizado e que precise tomar alguma atitude mais rígida, mas isso não faz parte do nosso cenário de planejamento”.

Região Centro-Sul e Norte

Na tarde desta quarta-feira (8), Simões participou de uma reunião do Minas Consciente, que liberou a abertura comercial em cidades da região Centro-Sul devido aos resultados positivos apresentados.

Segundo ele, não houve aumento na velocidade de contágio e nem na ocupação de leitos. A região Norte também apresentou condição mais favorável, mas por causa da falta de medicamentos eles optaram por não avançar a localidade no programa.  “Se a medicação chegar ao longo dessa semana, a região de Montes Claros também vai ser liberada para avançar nas ondas do Minas Consciente. Isso é um sinal muito positivo para o interior, especialmente para as pessoas perceberam que nós não estamos dando um tratamento uniforme, independente de onde você esteja.  Até porque o estado é muito grande, as regiões são muito diferentes, achar que uma vacina só vai resolver o problema de todo mundo é um erro”.

Para o secretário, parte do êxito foi o fato de o Estado agir com antecedência. “Minas Gerais já tinha um comitê de emergência em saúde em janeiro quando a doença ainda estava na Ásia. Nós somos o primeiro estado a interromper as aulas, nós somos o primeiro estado a determinar junto com o Rio de Janeiro a suspensão parcial do comércio, fomos o primeiro estado a criar um programa de retomada da economia, que com muito sucesso está sendo copiado por outros estados”.

TV e Rádio

Durante a pandemia, profissionais da área da comunicação também estiveram na linha de frente para informar a população medidas de prevenção e demais cuidados referentes à doença.

“Quem levou para dentro da casa das pessoas essa informação, esse alerta, esse pedido foram exatamente às rádios e as TVs. Acho que elas já desempenharam um papel muito importante por aqui e tem um papel muito importante para os próximos dias”, ressaltou Simões, se referindo ao pico da doença previsto para a próxima semana.

Testagem

Questionado sobre o motivo de Minas testar menos pessoas que outros Estados, o secretário afirmou que a distribuição foi feita pela União, que priorizou os locais onde estavam morrendo mais pessoas.  “Eventualmente se eu tivesse no lugar do ministro da Saúde tomaria a mesma decisão”, declarou.

Simões disse também que os testes começaram a chegar ao Estado com um volume e velocidade muito menor que em outras regiões. Ele ainda destaca que as regiões que mais testaram em Minas são as que mais possuem casos da doença, como a Central, por exemplo.

Para ele, se houver possibilidade, a testagem em massa será importante para a retomada das atividades, o que não é o momento. “Um teste rápido custa aproximadamente R$ 100 para o Estado. Se nós testarmos toda a população de Minas, nós vamos gastar R$ 2,3 bilhões. Além disso, não adiante testar uma vez só. Se eu te testei e deu negativo, daqui 15 dias, eu tenho que te testar de novo”, contou.

Conforme relatou Simões, Minas Gerais já aplicou pelo menos 1 milhão de testes, mas que a prioridade é garantir respiradores, médicos, hospitais, para que não falte atendimento. O secretário ainda esclareceu que todas as mortes suspeitas da doença no Estado são testadas.

Governo Federal

O secretário acredita que o Governo Federal, Estados e outros municípios deixaram a desejar em alguns aspectos durante a pandemia no Brasil. “Os nossos políticos devem falar menos para a câmera e se preocupar um pouco mais com entrega pública efetiva. Falta no Brasil, muito claramente, uma coordenação nacional de combate à pandemia. Em parte, por culpa do presidente que resolveu não ocupar essa posição, mas em grande parte por culpa dos governadores que ao invés de colaborarem com o governo federal resolveram criar um ambiente de confronto. Por outro lado, em vários estados a gente assiste diariamente os governadores brigando com os prefeitos para ver quem é que manda mais.”

Segundo ele, “o espaço público está muito agressivo no Brasil” e a chave para que haja fluidez nas negociações é o diálogo. “Eu acho que Minas demonstrou que essa posição de colaboração, em que o governador resolve não disputar espaço com o presidente, mas tenta pedir ajuda e consegue”.

Referente à falta de um ministro da Saúde, Simões explica que a pasta nunca auxiliou diretamente no combate à doença. “Seria ótimo se desde o começo a gente tivesse um ministro que tivesse disposição e apoio dos governadores e do presidente para conduzir o país, como a gente viu acontecendo em outros lugares. Infelizmente não foi à situação do Brasil, cada estado acabou lidando da melhor forma que pôde, alguns infelizmente com um insucesso absurdo e um número de mortes muito grave. Em Minas, nós tivemos tranquilidade porque um governador e um secretário deram conta de manter a situação em ordem”.

Simões avalia que cada Estado agiu por conta própria e obteve respostas diferentes, que vieram de acordo com as ações realizadas no decorrer da pandemia.

“Eu acho que cada estado acabou se saindo bem muito mais pelo que fez em articulação com o governo federal do que propriamente pelo que o governo federal fez isoladamente. Mas eu volto a dizer que não debito isso integralmente ao governo federal, acho que faltou claramente uma condição de liderar, mas ele sofreu uma oposição destrutiva a essa liderança. Também não estou dizendo aqui que ninguém deveria concordar com as orientações dos ministros que passaram lá, mas em um momento que a gente desiste de dialogar e resolve brigar publicamente como se isso fosse à forma de resolver o problema, a gente abre mão de soluções como a gente teve em Minas e que tudo que a gente pediu foi conseguido na base da negociação como tudo que os municípios nos pediram foi fornecido também na base da negociação.”

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