Adélia Prado e homenageada em Belo Horizonte

Emocionada, Adélia Prado subiu ao palco do auditório da Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais, na noite desta quarta-feira, para receber o Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura 2016, na categoria conjunto da obra, quase sem voz. O motivo, além desta grande homenagem, foi a apresentação do grupo Palavra Viva, que declamou alguns dos poemas da escritora mineira durante três diferentes momentos.

Ao pegar o microfone, após sentar-se ao lado de Angelo Oswaldo, secretário de Cultura do Estado de Minas Gerais, ela disse ter ficado muito impactada com a performance dos jovens e adolescentes que entoaram seus versos. “Eu achei que a cerimônia seria uma coisa burocrática”, disse Adélia. “E fiquei muito perturbada com essa apresentação porque ela mostra que o poema não é mais da gente. Outra pessoa pode pegar, fazer uma música, cantar, criar uma coreografia a partir daquele texto”, completou ela que em sua fala ressaltou a importância da arte e da poesia.

“Quando vejo qualquer um desses meninos que parecem filhos, sobrinhos da gente, sob uma luz e com uma palavra poética, eles ficam transfigurados. O que eu vejo neles é a minha humanidade. Eles estão revelando para mim que eu sou muito mais que isso que aparece, sou uma pessoa que tem transcendência, uma fome de beleza e de espiritualidade, e a arte é um pão espiritual. Nós precisamos disso e quem puder faça recitais, músicas, cantem, qualquer coisa que nos tire da simples concepção de pessoa que trabalha para viver e comer. Nós somos humanos e aquilo que nos diferencia do que não é humano é a capacidade de simbolizar”, disse a poeta.

Adélia agradeceu ao recebimento do prêmio que para ela representa o reconhecimento de sua história e da forte relação dos seus escritos com Minas Gerais. “Tudo que escrevo e sinto, desde minha primeira visão da vida, quando mamei do leite da minha mãe, é permeado pela mineiridade”, frisou ela. “Eu devo a Minas Gerais toda uma pletora de experiências que está no sangue, está na procissão, na falta de jeito do Carnaval. Eles falam que o Carnaval menos Carnaval é o mineiro. A gente até se esforça mas nós somos quaresmais. Parece que é mais bonito o Cristo na cruz do que ressuscitando. Há um viés melancólico em Minas Gerias, esse é uma traço da nossa mineiridade”, acrescentou a autora que nasceu em Divinópolis e estreou em 1976 com o livro de poesia “Bagagem”.

Além de Adélia, o certame contemplou o paulista Silvio Rogério Silva, na categoria ficção com o romance “Floresta no Fim da Rua”, o pernambucano Tadeu de Melo Sarmento, na categoria poesia com o título “Um Carro Capota na Lua”, e o belo-horizontino Jonathan Tavares Diniz que venceu na categoria jovem escritor com o projeto de realização do livro “Cólera”.  O Prêmio do Governo de Minas Gerais de Literatura distribui a quantia de R$ 258 mil, sendo R$ 30 mil para o vencedor na vertente Ficção, R$ 30 mil para poesia, R$ 48 mil na categoria jovem escritor e R$ 150 mil para o homenageado pelo conjunto da obra.

Bibliotecas. O evento também foi marcado pelo anúncio da criação de cinco novas bibliotecas nos municípios Córrego Danta, Formiga, Jaboticatubas, Belo Vale e Congonhas por meio da segunda edição do edital de criação de biblioteca públicas municipais que investiu R$ 250 mil nestes novos equipamentos. Cada um dos espaços vai receber um acervo com 1.090 itens, que incluem livros em impressão comum e braille, periódicos, CDs, DVDs e audiolivros, além de estantes e carrinhos de transporte.

Angelo Oswaldo destacou que atualmente são 815 o número de municípios mineiros com bibliotecas e afirmou que a meta é equipar todas as cidades do Estado que no total são 853. Ele também sublinhou que a biblioteca de Congonhas será instalada no distrito de Lobo Leite, onde viveu o cônego Luís Vieira da Silva. “Ele foi um inconfidente e tinha a mais importante biblioteca de Minas Gerais durante o século XVIII. Eduardo Frieiro, que foi o primeiro diretor da Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais, escreveu um livro chamado ‘O Diabo na Livraria do Cônego’ que trata justamente disso porque na biblioteca de Luís Vieira da Silva estavam os títulos considerados subversivos na época em que ele viveu e eram aqueles escritos por Rousseau, Diderot, que traziam as ideias do iluminismo e da revolução francesa”, recorda Oswaldo. 

Postado originalmente por: Minas AM/FM

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