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Opinião: Sílvio França explica porque não concorda com o desafio do esporte

Por: Rádio Minas 28/09/2017 10:40

O apresentador Silvio França leu ao vivo a coluna publicada nesta quinta-feira pelo Jornal Gazeta do Oeste onde fala sobre o desafio que esportistas da cidade fizeram para o Secretário Municipal da área, Everton Dutra:


Confira a coluna na íntegra:

“O Desafio do Esporte

Entendo o desafio feito pelos corredores para o Secretário de Esportes Everton Dutra. Eles sugeriram que o mesmo corresse 5km e eles em troca correriam 50km. A ideia foi inspirada em propostas feita para políticos de outras cidades e estados, que concordaram. O objetivo é nobre, despertar para as questões do esporte na cidade que realmente precisa de uma acompanhamento melhor e uma secretaria que tenha autonomia e orçamento para trabalhar, o que hoje não ocorre já que ela praticamente se autoconsome.

A questão porém é que a coisa não é bem por ai. O pessoal afirma que tinha que ser um esportista na secretaria de esportes. Não exatamente se pararmos pra pensar. Entender de luta não quer dizer que se entende de administrar. Seria o mesmo que dizer que somente médicos deveriam ser secretários de saúde e professores, de educação. Existem profissionais desta área que não tem nenhuma noção de gestão.

Não dá também para exigir que uma pessoa goste de corrida apenas porque outra gosta. Esporte é amplo e às vezes aquele que anda de skate tem pavor de corrida ou o que corre tem pavor de karatê. Há ainda que se dimensionar a situação do preparo físico. Exigir uma tarefa assim de quem não está preparado é colocar a pessoa em risco e acho que quem defende a vida, como os esportistas, dificilmente iria querer algo assim. Chegaram a criticar o secretário por ser fumante, o que é uma questão de escolha extremamente pessoal e que não interfere na competência de gestão de ninguém.

Muita gente disse que o desafio incentiva o esporte. Mas calma lá. Por mais que se goste de esporte e que saiba que isso faz bem para a saúde, não é direito de ninguém exigir que o outro seja atleta. Tem gente que simplesmente não gosta. Tem gente que gosta de esportes, outros de rpg, outros de tocar guitarra, de dançar, de comer, de beber, de namorar e por aí vai. São questões de individualidade, de escolha e uma das coisas que mais tem faltado no mundo atualmente é respeito para com as escolhas do outro. Ninguém tem direito de ditar regras para a vida de ninguém. Já bastam as regras sociais que muitas vezes podam a liberdade individual e criativa de cada um.

Conheço os atletas autores do desafio e sei que são pessoas de bem e comprometidas com o esporte e com o que acreditam. Sei que a ideia foi chamar a atenção para os problemas que a classe dos esportistas vem enfrentando atualmente que são muitos. Entendo também que esporte, assim como cultura, é um dos caminhos para uma sociedade com mais qualidade de vida, com menos violência e com pessoas sadias e por isso precisamos com urgência de políticas públicas que valorizem a área e promovam ações de inserção e divulgação desse estilo de vida. Talvez tenham sido um pouco exagerados, mas se o fizeram, foi com boas intenções e sei que o próprio secretário entenderá isso.

O que quero com a coluna nem é criticar o desafio em si, mas pedir que as pessoas passem a se respeitar mais, entendendo o limite do outro e o jeito que o outro optou por viver. Se o secretário é ruim ou bom não cabe a mim dizer e sim a estas pessoas que estão sendo diretamente afetadas pela sua forma de trabalhar. O espaço inclusive nos canais que ocupo sempre estará aberto para que possam se manifestar. O que não vale é fazer críticas a pessoas que exponham o indivíduo ao ridículo simplesmente com o intuito de chamar atenção. O debate tem que ser maduro e técnico. Não da também para almejar uma mudança da água para o vinho após anos de carência em investimentos na área.

E para finalizar, fica um recado para aqueles que defendem que o gestor da área tem que ser um esportista. O Brasil já teve um presidente atleta, chamado Fernando Collor de Melo e o resto da história não preciso nem contar.”

Postado originalmente por: Minas AM/FM

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