Juiz de Fora tem desabastecimento de testes na rede particular

Desabastecimento é consequência da demanda a nível global (Foto: Divulgação/Josué Damacena (IOC/Fiocruz))

Em meio à pandemia do coronavírus, com dois casos da doença confirmados na cidade, juiz-foranos têm relatado a dificuldade para realização de exames no município, bem como desencontro de informações quanto aos procedimentos em casos de manifestação de sintomas da doença. Conforme unidades e laboratórios particulares do município, há desabastecimento dos kits para teste do coronavírus, seguindo uma tendência a nível mundial. Na rede pública, a Tribuna solicitou informações à Secretaria de Saúde (SS) da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), entretanto, não obteve retorno até o fechamento desta edição. Quanto ao atendimento, desde esta terça-feira (16), unidades hospitalares têm tomado medidas restritivas, entre outras alterações no funcionamento de serviços.

Relatos de leitores à Tribuna dão conta de que não há kits necessários para o teste do coronavírus em unidades de saúde particulares de Juiz de Fora. A reportagem verificou que os exames para detectar a doença ainda não estão sendo realizados em alguns estabelecimentos. O Côrtes Villela, por outro lado, já realiza os testes, entretanto, está passando por desabastecimento, consequência da demanda a nível global que acaba impactando no fornecimento dos materiais a nível local. “Existe grande desabastecimento de kits no mercado mundial, e o Brasil passa pelo mesmo problema”, aponta o médico e diretor técnico do laboratório, Ricardo Villela Bastos.

Segundo Bastos, os kits estão sendo liberados paulatinamente, em reposição às remessas. A situação tem ocorrido porque, quando começaram a surgir as primeiras suspeitas da doença no país, muitos serviços de exame estavam sendo realizados “de maneira não criteriosa”. “Começou a fazer uma série de exames em pacientes que não tinham quadro clínico sugestivo, sem contato com pessoa com histórico da doença e, com isso aumentou a demanda”, exemplifica. Com a adoção de critérios para realização dos testes, como processo de triagem médica, o diretor técnico do laboratório acredita que a demanda espontânea dos exames irá diminuir, normatizando o serviço. O Laboratório Côrtes Villela realiza os exames apenas a partir de solicitação médica.

A Unimed Juiz de Fora informou que está seguindo as diretrizes e normativas da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), “neste momento em que todo o país enfrenta o desabastecimento geral dos kits para o diagnóstico do novo Coronavírus (Covid-19)”. Segundo a empresa, o exame para detecção da doença está coberto pelo Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde, seguindo protocolos específicos, fundados em cobertura mínima obrigatória para os beneficiários.

“Enfatizamos que a Unimed Juiz de Fora segue a cobertura obrigatória para consultas, internações, terapias e exames que podem ser empregados no tratamento de problemas causados pelo Coronavírus.” Assim, seguindo a ANS, no cenário de escassez dos kits, os exames devem ser realizados apenas em casos com indicação médica. Cabe ao profissional avaliar o paciente, seguindo as diretrizes definidas pelo Ministério da Saúde sobre os casos enquadrados como suspeitos ou prováveis, para solicitar o teste.

A Tribuna questionou a Secretaria de Saúde da Prefeitura sobre a disponibilidade de kits para testes da doença na rede pública, entretanto, não teve retorno até o fechamento desta edição. A reportagem também interrogou sobre os procedimentos para realização dos exames e o acompanhamento daqueles que são realizados nos laboratórios particulares.

Em Minas, só há um laboratório credenciado

Em contato com a reportagem, a assessoria de imprensa do Ministério da Saúde informou que não responde por hospitais particulares, entretanto, esses laboratórios podem realizar os exames caso sejam capacitados. Do contrário, podem realizar a coleta e enviar as amostras para os Laboratórios Centrais de Saúde Pública (Lacen).

Quanto aos procedimentos para atendimento, o Ministério da Saúde informou que a diretriz é que os profissionais devem utilizar equipamentos de proteção individual, como luvas, máscaras e toucas, ao examinar pacientes com sintomas de coronavírus, solicitando testes para aqueles que apresentam quadros agravados. O órgão reforça que cada unidade federativa tem autonomia para tomar decisões dentro de seu plano de contingência.

Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) explicou que, em Minas, até o momento, apenas o laboratório privado Hermes Pardini tem o resultado reconhecido como oficial. Caso os exames sejam realizados por outros laboratórios privados, é necessária homologação pela Fundação Ezequiel Dias (Funed).

Postado originalmente por: Tribuna de Minas – Juiz de Fora

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