Contra orientações, juiz-foranos lotam supermercados e farmácias

Apesar de uma das principais medidas de prevenção ao coronavírus ser evitar aglomerações, os juiz-foranos têm lotado supermercados e farmácias nos últimos dias. A atitude, além de aumentar a exposição ao risco de contaminação, contribui para reduzir os produtos disponíveis e promover o pânico. Os setores afirmam que não há necessidade desta corrida aos estabelecimentos. A orientação é para que a população cumpra a recomendação das autoridades de isolamento social e tenha bom senso na hora das compras, evitando estocar itens e superlotar estes locais. Não há riscos de desabastecimento por parte da indústria, e os supermercados e farmácias continuarão funcionando normalmente. A princípio, não serão adotadas medidas de controle com relação ao número de atendimentos por dia.

O Grupo Bahamas percebeu crescimento da demanda dos consumidores, sobretudo, por produtos de higiene e limpeza. “É natural que ocorresse este aumento da procura, pois o coronavírus tem sido a principal notícia da imprensa nos últimos dias. Mas é uma corrida desnecessária. Em nenhum momento foi orientado às pessoas estocarem produtos”, diz o gerente de marketing Nelson Júnior.

Por conta desta atitude, as lojas da rede limitaram a compra de álcool em gel em até três unidades por cliente. “Não há desabastecimento, apenas acordamos com o Procon de Juiz de Fora esta medida para evitar que as pessoas comprem para armazenar. Nós colocamos dois mil frascos na prateleira, e eles acabam em 20 minutos”, justifica. “Comprar qualquer produtos em grande quantidade e deixar em casa é prejudicial, pois pode ser que a pessoa armazene errado ou perca a data de validade. O supermercado tem condições técnicas e logística para fazer a armazenagem.”

Pedindo tranquilidade e prudência à população, Nelson afirma que as lojas continuarão funcionando normalmente. “Nós sabemos da nossa responsabilidade social de não deixar as famílias desabastecidas. Estamos reforçando as orientações necessárias para garantir a segurança dos funcionários e dos clientes no dia a dia.”

Nas farmácias, fila de idosos preocupam empresários que sugerem cautela: “A farmácia não vai fechar e não vai faltar produtos” (Foto: Fernando Priamo)

Prevenção para funcionários

A rede Supermercados BH aderiu medidas de prevenção para atender a população. “Adotamos o uso de álcool em todos os caixas e áreas comuns das lojas, reforçamos as recomendações para os cuidados com a higiene das mãos e estamos indicando que funcionários que apresentem sintomas de resfriado/gripe não compareçam ao trabalho. Também suspendemos ações de degustação”, comunicou em nota.

O texto diz que, apesar de uma maior movimentação de consumidores, não foi preciso restrições de atendimentos ou compras. “Identificamos que as vendas estão mais aquecidas, principalmente nos segmentos de higiene pessoal e limpeza, um movimento atípico para a época, o que sugere estar relacionado à pandemia do coronavírus. Estamos monitorando nossas operações, e até agora não entendemos ser necessária nenhuma medida de limitação de acesso à loja ou itens.”

Procurada pela Tribuna, a assessoria da Associação Mineira de Supermercado (Amis) reforçou que “não há motivo para que a população se desespere e armazene produtos, pois a indústria não sinaliza nenhuma dificuldade para abastecer os estoques”.

Setor farmacêutico recomenda uso de tele-entrega

Nos últimos dias, as longas filas na Drogaria Souza contaram com a presença de idosos, que representam um dos grupos de risco do coronavírus. A situação preocupa os funcionários do estabelecimento, que orientam os consumidores a fazerem os pedidos pelo sistema de tele-entrega. “A procura por álcool em gel, máscara e antitérmicos aumentou muito, o que a gente sabe que está ligada ao coronavírus. Mas uma das formas de prevenção é justamente evitar aglomeração, então, não adianta todo mundo correr para as farmácias”, alerta a farmacêutica da drogaria, Cleimar Aparecida Linhares Esteves dos Reis.

Explicando que não é necessário realizar esta corrida, bem como a compra em grande volume de produtos, ela destaca que a atitude aumenta a exposição das pessoas ao risco. “O ideal é ficar em casa, sair só quando for preciso e comprar o que for necessário. A farmácia não vai fechar e não vai faltar produtos. Optar por outros canais de atendimento, como telefone e WhatsApp, é importante, pois assim evita um grande número de pessoas no mesmo local. ”

Por meio de nota, a Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) recomendou bom senso na compra de produtos e solicitou à população que não estoque qualquer tipo de suprimento. “Vamos enfrentar essa crise e ajudar a todos seguindo as recomendações dos órgãos de saúde e, sobretudo, com bom senso e solidariedade”, declarou o CEO da entidade, Sergio Mena Barreto.

Fiscalização

À Tribuna, a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) informou que não haverá fiscalizações relativas à superlotação dos estabelecimentos. “Recomendamos o isolamento social, que é fundamental nesse momento. Nós cancelamos todos os nossos eventos e orientamos que aqueles acima de cem pessoas também não sejam realizados”, declarou a assessoria, destacando que aglomerações em farmácias e supermercados não são prudentes.

Postado originalmente por: Tribuna de Minas – Juiz de Fora

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