Ciência ao alcance de todos

(Foto: Felipe Couri)

Complexo, que será aberto na segunda-feira, busca incentivar a pesquisa, a extensão e o turismo (Foto: Felipe Couri)

A ciência não está restrita aos laboratórios e às experimentações. Os fenômenos e os elementos estudados por muitos pesquisadores está mais perto do que imaginamos, ao alcance dos olhos, das mãos, do nariz, dos ouvidos e da boca, inclusive para quem não pode enxergar ou escutar. É com este objetivo que a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) inaugura nesta segunda-feira (3) seu mais novo equipamento de divulgação e de incentivo à pesquisa e extensão e ao turismo, além de incluir a cidade no circuito de eventos científicos nacionais e internacionais: o Centro de Ciências, localizado próximo à Praça Cívica, no campus.

Os prédios, estruturados em uma área de três mil metros quadrados, chamam a atenção de quem passa desde o início da obra, em 2013, dada às suas formas arredondadas e placas de alumínio furta-cor que mudam de coloração de acordo com a incidência da luz. A concepção do projeto tem a assinatura do arquiteto goiano Maruem de Castro Hatem, inspirada no universo das estrelas. Por dentro, o Centro é dividido em quatro andares que abrigam três auditórios, quatro laboratórios de ciências, dois salões de exposições, sala de informática e oficina. No último patamar estão os grandes atrativos do Centro: as cúpulas do Observatório Astronômico e do Planetário, previsto para entrar em funcionamento a partir de agosto deste ano.

“O papel principal do Centro de Ciências é divulgar a ciência e a extensão universitária, além de atrair o público em geral para conhecer, de perto, as aplicações das ciências na realidade, mostrando que as mesmas não são restritas aos pesquisadores nas áreas de biologia, física, química, geografia, astronomia, entre outras. A ciência é feita por pessoas comuns, e todos podem ter acesso a esse conhecimento de forma interativa e divertida. Trata-se de um feito impressionante para a UFJF. Enquanto espaços como este estão sendo fechados em todo o país, estamos inaugurando um equipamento de valor único, que a cidade e toda a região podem usufruir”, destaca o coordenador do Centro de Ciências da UFJF, Elói Teixeira César.

O Centro de Ciências foi fundado em 2006 em um prédio anexo ao Colégio de Aplicação João XXIII. A ida para o campus vem para construir mais um capítulo de sua história, mas também se porta como um convite para que outros acervos possam ganhar mais acesso e destaque, como o do Museu de Malacologia e do Museu de Arqueologia e Etnologia Americana (MAEA).

Acervos permanente e temporário

Alguns elementos químicos são fáceis de serem reconhecidos no dia a dia. Mas quando tratam-se de todos eles, fica difícil imaginar suas aplicações. Com a Tabela Periódica Interativa, um dos objetos trazidos das antigas instalações do Centro de Ciências, as pessoas podem interagir com o equipamento e saber mais sobre todos eles, a partir do toque na tela de computador, acendimento de luzes e outros recursos.

O Centro de Ciências vai disponibilizar ao público exposições permanentes e temporárias. Entre as permanentes estão: “Aprenda Brincando”, que traz 22 experimentos interativos no campo da física; e “Célula ao alcance da mão”, uma exposição sobre o organismo humano totalmente interativa e sensorial, voltada para pessoas com deficiência visual. A mostra “Energia nuclear”, da Casa de Ciências da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é temporária, e ficará exposta até o final de 2018. Conforme Elói, é uma exposição temática, que aborda aspectos positivos e negativos da energia nuclear. “São peças que mostram as usinas, o tratamento contra o câncer, a radiação natural e pontua questões problemáticas e seus impactos, como os acidentes nucleares e as bombas. É uma mostra que visa a tocar as pessoas, fazendo com que elas tirem suas próprias conclusões a respeito do tema”, comenta.

Acervos da instituição ganham mais espaço

Dois acervos já presentes na UFJF ganham um novo espaço e mais destaque no Centro de Ciências. O primeiro deles ficará no Espaço Interativo Professor Maury Pinto de Oliveira, onde parte do Museu de Malacologia ficará exposta. O acervo surgiu a partir da curiosidade do médico Maury Pinto de Oliveira, que iniciou sua coleção de conchas em 1950, quando atuava na Marinha do Brasil. Em 1966, com cerca de oito mil conchas, o médico fez a doação da coleção à UFJF, sob a condição de permanecer como administrador até a sua morte. Com o passar dos anos, o acervo recebeu novas doações até que, em 2002, no Instituto de Ciências Biológicas (ICB), foi criado o Núcleo de Malacologia, área da zoologia que estuda os moluscos. Atualmente, o acervo conta com cerca de 45 mil conchas. Com o novo espaço, será possível se aprofundar melhor no tema e participar de atividades interativas e educacionais.

A mostra "Energia nuclear", da Casa de Ciências da UFRJ, é temporária e ficará exposta até o final de 2018. As peças mostram usinas, tratamentos contra o câncer, acidentes nucleares, bombas e radiação natural (Foto: Felipe Couri)

A mostra “Energia nuclear”, da Casa de Ciências da UFRJ, é temporária e ficará exposta até o final de 2018. As peças mostram usinas, tratamentos contra o câncer, acidentes nucleares, bombas e radiação natural (Foto: Felipe Couri)

O professor e pesquisador da UFJF, Franz Joseph Hochleitne, empresta seu nome à Sala de Arqueoastronomia, que abrigará parte do acervo presente no Museu de Arqueologia e Etnologia Americana (MAEA), fundado por ele em 1986. A proposta é criar um diálogo entre o Observatório Astronômico e a pesquisa de arqueoastronomia, mostrando como as civilizações antigas apreendiam e compreendiam o cosmos. A coleção é formada por quatro crânios de indivíduos de Tiwanaku, na Bolívia, considerada a civilização mais antiga da América do Sul. Os crânios exibem uma deformação artificial provocada pela compressão da cabeça de bebês em tábuas de madeira ou ligaduras, cujo objetivo era alterar o eixo de crescimento da cavidade craniana. Essa particularidade teria, para eles, um significado estético, mágico-religioso e de identificação étnica ou status social para os integrantes dessa cultura andina.

Olhar voltado para o céu

O céu não é, e nem deve ser, o limite. É com essa proposta que o Centro de Ciências convida o público a olhar pra cima e observar o que está sobre nós. No Observatório Astronômico, as pessoas terão acesso a equipamentos que permitem esse olhar. A cúpula de visão em 360 graus, com teto retrátil, abrigará telescópios computadorizados, entre eles um telescópio fixo de 20 polegadas e outros dez telescópios móveis, incluindo um específico para observação do Sol. Será possível visualizar, por exemplo, estrelas, lunações, crateras lunares e planetas do nosso sistema solar.

“Juiz de Fora não possui muitas atividades voltadas para a astronomia, com o Observatório, pretendemos estimular o interesse do público a partir desses equipamentos, mostrando que a área não é apenas contemplativa, mas de pesquisas e resultados que mudam a forma como a população possa compreender o universo e a natureza”, explica o professor de física e astronomia da UFJF, Cláudio Henrique da Silva Teixeira. Segundo ele, tratam-se de equipamentos, em sua maioria, semi profissionais, mas de porte elevado que permitem ver, com detalhes, os planetas, os anéis de Saturno, a atmosfera de Júpiter, nebulosa, galáxias e estrelas.

Tabela periódica interativa também será uma das atrações no novo complexo da UFJF. (Foto: Felipe Couri)

Tabela periódica interativa também será uma das atrações no novo complexo da UFJF. (Foto: Felipe Couri)

Ao lado do Observatório fica o Planetário, cujo funcionamento está previsto a partir do próximo mês. Por baixo da cúpula de 12 metros de diâmetro, está sendo montado o chamado “cinema do céu”, com direito a cadeiras reclináveis. O espaço comporta 90 pessoas e funcionará como um ambiente de entretenimento e como ferramenta didática. “O Planetário fará projeções com recursos multimídia e recursos ópticos, por meio de lentes e fibra óptica. Será possível reproduzir um céu com direito a sete mil estrelas na cúpula, como se as pessoas fossem observar o céu sem a interferência da iluminação. Será possível dar aulas de observação, reconhecer as constelações e o movimento dos astros e dos planetas, simular passagem de cometas e meteoros”, aponta.

No Observatório Astronômico, possibilidade de ver as estrelas. (Foto: Felipe Couri)

No Observatório Astronômico, possibilidade de ver as estrelas. (Foto: Felipe Couri)

 

Visitação gratuita

Durante todo o mês de julho, o Centro de Ciências ficará aberto à comunidade para visitação espontânea, inclusive noturnas para a observação do céu. “Para manter o fluxo e uma visita de qualidade, o ideal é receber cerca de cem pessoas por visitação. As pessoas contarão com guias para direcionar aos espaços desejados”, destaca Elói. Durante a semana, de terça a sexta, o Centro funcionará das 8h ao meio-dia e das 14h às 18h. Sábado das 14h às 17h e domingo das 9h ao meio-dia. As visitas noturnas ao Observatório serão realizadas às terças e quintas, das 19h às 21h, conforme as condições meteorológicas avisadas com antecedência. A partir de agosto, além de visitas espontâneas, a UFJF vai disponibilizar o agendamento das mesmas. A entrada é gratuita em todas as modalidades.

Postado originalmente por: Tribuna de Minas – Juiz de Fora / MG

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