Confirmados 347 casos de dengue e chikungunya em Juiz de Fora

O número de casos confirmados de dengue e chikungunya segue aumentando em Juiz de Fora. De acordo com a Secretaria de Saúde (PJF), até a última terça-feira (26), a pasta tinha confirmado a ocorrência de 243 casos de dengue e 104 casos de chikungunya, totalizando 347 registros das duas doenças. Há cerca de um mês, quando a Prefeitura divulgou balanço das doenças transmitidas pelo Aedes, eram 56 casos de dengue e 82 de chikungunya confirmados, 138 no total. Isso quer dizer que, em mais de um mês, o número de arboviroses mais que dobrou, com um aumento de 151%. Além disso, de acordo com balanço da Secretaria de estado de Saúde (SES-MG), Juiz de Fora é a cidade do estado que tem o maior número de notificações de chikungunya, com 185 registros.

No último levantamento da Vigilância Epidemiológica, o bairro Granjas Bethânia concentrava o maior número de notificações. À época, para tentar conter a proliferação do mosquito na região, cerca de 30 agentes de endemias foram deslocados para o local, onde foi realizado um bloqueio. No entanto, o bairro, localizado na região Nordeste, continua liderando a lista, seguido por Borboleta, na Cidade Alta; Benfica, na Zona Norte; e Santo Antônio, na região Sudeste. A Prefeitura não detalhou a quantidade de confirmações em cada localidade.

Segundo a Prefeitura, ações de controle vetorial e forças-tarefa da Sala de Operações da Dengue foram realizadas nestas regiões. Atualmente, as equipes estão atuando no Bairro Santo Antônio, de onde foram retiradas 12 toneladas de lixo que estavam em uma residência, na última quarta-feira (27). Nesta sexta, foram interditados um ferro-velho e uma oficina de motos. De acordo com a PJF, os estabelecimentos não apresentaram as devidas licenças para funcionar. Além disso, o ferro-velho não oferecia condições compatíveis com as atividades, sendo aberto e com grande aglomeração de materiais e sucatas, ocasionando o acúmulo de água parada. No depósito de sucatas, foram encontradas larvas do Aedes aegypti, e os agentes de combate a endemias realizaram o tratamento focal, com a aplicação de larvicidas. Todo o bairro está recebendo aplicação de UBV (pulverizador Ultra Baixo Volume).

Na última coletiva de imprensa da Secretaria de Saúde, realizada há um mês, o descarte irregular de lixo e o acúmulo de entulhos foram citados como principais fatores de risco para aumentar o número de notificações. As práticas propiciam a proliferação do mosquito Aedes aegypti. Na época, a Prefeitura informou que, entre 2018 e o início de 2019, cerca de 21 mil toneladas de lixo descartados de forma irregular foram recolhidos pelo Departamento Municipal de Limpeza Urbana (Demlurb). Deste total, cerca de 11 mil toneladas foram encontradas em 54 bota-foras irregulares.

Região também tem altos índices de notificação

Conforme o boletim epidemiológico da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) divulgado na última segunda-feira (25), 66.629 casos prováveis de dengue foram registrados em Minas Gerais. O documento também aponta incidência alta ou muito alta em diversos municípios da Zona da Mata. Com isso, até o momento, 2019 segue a tendência dos anos epidêmicos, no entanto, com menor intensidade que as duas últimas epidemias, segundo o Estado.

Em São João Nepomuceno, cidade distante cerca de 40 quilômetros de Juiz de Fora, a incidência da doença é muito alta – quando há mais de 500 casos prováveis a cada 100 mil habitantes. O município já registrou pelo menos 684 casos em uma população total de 26.538 habitantes. Rio Pomba, distante 74 quilômetros, também está em situação crítica. A cidade registrou um total de 270 casos para cerca de 18.061 habitantes, caracterizando incidência muito alta. Em Guarani, localizada a 70 quilômetros de Juiz de Fora, em um mês, a incidência passou de alta para muito alta. O município já tem 74 casos registrados. Guarani tem 9.407 habitantes.

Já foram confirmados, também, seis óbitos causados em decorrência da dengue, nos municípios de Arcos, Betim, Passos, Uberlândia e Unaí (dois). Outras 27 mortes suspeitas para a doença estão sob investigação via exame laboratorial.

Em relação à febre chikungunya, Minas Gerais registrou 869 casos prováveis da doença. Em 2019, até o momento, não houve registro de óbitos suspeitos da doença. Já em relação à zika, foram registrados 262 casos prováveis da doença nos três primeiros meses do ano.

Monitoramento

Para tentar conter a proliferação das arboviroses, a Secretaria de Estado afirmou que tem feito monitoramento dos indicadores municipais do Programa de Monitoramento das Ações de Vigilância em Saúde do Estado, além de elaborar planos de contingência estadual e municipais para prevenção e controle das doenças.

Tendência de aumento no país

O aumento do número de casos de dengue não acontece isoladamente em Juiz de Fora e na região. O cenário tem sido verificado em todo país: nas primeiras 11 semanas deste ano, houve um aumento de 264,1% dos casos de dengue no país em comparação com o mesmo período do ano passado. Foram 62,9 mil confirmações de janeiro até março de 2018, número que aumentou para 229.064 no período de janeiro a março deste ano.

Na última segunda-feira (25), em coletiva de imprensa, o coordenador do Programa de Dengue do Ministério da Saúde, Rodrigo Said, atribuiu o avanço da doença, sobretudo, à volta da circulação do sorotipo 2 do vírus da dengue. Como fazia tempo que esse sorotipo não circulava, há maior risco de uma parcela mais significativa da população estar suscetível a ele.

“Em toda a região das Américas, nos últimos dois anos, nós tivemos uma queda significativa dos casos de dengue, zika e chikungunya. A partir do fim do ano passado foi identificada um mudança do padrão de circulação do sorotipo. Hoje no nosso país, nós temos o sorotipo 2 predominante, como vírus de dengue com maior identificação nas amostras laboratoriais. Aliado a todas as condições ambientais e de climática, temperaturas altas e volume de chuva intenso, isso mudou o cenário de transmissão, o que aumentou a ocorrência de casos”, explicou Said.

O coordenador afirmou ainda que a atuação contra as arboviroses é feita de maneira integrada entre as três esferas de gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) – federal, estadual e municipal -, mas que necessita do apoio da sociedade nas checagens de possíveis criadouros. Said reforçou que as ações de combate precisam ser executadas de maneira permanente e não somente em momentos epidêmicos e de sazonais. Tomadas pela população, as medidas de combate são fundamentais para reforçar as ações do Poder Público. Segundo ele, atualmente existem muitas pesquisas relacionadas ao controle do Aedes, algumas, inclusive, sob financiamento do próprio Ministério da Saúde. Contudo, ainda não há resultados que possam apontar novos caminhos relacionados às ações de controle e mobilização contra o vetor.

 

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Postado originalmente por: Tribuna de Minas – Juiz de Fora

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