Agronegócio também é com elas…

Mulheres em evidência não causa estranheza a mais ninguém. Há muito elas conquistaram seu espaço nas mais variadas áreas e se destacam em todas elas. Um exemplo claro disso é a mais recente pesquisa divulgada pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), que aponta o aumento na participação da mulher no agronegócio. Como a região da Zona da Mata tem cultura agrícola, por aqui é fácil perceber a presença delas na linha de frete nas mais variadas áreas de atuação no seguimento.

Foi na companhia da filha Emilly que a Agricultora Francielle Ferreira levou nossa equipe de reportagem para conhecer um lugar de beleza rara. Com vista privilegiada para a Cordilheira do Caparaó, onde está localizado o Pico da Bandeira, terceiro ponto mais alto do Brasil, o lugar conhecido como Pirau também revela as melhores imagens dos cafezais do Córrego Boa Vista, onde Francielle ajuda o marido Gilmar Ferreira a transformar a vida da família e de vizinhos também.

Desde que descobriu no que poderia transformar a sua propriedade, ela não mais parou de buscar qualificação. “Há 5 anos fui incentivada pelo meu esposo a fazer um curso de qualificação de café pelo SENAR. A convite da mobilizadora Isaura Paixão eu me inscrevi e desde então não parei mais de estudar sobre o assunto. Hoje me orgulho de dizer que sou qualificada em degustação, classificação, gestão financeira e sou mestre em torra ” – disse orgulhosa.

Dentro desse processo de qualificação, a agricultora aprendeu todo o processo de seleção, beneficiamento e degustação do café. Hoje cuida de todo o processo de transformação do seu produto e uma marca reconhecida internacionalmente. Junto com mais 7 famílias da sua comunidade, Francielle e Gilmar montaram uma associação de cafés especiais que tem conseguido transformar a vida de muita gente. “Hoje em dia utilizamos das redes sociais e de espaços em feiras de agronegócios para mostrar nosso produto. Temos conseguido atrair um grupo seleto de pessoas que não abrem mão de tomar um café diferenciado e assim o nosso café tem sido comercializado além-fronteiras”, explicou.

Célio Miguel da Silva também faz parte do grupo de Cafés Especiais. Filhos de cafeicultores, ele aprendeu o ofício muito cedo e hoje também enveredou para a produção de uma bebida mais selecionada. Segundo o Agricultor, a presença feminina no seu negócio é fundamental. “Minha esposa é minha companheira em tudo que faço e não trabalho com o café não é diferente. Ele também agregou valor ao nosso produto e hoje faz doces, bolos e outros derivados do café”, contou.

Francielle Ferreira e a esposa do Célio Miguel, contribuem para a estatística apontada pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag). A pesquisa indicou que as mulheres que atuam no agronegócio representam 40% do segmento, sendo 30% com foco na gestão – muito acima do registrado na indústria (22%) e na área de tecnologia (20%).

O estudo revelou ainda que 73% das mulheres do agronegócio atuam dentro da porteira, sendo 58% das delas proprietárias ou sócias das propriedades, representando algo em torno de 4,5% do PIB. O termo “dentro da porteira” se refere à produção, como plantio, manejo, colheita, beneficiamento, manutenção de máquinas, armazenamento dos insumos, descarte de embalagens de agrotóxicos e mão de obra. Enquanto que “depois da porteira” faz referência à armazenagem e distribuição, incluindo a logística.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 15 milhões de mulheres vivem na área rural, o que representa 47,5% da população residente no campo no Brasil. Francielle Ferreira está entre elas garante que sua contribuição para o setor vai muito além. Lembra da Emilly, filha primogênita citada no início dessa reportagem?

Pois bem… ao lado da irmã Evilyn de apenas 8 anos, a pré-adolescente de 11 anos concilia os estudos e apoio às atividades da mãe. “Há dois anos fui convidada para estar participando de uma palestra na FAEMG em Belo Horizonte, na oportunidade representando as “mulheres do Agro” na região. Viviane Lírio, do Departamento de Economia Rural e Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Viçosa, foi a palestrante na ocasião e falou sobre continuidade do trabalho no campo e nos deixou um questionamento de como seria se nossos filhos não quisessem dar continuidade ao que construímos. Isso me fez refletir bastante e como mulher influenciadora que sou, não poderia deixar de estimular esse amor pelos cafés especiais primeiro dentro da minha casa. Hoje elas já me auxiliam na seleção dos grãos, nos demais processos de beneficiamentos e já tem um paladar bem apurado na degustação do produto. Elas vão escolher o caminho a seguir, mas se quiserem seguir o meu vão estar preparadas” – finalizou.

Pescadoras, agricultoras, poetisas, artesãs, embaixadoras, extrativistas, indígenas e quilombolas. O protagonismo das mulheres rurais reflete a diversidade da atuação feminina em campo. Antes vistas meramente como ajudantes, as trabalhadoras rurais têm se destacado em diferentes etapas do processo produtivo de alimentos e outras atividades relacionadas à geração de renda e desenvolvimento econômico social no campo.

No dia 16 de abril desse ano a Secretaria de Agricultura Familiar e Cooperativismo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), lançou a campanha #Mulheres Rurais, Mulheres com Direitos.

Dar visibilidade ao trabalho promovido por estas mulheres é o principal objetivo da 4ª edição da campanha, que esse ano tem como como tema “Pensar em igualdade, construir com inteligência, inovar para mudar”. O eixo condutor da iniciativa é a importância de valorizar os direitos das mulheres rurais em todos os níveis, desde as garantias individuais até coletivas, e promover condições para o cumprimento das metas de igualdade de gênero e fim da pobreza rural estabelecidas no âmbito dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

A mobilização ocorrerá até o mês de dezembro com atividades que priorizam o papel das mulheres rurais, indígenas e afrodescendentes na produção sustentável de alimentos saudáveis e nutritivos, principalmente no contexto de crescimento dos níveis de insegurança alimentar na região da América Latina e Caribe.

A campanha também visa estimular a adoção de medidas que facilitem o acesso delas a recursos e sistemas produtivos de inovação, de forma a aumentar a representação das mulheres no campo da ciência e do uso de novas tecnologias.

Como apontou a pesquisa da Associação Brasileira do Agronegócio elas estão aí, cada vez mais presentes e atuantes no Agronegócio. O espaço ainda é dominado por homens, mas não resta a menor dúvida que a igualdade em números ainda vai chegar, porque em qualificação e resultados ela chegou há muito tempo.

Klayrton de Souza
Informações – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e Portal Terra

Postado originalmente por: Tribuna do Leste – Manhuaçu

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