Esporte melhora relação entre pais e filhos atletas do Estrela do Oeste

 
Dizem que filho de peixe, peixinho é. O ditado popular está na cabeça de todo mundo e, de tanto ser repetido, faz todo o sentido. Pai é fonte de inspiração para os filhos e dentro do esporte, não é diferente. Atletas muitas vezes seguiram os passos do pai, seja na quadra, tatame, campo ou piscina. O importante é praticar esporte. Por um lado, as crianças sonham em seguir os passos dos pais, se tornando grandes atletas e uma nova fonte de inspiração para os futuros filhos. Do outro, os pais sentem orgulho de ver os herdeiros seguindo carreira no mesmo esporte praticado por anos.
 
Quem sabe disso muito bem é o treinador de basquete do Estrela do Oeste Clube (EOC), Wilson Ferreira da Silva Júnior, de 40 anos. O ex-atleta iniciou a trajetória no basquete aos 7 anos de idade, após convite de um ex-técnico do Estrela do Oeste. O sonho era seguir carreira no futebol, igual ao pai que jogava futsal, mas o encanto foi com o basquete. Logo aos 12 anos de idade, Wilson começou a disputar competições pelo EOC. Nesse período foram seis títulos mineiros e um vice-campeonato brasileiro pela Seleção Mineira de Basquete. Aos 16 anos surgiu a grande oportunidade da carreira no Ginástico Clube. A experiência, porém, não foi das melhores. “Chegando lá, tive um técnico norte-americano que era muito frio, que não gostava da amizade entre atleta e treinador. Ele me disse que eu poderia ser um grande jogador, porém vi que não era o que queria. Foi o momento onde defini que não iria jogar profissionalmente”, explica. Porém, Júnior nunca deixou de jogar basquete. Em 1998, Wilson foi convidado a iniciar os trabalhos na base do EOC, onde continua até hoje. “Posso nunca ter jogado basquete profissionalmente, mas também nunca deixei de praticar. Sempre busquei estimular o surgimento de novos atletas”, afirma.
 
Dentre esses novos atletas, surgiram dois que chamaram a atenção de Wilson. Os filhos Gabriel, de 13 anos, e Rafael, de 11 anos. A experiência de poder ter os filhos como alunos ajudou a aproximá-los. O esporte ainda aumenta a expectativa com Miguel, de apenas 18 meses. “É uma experiência única. O esporte é uma linguagem universal. Isso tudo que fiz com eles tem um significado maior. A vantagem é observar na prática o desenvolvimento dos filhos e perceber os desafios da cada idade. Você percebe a puberdade, os desafios de errar, as lições de aprender a perder e lidar com as questões da vida. Dividir as tristezas, as alegrias e qualquer coisa ali para mim é um troféu”, afirma.
 
Para o filho mais velho, Gabriel, o que chamou a atenção foi ver o pai disputando campeonatos. As viagens, os pontos marcados, e a adrenalina o impulsionaram a praticar o esporte com o pai. “Quis experimentar isso. Quando falei que queria jogar, ele ficou feliz e disse que também queria ver isso. Meu pai é muito bom. Queria ser igual ele”, disse. Rafael conta que o esporte saiu das quadras e acompanha a vida de toda a família, onde quer que estejam. “Ele sempre nos observa, pontua e aconselha. Hoje posso dizer que prefiro o basquete. Ter meu pai por perto, facilita o esporte”, afirma.
 
Quem também seguiu os passos do pai no esporte foi Artur Gomes, de 12 anos. O pai, Fábio Rogério Gomes, de 40 anos, conta que pratica o judô desde 1984. A permanência no esporte durou até o ano de 1998, quando o dojô onde os treinamentos eram realizados foi destruído por uma forte chuva. O retorno ao esporte veio somente em 2011, por causa do próprio filho. E se engana quem pensa que Artur somente trouxe o pai para o esporte. Por causa do judô, a relação entre pai e filho ficou muito mais intensa. “Trocamos ideias sobre o judô, informações, praticamos alguns golpes e passamos um para o outro a visão do esporte, o que acaba sendo um momento valioso entre pai e filho. Considero que nessa vida corrida, isso é muito importante. São nesses momentos em que conseguimos conversar sobre tudo, incluindo vida pessoal. Acredito que essa é uma experiência que poucos pais conseguem ter com os filhos. O judô conseguiu fazer isso, melhorar a nossa relação”, afirma.
 
Artur concorda com o pai. As competições disputadas juntos os tornaram parceiros dentro e fora do esporte. E há até troca de dicas entre os dois. “Ele está lá lutando, então eu torço muito. Quando acaba a luta, falo o que ele deveria fazer e ele do mesmo jeito comigo. Dentro de casa assistimos campeonatos, mesmo torcendo cada um para um lutador diferente a gente vibra juntos. A vantagem é que meu pai me ajuda muito, ninguém me conhecer melhor que ele”.

Wilson Ferreira junto com a esposa, Érika, e os filhos, Gabriel, Rafael e Miguel

Fábio (dir.) representou o EOC em competições junto com o filho, Artur (esq.).

Postado originalmente por: Minas AM/FM

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