Acusado de feminicídio é condenado a 28 anos de prisão

Acusado de matar a ex-namorada com um tiro no rosto durante um churrasco, Felipe Laureano de Oliveira, foi condenado a 28 anos prisão. Ele foi levado a júri popular, nesta quinta-feira (18), no Fórum Benjamin Colucci. Do total da pena, 18 anos correspondem ao crime de feminicídio contra Alícia Maria Freitas Cordeiro, 18, e dez pela tentativa de homicídio contra o então namorado da jovem, um rapaz de 21 anos.

Conforme investigação do Ministério Público (MP), Felipe e Alícia foram namorados por cerca de quatro anos. O relacionamento foi rompido quando o condenado foi preso por tê-la agredido em via pública. Ao sair da prisão, ele descobriu que Alícia matinha outro relacionamento e, desta forma, passou a ameaçá-la de morte.

Ainda segundo a promotoria, no dia do crime, um churrasco estava sendo realizado na casa do atual namorado de Alícia, contando com a participação de familiares e amigos. O réu invadiu a casa, entrando pelo portão deixado aberto para facilitar a entrada dos convidados. Ele caminhou em direção à vítima e efetuou um tiro na cabeça dela. Felipe ao perceber a presença do atual namorado da jovem também disparou na direção dele, atingindo-o no tórax. Depois dos tiros, o condenado fugiu.

Julgamento aconteceu nesta quinta-feira (18), no Tribunal do Júri (Foto: Fernando Priamo)

Para o Ministério Público, quanto às duas vítimas, o réu agiu por motivo torpe, uma vez que mantinha um sentimento de posse e rejeição em relação à Alícia, não se conformando com o novo relacionamento amoroso dela. Ainda de acordo com a acusação, o condenado impossibilitou a defesa de Alícia e de seu namorado, já que os surpreenderam com tiros durante a confraternização. A promotoria também acusou o Felipe de feminicídio, uma vez que a morte de Alícia se deu em âmbito de violência doméstica e familiar, já que era ex-namorado da jovem. Depois de condenado, o acusado teve negado do direito de recorrer em liberdade. O julgamento foi presidido pelo juiz Paulo Tristão e começou às 12h30, tendo terminado no final da tarde desta quinta.

O crime aconteceu, em 7 de setembro de 2018, no Bairro Grajaú, Zona Sudeste. O namorado de Alícia sobreviveu ao tiro, após ficar cerca de 20 dias internado, 15 deles em coma induzido. Sete testemunhas foram ouvidas ao longo da sessão, no Tribunal do Júri. No início do julgamento foram ouvidas uma testemunha velada e outras duas que estavam no churrasco. Outro depoimento foi do próprio rapaz que se relacionava há cerca de três meses com a vítima e foi baleado. Ele se aproximou dos jurados para mostrar as marcas dos ferimentos ocasionados pelo tiro contra seu tórax.

Por volta das 15h teve início o interrogatório do réu. Ele confirmou ter ficado preso entre novembro de 2017 e fevereiro de 2018 por agressão contra Alícia e a irmã dela, mas alegou que não costumava bater na namorada. O homem contou ter começado a se relacionar com a jovem quando ela tinha 15 anos. O namoro teria durado cerca de três anos, “entre idas e vindas”. Na época, conforme seu depoimento, ele tinha três filhos com três mulheres. O acusado confessou ao juiz e perante os jurados ter matado Alícia com um tiro no rosto e ter atirado contra o rapaz. Ele afirmou ter usado um revólver calibre 38, comprado antes de 2015 por R$ 2 mil numa feira livre.

‘Eu me senti traído’

Naquele 7 de setembro, o réu afirmou ter escutado a voz da ex ao passar perto da casa do novo namorado dela, o qual ele disse ter sido seu mecânico. Apesar de ter confessado o crime, o homem ponderou que agiu “por impulso” e que estava “fora de si”. Em relação à tentativa de homicídio, ele falou que “ninguém dá um tiro no peito de outra pessoa se não for para matá-la”.

“Não atirei por ciúmes, mas porque eu me senti traído. Descobri que eles começaram a se relacionar quando ela ainda estava comigo”, disse o réu, acrescentando ter voltado a namorar Alícia após sair da prisão até o término, ocorrido, na versão dele, em agosto de 2018. Ele revelou ter ido para São Paulo no período em que ficou foragido, até se apresentar na Polícia Civil de Juiz de Fora em maio. “Achei que se eu me entregasse iria amenizar a situação que eu estava vivendo, porque tirei a vida de uma pessoa que eu convivia.”

‘Não tive como me defender’

Já o jovem que namorava a vítima à época do crime revelou que já havia sido procurado pelo ex-namorado de Alícia quando o mesmo saiu da prisão depois de tê-la agredido. “Ele descobriu que a gente estava se relacionando e foi até a oficina onde trabalho para confirmar comigo. Depois disso fiquei com medo, mas não sei como ele descobriu onde eu morava.”

Ainda conforme as declarações do jovem, o réu continuava a ameaçar Alícia mesmo depois de ter sido preso em flagrante em 2018. “Ela contou que trocava de número, mas ele descobria.” No dia do crime, o acusado teria chegado e saído do local em um carro. “Estava acontecendo um churrasco lá em casa. Ela estava sentada na escada, e eu tinha entrado para buscar bebida. Ele atirou nela e logo depois em mim. Fui surpreendido e não tive como me defender.”

Uma tia de Alícia contou que o Felipe havia sido preso por agressão contra ela e também contra a irmã mais nova. “Ele não aceitou perdê-la, mas ela cansou de viver embaixo de pancada.” A mulher, que chegou a acolher a sobrinha durante um período, disse que a jovem “parecia que sabia que ia morrer”. Segundo ela, para se resguardar, Alícia repassava a parentes mensagens e áudios que recebia com ameaças. “Ela estava cansada de apanhar, senhor juiz”, desabafou. “Um dia ela foi tomar banho e estava toda roxa de ‘couro’ dele.” A tia acrescentou que a sobrinha tinha planos e iria começar a trabalhar em um shopping.

‘Ele queria a posse dela’

Emocionado, o pai de Alícia confirmou que ela era constantemente perseguida. “Ele foi cruel, covarde, queria ter posse dela. O motivo foi banal, falava que ela não podia se relacionar com mais ninguém. Acabou com a vida dela e com a minha também.” Depois da morte da filha, o homem alega que passou a tomar remédios controlados. A mãe também iria depor, mas, segundo o juiz Paulo Tristão, por um descuido, não foi expedido o mandado de intimação.

A irmã de Alícia, 17, que tinha seu nome tatuado no corpo dela, relatou que no dia da prisão em flagrante o réu havia dado um soco na vítima, lançando a mulher contra o chão. A adolescente também foi atingida. “Ele sempre bateu na minha irmã e dizia que ia dar um tiro na cara dela. Foi o que ele fez, porque não aceitava o fato de ela não querer mais ficar com ele. Dizia que se ela não fosse dele, não seria de mais ninguém.” Em uma das ameaças, segundo ela, a irmã foi levada para um local ermo e teve uma arma apontada contra a cabeça pelo homem, que queria que ela desbloqueasse o celular. “Ele vai sair da cadeia, mas eu nunca mais vou ter minha irmã de volta.”

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Postado originalmente por: Tribuna de Minas – Juiz de Fora

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