Jornalista e sindicato denunciam represálias sofridas por causa de página do Instagram de exposed

Na última semana, a jornalista e professora Cíntia Cerqueira Cunha Pimenta foi associada a uma página do Instagram, que tem como intuito expor pessoas que estão supostamente quebrando as normas de biossegurança da pandemia. Cíntia foi apontada como a dona da página e logo em seguida começou a receber xingamentos e intimidações. Membros do Sindicato dos Proprietários de Hotéis, Bares, Restaurantes e Similares de Uberaba (Sinhores) também foram citados pela página. Tanto a jornalista quanto o sindicato pretendem entrar com medidas judiciais.

A reportagem entrou em contato com a jornalista, que explicou a situação e afirmou que está sendo perseguida nas redes sociais. "Dia 16 de fevereiro eu fui contatada pelo inbox do Instagram por um amigo que é dono de bar, me perguntando se eu era dona da página. Até então eu não sabia nem da existência da página, mas passei a seguir. Quando foi domingo passado o povo já estava me xingando em grupos do Whatsapp”, afirmou. 

"O próprio Fred do Sinhores me defendeu. Tentei falar com a dona da página, que depois me respondeu falando que nunca tinha citado meu nome e me perguntando onde foi que ela tinha falado”. Ainda conforme Cíntia, após a conversa, a situação ainda ficou pior, pois a suposta dona ou dono da página, fez um post envolvendo o sindicato e afirmando que a jornalista está sendo ameaçada pelos donos de bares.

O número de contato da profissional também chegou a circular, pois ela recebeu uma ligação de um senhor, acusando-a de ter exposto a esposa dele com uma foto que não era atual. Cíntia procurou uma delegacia para prestar queixa e deixar claro que não é a dona da página, pois devido à proporção que as postagens alcançaram ela teme pela sua segurança e dos familiares. 

O Registro de Eventos e Defesa Social (Reds) foi feito na manhã desta segunda-feira (01) em uma delegacia. “A solicitante alega que não tem qualquer vínculo com a referida página e que estas publicações estão sendo feitas de forma em que o autor não se identifica. Relata que o conteúdo expõe a imagem de pessoas que estariam contrariando normas relativas ao Covid-19, como por exemplo: festas particulares, bares com aglomerações e pessoas sem máscaras. Em razão do teor das publicações a solicitante teme por represálias”. Ainda conforme o boletim, o registro foi feito para demais providências.

Nesta quarta-feira (03), a página fez uma publicação afirmando que não tem nenhum vínculo com a jornalista e que estuda maneiras para apresentar os integrantes ao público.  

Sindicato pretende processar e acionar o Ministério Público

A reportagem também acionou o presidente do sindicato, Fred Masson, que afirmou que está a par da situação e que irá tomar providências cabíveis. “Discordamos totalmente com a forma de atuação, não mostra o rosto e não mostra a identidade”, afirmou Fred, que ainda cobra responsabilidade das postagens.  

“A partir do momento que se esconde atrás de um perfil de Instagram ou de Facebook, se pressupõe que alguma coisa ali não está certa, não tem credibilidade”, completou. “Temos visto que ela tem, sob a justificativa de quem está descumprindo o decreto municipal, cometido uma série de ilegalidades e não acreditamos que os fins justificam os meios, existem uma série de ilegalidades, não tem como confirmar se procede.”

Fred Masson ainda pontuou que o sindicato está estudando as medidas judiciais que serão tomadas, inclusive acionando o Ministério Público, tendo em vista que a imagem de muitas pessoas e estabelecimentos foram expostas. 

 

Postado originalmente por: JM Online – Uberaba

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