Cuidados pós-colheita do café podem garantir bons frutos na próxima safra

As boas práticas de pós-colheita são as que merecem atenção redobrada, pois têm influência determinante na obtenção de cafés de qualidade. Elas devem ser realizadas imediatamente após a colheita dos frutos, que no Brasil ocorre entre abril e setembro. Ações como análise de solo, poda, adubação e combate a pragas devem ser observadas, segundo o Gerente Regional da Emater/MG, Rômulo Matozinho.

A colheita do café está praticamente concluída na maioria dos municípios de nossa região, mesmo com quebra na produção, no geral foram considerados bons os índices de produção nos principais municípios produtores, mas os trabalhos na lavoura não terminaram. Após a colheita, alguns cuidados são necessários na plantação já pensando na próxima safra e no armazenamento do café da safra atual.

Armazenamento do café

Existem regras e recomendações para o armazenamento de cafés bem estabelecidas. Contudo, o mercado de cafés especiais e novas técnicas de processamento podem alterar isso.

Tradicionalmente, o café é armazenado em sacaria de juta ou em big bags. Mas, embora possamos controlar o ambiente do armazém, perdas de qualidade são inerentes ao processo. “Ao longo de um ano de armazenamento, por exemplo, um café pode deixar de ser especial devido a essas perdas. Assim, há uma tendência em buscar novas embalagens ou uso de atmosfera modificada para o armazenamento de cafés especiais”, explica Matozinho.

Cuidados com a lavoura

De acordo com Rômulo Matozinho, os tratos com a lavoura pós-colheita começam com a análise de solo e foliar. Antes de adubar a lavoura é preciso conhecer a necessidade de nutrientes do solo e das folhas para aplicação correta de adubo. “A primeira coisa que precisamos é de chuva, o período de estiagem está sendo muito longo e mesmo o café que é uma planta extremamente resistente ao déficit pluviométrico, em alguns municípios estamos no limite. Outro fator é a correção do solo com calcário, por exemplo, é importante para o ciclo do café. Analisando o solo, o produtor só vai aplicar o que precisa realmente, evitando desperdícios”, afirma.

A poda da planta é uma ação considerada extremamente importante para o desenvolvimento da lavoura. A prática consiste em retirar a parte da planta, ramos e hastes, que já produziram. “O produtor tem que deixar ramos com parte vegetativa para dar flores e frutos na próxima safra. Aquelas hastes que não têm mais possibilidade de produção devem ser retiradas. O tempo médio das hastes ficarem na planta é de três a quatro anos”, orienta o Gerente Regional.

A adubação deve ocorrer após 30 dias da análise de solo ou aplicação do calcário. Normalmente, quatro vezes ao ano, levando em consideração a poda, a florada, enchimento dos frutos e maturação. O combate a pragas e doenças no cafezal deve começar também logo após a colheita. “A dica é, após a poda, entrar com a pulverização e os nutrientes adequados na planta, que possam protegê-la de doenças”, destaca.

Para Matozinho, um dos fatores que comprometeram a produção de café este ano foi a grande incidência de brocas. “Primeiramente, devemos fazer a varrição, para coletar os grãos caídos e evitar que a broca se multiplique. A broca só vive e se reproduz no fruto do café e o controle é feito com a retirada de todo o resto de café que fica no meio da lavoura e como este ano houve muita queda de frutos no chão, o produtor deve limpar a lavoura e retirar os restos deste frutos, evitando assim a proliferação da broca”, alerta.
Análise Foliar

Muito pouco praticada em nossa região, a análise foliar é tão importante para lavoura quanto à análise de solo, enquanto uma orienta quanto à quantidade de adubos e nutrientes exigidos para corrigir o solo, a outra informa ao produtor quais nutrientes foram absorvidos pela planta e qual está em déficit, para que assim o produtor possa aplicar o nutriente de forma correta sem desperdício ou até mesmo um nutriente desnecessário.

“Na análise de tecidos, entretanto, o técnico ou o produtor só tomam conhecimento da deficiência de qualquer nutriente depois que a planta já esteja sofrendo as consequências dessa deficiência. Por isso, essa análise é realizada para identificar as causas de problemas nutricionais não identificados pela análise de solo e para melhorar as aplicações de fertilizantes, especialmente em culturas perenes como o café. Apenas em alguns casos especiais a análise foliar serve de base única para a recomendação de adubação” completa.
Para sanar dúvidas e obter orientações, os produtores rurais podem conseguir gratuitamente nos escritórios locais da Emater no município onde reside, ou no escritório regional em Manhuaçu.

Jailton Pereira

Postado originalmente por: Tribuna do Leste – Manhuaçu

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