Católicos celebram centenário de Nossa Senhora de Fátima

Paróquia de Nossa Senhora de Fátima realiza programação em homenagens à santa

Paróquia de Nossa Senhora de Fátima realiza programação em homenagens à santa (Foto: Olavo Prazeres)

Em um vistoso altar de mármore, presente na Catedral Metropolitana, no Centro, repousa a imagem de Nossa Senhora de Fátima, trazida pela colônia portuguesa, como um presente para o município de Juiz de Fora. Segundo os católicos, as aparições da santa a quem os fiéis reverenciam no 13 de maio completam 100 anos hoje, em um momento no qual o apelo feito por ela naquela época se encaixa perfeitamente. Na cidade, a santa será lembrada hoje em celebração especial na Catedral e também na paróquia que leva o seu nome na Cidade Alta (ver quadro).

“Ela apareceu para os três pastorinhos, Lúcia, Jacinta e Francisco, em meio à Primeira Guerra Mundial. Ainda hoje, o apelo feito por ela, que inclui a oração pela concórdia e pela paz, continua atual. Há um simbolismo muito forte, porque, nas aparições, as vestes e a capa vestidas por ela eram brancas, reforçando a ideia desta busca pela paz. Se as pessoas não atendessem ao que ela pedia, a situação poderia piorar muito”, detalha o arcebispo metropolitano de Juiz de Fora, dom Gil Antônio Moreira. Ele ressalta ainda que a oração e até mesmo a penitência são necessárias para combater a discórdia do mundo. “É um convite do céu para superarmos dificuldades, conflitos, desavenças, incompreensões, ganâncias, tantas coisas negativas, que ferem gravemente a dignidade da pessoa humana.”

igrejas

Ainda de acordo com dom Gil, é significativo o ato do Papa Francisco de marcar o centenário presidindo uma celebração em Fátima, em Portugal, na qual deve canonizar os meninos videntes, Francisco e Jacinta, rezando também pela futura beatificação da irmã Lúcia, a terceira pastorinha, que viveu até fevereiro de 2005. “É um sinal muito importante. Papa Francisco diz, com este ato, que todos devemos colaborar para a construção da paz e a eliminação dos conflitos. Isso inclui não só os fiéis católicos, mas também pessoas de outras religiões. Maria é mãe de todos os povos, até mesmo daqueles que são revoltados contra a fé cristã.” Para o arcebispo, assistente nacional do terço dos homens, é fundamental combater e vencer a vaidade, o orgulho e a busca pelo prazer desenfreado, tudo isso, segundo ele, é prejudicial à dignidade humana.
Além da mensagem de Nossa Senhora de Fátima, dom Gil inclui na celebração festiva, a memória dos 129 anos de abolição da escravidão no Brasil.

Terço dos homens reúne cada vez mais fiéis em JF

Outro pedido de Nossa Senhora de Fátima, durante as sete aparições que fez em Portugal, foi a oração do terço ou rosário. A prática tem se tornado crescente no Brasil e, segundo dom Gil, parte de uma iniciativa espontânea dos fiéis. “Um dos segmentos que mais cresce é o terço dos homens. Na última romaria que fizemos, em fevereiro, conseguimos reunir 70 mil homens de várias partes do país em Aparecida (SP). O terço é uma oração muito importante, porque é cristológica, ou seja, à medida que você a faz, consegue contemplar o rosto de Cristo. Seja na infância, nos momentos de pregação, de milagres, da paixão, ou da glória da ressurreição. Vejo esse movimento, que não nasceu de uma hierarquia, mas de maneira popular, como uma graça de Nossa Senhora para tempos tão conflituosos.”

Na última terça-feira, um movimento tradicional de grupos que rezam o terço no Parque Halfeld reuniu mais de 200 pessoas, de acordo com os participantes, para celebrar o centenário das aparições de Nossa Senhora de Fátima e o tricentenário do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida, em uma edição especial. Movimentos Marianos, como o terço dos homens, a Legião de Maria, entre outros grupos, juntaram-se em preces. “Rezamos o terço no Parque Halfeld há mais de 30 anos. Foi bonito ver as pessoas cantando o ofício de Nossa Senhora, criado em uma época em que o canto era a principal forma de correspondência entre as pessoas. Quem passava acompanhava. A oração mexe com o coração. Nós nos voltamos para o mais simples, pedindo a paz”, diz a integrante do Legião de Maria, Magali Grossi Brasil.

História da paróquia se mistura à do bairro

Rita Couto lança livro que mostra a paróquia de Nossa Senhora de Fátima como ponto de partida do bairro

Rita Couto lança livro que mostra a paróquia de Nossa Senhora de Fátima como ponto de partida do bairro

A Igreja de Nossa Senhora de Fátima, na Cidade Alta, é a edificação religiosa mais antiga daquela região. Ela começou a ser construída no início da década de 1950 e tem papel importante na formação da comunidade, de acordo com a jornalista e pesquisadora Rita Couto. Ela estuda a colonização alemã na cidade e prepara um livro com a história da construção. “O terreno para a construção da igreja foi doado por José Lourenço Kelmer, que nomeia uma das principais vias do Bairro São Pedro. Chama a atenção o fato de ele ser descendente direto de austríacos e ter sedido o espaço para homenagear uma santa de tradição portuguesa. Então, essa também é uma forma de agradecer esse desprendimento e disponibilidade dele.”

“A igreja tem uma função muito importante. Ela foi a primeira zona eleitoral da Cidade Alta, ofereceu aulas de corte e costura, funcionou como escola, quando não havia nenhuma instituição de ensino deste lado do bairro, tinha um time de futebol formado por meninos da catequese, estava ligada à criação do posto de saúde e do posto policial do bairro também. Com a vinda da UFJF para a Cidade Alta, alunos do curso de Assistência Social também começaram a colaborar com as atividades da igreja. Então, o bairro cresceu muito, e vários dos serviços e benefícios recebidos por ele estão atrelados à igreja.”

A ideia é que a publicação seja lançada no segundo semestre e atinja, principalmente, as pessoas que desconhecem a história da região. “As pessoas que chegam podem ser apresentadas ao lugar. Elas passam a compreender a configuração do bairro a partir do que as pessoas que viveram aqui deixaram. O centenário de Nossa Senhora de Fátima é uma ótima oportunidade para deixar a história preservada.”

Postado originalmente por: Tribuna de Minas – Juiz de Fora / MG

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