“Novo” Cruzeiro e um “velho” Felipão?

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Felipão está de volta ao Cruzeiro depois de quase duas décadas de sua saída. Daquele clube que foi deixado quando ele assumiu a seleção brasileira, a história e a estrutura atuais são melhores. Porém, em termos de campo e futebol, a segunda passagem de Scolari pela Raposa se iniciará em um momento completamente oposto.

Em 2000, o Cruzeiro conquistava sua terceira edição da Copa do Brasil, com uma vitória memorável sobre o São Paulo. Antes da partida decisiva, realizada no Mineirão, a diretoria anunciou que Luiz Felipe Scolari assumiria o time após a competição, independentemente do resultado. Marco Aurélio, o então treinador, levou a equipe ao título e passou o bastão para o gaúcho.

Tricampeão da Copa do Brasil e bi da Libertadores, o Cruzeiro sonhava, com aquele projeto, em ser campeão brasileiro pela primeira vez, pois, naquela época, a Taça Brasil de 1966 ainda não havia sido reconhecida como título brasileiro.

No comando de um time vencedor e que tinha bons valores, como Sorín, Ricardinho, Geovanni, Fábio Júnior, Oséas e Muller, entre outros, Felipão conseguiu levar o Cruzeiro à semifinal da Copa João Havelange, também reconhecida como Brasileiro. Acabou eliminado por um time que, individualmente, era melhor: o Vasco. Não à toa a equipe comandada por Joel Santana foi campeã do torneio, com destaques como Hélton, Júnior Baiano, Juninho Pernambucano, Euller e Romário.

O ano seguinte começou também promissor, com o título da Copa Sul-Minas de forma invicta. Depois, duas decepções. A primeira foi uma eliminação precoce, na fase semifinal (à época disputada em grupos) do Campeonato Mineiro. Na sequência, o time caiu nas quartas de final da Libertadores, para o Palmeiras, atual vice-campeão, de forma invicta. Ali, ele se despediu do Cruzeiro rumo à seleção brasileira, onde conquistou, no ano seguinte, o maior título da carreira: o pentacampeonato mundial.

Pela forma como foi conduzida a saída, Felipão sempre adotou um discurso de gratidão ao Cruzeiro. Dezenove anos depois, chegou a oportunidade de retribuir, mas precisando de muito trabalho e chegando em um cenário de terra arrasada.

Se em 2000 a passagem de bastão foi feita após um título nacional, agora, ela acontece com o Cruzeiro na vice-lanterna da Série B do Campeonato Brasileiro. Além do campo, a imagem de fora dele devasta o clube, que acumula dívida na casa de R$ 1 bilhão e tem recorrentes dificuldades para manter os salários em dia. Atualmente, os jogadores estão sem receber as folhas de agosto e setembro. Não por acaso, boa parte dos vencimentos do treinador será paga por um patrocinador.

Com um elenco de carências reconhecidas por todos os treinadores que passaram pela Toca, o Cruzeiro não pode sequer registrar jogadores por causa de punição na Fifa, em função de dívida não paga. Felipão só aceitou o desafio de voltar à Toda da Raposa mediante promessa de que os R$ 7,2 milhões serão quitados, liberando o clube para registrar novos jogadores.

O emocional do grupo de atletas e a necessidade de motivar o elenco também serão desafios na nova passagem pelo Cruzeiro. Este, menos complicado de imaginar. Felipão, certamente, terá de montar uma nova “Família Scolari” na Toca da Raposa.

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Postado originalmente por: Minas AM/FM

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