Furtos e arrombamentos são registrados no bairro Alto dos Passos

Comerciantes afirmam que onda de arrombamentos começou após o lockdown estabelecido pelas autoridades (Foto: arquivo pessoal)

Um suspeito arrombou e furtou um bar e tentou invadir outros estabelecimentos no Bairro Alto dos Passos, Zona Sul de Juiz de Fora, na madrugada de quinta-feira (18). Segundo um dos proprietários, que preferiu não ser identificado, o infrator arrombou a porta, o freezer e levou equipamentos, como a TV do bar.

“A situação fica difícil, não estamos podendo abrir. O delivery não tem a mesma demanda que o atendimento presencial. Então lidar com esse prejuízo é complicado. Depois dessa situação fizemos o registro da ocorrência”, disse o dono do bar. Ele explicou que, pelas câmeras, viram que o indivíduo também tentou entrar em mais dois imóveis comerciais. “Com o lockdown, percebemos que os assaltantes estão se aproveitando, então tem estado bem perigosa a situação por aqui.”

O terceiro ponto pelo qual o assaltante passou foi um prédio onde funciona a loja de cosméticos da comerciante Aline Saggioro. Ela tinha um bar que funcionava na parte de baixo e foi fechado por conta da pandemia. Mas o atual empreendimento dela está instalado no primeiro andar do prédio. Ela conta que o criminoso arrancou uma porta de madeira, sem quebrar o cadeado. Começou a reunir objetos e colocá-los no corredor, quando o funcionário de outro comércio chegava para trabalhar, por volta das 4h.

Diante do flagrante, o trabalhador viu a movimentação incomum e foi checar com uma barra de ferro, porque conhece e se preocupa com os moradores do segundo andar. O infrator pegou um saco com parte dos objetos furtados e fugiu. Depois disso, segundo Aline, foi preciso reforçar as portas, para garantir o mínimo de tranquilidade.

“Levamos um susto muito grande. Acordei às 3h30 com o telefonema avisando da situação. Fiquei desestabilizada com a possibilidade de alguém ter feito mal com as moradoras. Perdemos o sono por conta da falta de segurança”, disse a comerciante. Segundo ela, o sentimento de insegurança com o lockdown cresceu. “Vamos ter que gastar R$600 com a porta e isso é desanimador. Com o fechamento ficou muito pior. Além das brigas que aconteciam, esta perigoso demais até para andar a pé para ir para casa.”

Ela ainda conta que as pessoas que trabalham no local têm um grupo no qual compartilham informações sobre a segurança no bairro. “Vemos por ele que essas ações estão se intensificando e está mais complicado.”

Dormindo no ponto

Com o toque de recolher e o lockdown, alguns dos proprietários acabam contando com a colaboração de quem mora perto dos estabelecimentos. No caso do comerciante Victor Fernandes de Almeida, a ocorrência aconteceu assim que o fechamento total foi decretado.

“Eu estava em casa e a presidente do bairro me ligou e mandou um vídeo, mostrando que um rapaz que parecia estar fazendo xixi em frente à loja, na verdade, estava forçando para abrir. Havia marcas no canto, mas o trinco não permitiu que ele tivesse sucesso”, conta.

Depois da tentativa de arrombamento, ele diz que tem ficado direto no estabelecimento, dormindo no local, inclusive. “Não tem muito o que fazer nesse caso. A noite inteira passam usuários de drogas por ali e, agora, com a pandemia, a presença de pessoas dispostas a assaltar os estabelecimentos aumentou, por causa da falta do movimento. Isso nos expõe a um risco maior.”

Ele conta que não há mais dinheiro para implementar outras medidas de segurança individual, o que tem sido feito por parte dos empresários do local. Com isso, o aviso de um vizinho, ou um toque no caso de alguma ação suspeita tem contribuído com os comerciantes. Ele acredita que a presença mais ostensiva da Polícia Militar, e até mesmo da Guarda Municipal, não só colaboraria para uma maior sensação de segurança, como também seria importante para identificar casos de aglomerações que têm ocorrido no bairro. “De noite, com as ruas vazias, qualquer barulho se destaca e eles conseguem identificar pontos em que ocorrem esses encontros e até festas clandestinas.”

Intensificação da atividade policial

Segundo o comandante da 32ª Companhia da Polícia Militar, capitão Rodrigo Oliveira, houve uma intensificação de ações, por conta de uma tendência de crescimento de crimes contra o patrimônio verificado na localidade desde janeiro de 2021. “Conseguimos fazer a prisão de vários autores. Inclusive, alguns deles são moradores de regiões próximas à Vila Olavo Costa. Eles atuavam no Alto dos Passos e no Bom Pastor. Com essas prisões conseguimos uma redução nos últimos 15 a 20 dias, principalmente em crimes em que empregaram violência.”

Com o fechamento do comércio, os estabelecimentos ficam vazios e os proprietários que não permanecem nos locais com o avançar da noite, foram registradas tentativas de arrombamento e assalto e, segundo o comandante, alguns dos suspeitos estão em fase final de identificação. “Estamos aumentando o efetivo policial nas ruas, inclusive, a Polícia Militar está colocando a equipe que trabalha no administrativo para intensificar a presença nas ruas, nesse momento em que os comerciantes passam por essa situação mais delicada.”

Ele orienta que, na medida do possível, os comerciantes adotem ações de autoproteção, como a instalação de câmeras de vigilância e o contato com os moradores do entorno. Para a população em geral, ele destaca a necessidade de obedecer as normas das autoridades sanitárias. “Também se preocupem com a saúde da própria família. Tomem as medidas de segurança e respeitem as normas A PM vai estar presente para ajudar o cidadão e cuidar da nossa comunidade.”

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Postado originalmente por: Tribuna de Minas – Juiz de Fora

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