Risco de nova greve: paralisação dos petroleiros pode agravar crise de abastecimento em Minas

Apesar de ter “pingado” gasolina nos últimos dois dias em cerca de 60 postos de Belo Horizonte e do esforço para melhorar o abastecimento, a paralisação dos petroleiros – prometida para começar esta madrugada e declarada ilegal pelo Tribunal Superior do Trabalho – pode colocar mais combustível na greve dos caminhoneiros e levar à total escassez dos derivados de petróleo nas revendas.

Cerca de 500 funcionários da Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim, e da Usina Termelétrica Aureliano Chaves, em Ibirité, anunciaram que cruzariam os braços por 72 horas por mudanças na atual política de preços da Petrobras. Diante da decisão do TST de proibir o movimento e multar os grevistas, o Sindicato dos Petroleiros de Minas Gerais (Sindipetro MG) avaliava, até o fechamento desta edição, se manteria ou não a paralisação.

Se as reivindicações da categoria não forem atendidas nesse período, 14 sindicatos ligados à Federação Única de Petroleiros (FUP) prometem greve por tempo indeterminado, o que seria decidido no dia 12 do próximo mês.

Segundo o Sindipetro MG, embora as refinarias estejam com os estoques altos devido às dificuldades de escoamento do combustível na última semana, os derivados do petróleo podem não ser suficientes para abastecer as cidades mineiras caso a greve dos petroleiros se estenda.

A categoria reivindica também o fim do processo de privatização, que começou em 2016, o término das importações de combustíveis e a demissão de Pedro Parente, atual presidente da estatal.

Além disso, os petroleiros exigem que as refinarias voltem a produzir em capacidade máxima para abastecer o mercado interno. “Estamos trabalhando com apenas 70% da nossa capacidade e, em algumas unidades, chega a 50%. Não é um problema de equipamentos ou falta de contingente, é uma decisão da presidência para atrair o mercado estrangeiro. Temos tecnologia, temos mercado e podemos fazer por um preço menor. Então, por que abrir para estrangeiros venderem mais caro?”, questiona Alexandre Finamori, diretor do Sindipetro em Minas e da FUP.

Segundo ele, é importante que a empresa busque lucros e mantenha um compromisso com os seus acionistas, mas é inadmissível que ela se esqueça de sua função social. “A nossa produção influencia toda a cadeia do país, não podemos adotar uma lógica estritamente privada”, defende.
Em nota, a Petrobras afirmou que foi notificada pelas entidades sindicais sobre a paralisação e que tomará as medidas necessárias para garantir a continuidade das operações.

Na tarde de ontem, a Advocacia Geral da União (AGU) e a Petrobras ingressaram com uma ação na Justiça para tentar barrar a paralisação dos petroleiros. A estatal solicitou também a aplicação de multa de R$ 10 milhões por dia aos sindicatos responsáveis, caso a greve se consolide.

“Não podemos permitir que a sociedade brasileira seja ainda mais penalizada e sofra com a ausência de serviços essenciais por causa de uma greve que não respeita as exigências legais”, declarou a advogada-geral da União, ministra Grace Mendonça, logo após o ajuizamento da ação.

No fim da noite de ontem, o TST declarou ilegal a paralisação de 72 horas dos petroleiros e estipulou multa de R$ 500 mil para a entidade que descumprir a decisão.

Da Redação, com hojeemdia.com

Postado originalmente por: Portal Sete

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