Linhas de ônibus em JF têm quadros de horários reconfigurados

Em muitos horários, ainda é possível flagrar grande quantidade de pessoas circulando dentro de um mesmo carro (Foto: Fernando Priamo)

Uma semana após a redução de 20% da frota de coletivos, as 269 linhas de ônibus do transporte coletivo urbano de Juiz de Fora sairão às ruas com os quadros de horários reconfigurados pela Settra em meio ao enfrentamento ao novo coronavírus. As linhas foram reforçadas nos horários de pico, como das 5h às 7h30 e das 17h às 19h30, mas, ao longo do dia, os carros circularão com intervalo de, ao menos, uma hora. Por outro lado, entre meia-noite e 4h, não haverá mais horários nem veículos disponíveis. Conforme dados repassados pela Settra à Tribuna, a nova intervenção diminuirá a frota em 164 carros, e, o número de viagens, em 4.734. Os valores correspondem, respectivamente, a quedas de, aproximadamente, 30% e 39%. De acordo com o gerente do Departamento de Transporte Público, Luciano Braida Ribeiro, as novas alterações são necessárias em razão da queda acentuada da demanda de usuários, para coibir deslocamentos desnecessários e para frear o índice de revisão tarifária anual de 2020.

Braida aponta que a queda de usuários deve estagnar entre 75% e 80%, uma vez que, na última terça (24), o índice já atingira 75%. “Quando observamos inicialmente a queda, implementamos o horário de sábado. Nos dias úteis, trabalhamos, normalmente, com uma frota de 539 carros e 12.184 viagens diárias. No sábado, trabalhamos com uma frota reduzida em 19% – 437 carros – e as viagens em 16,3% – 10.195. Colocamos (todos os carros) no horário de sábado para começar imediatamente em cima da demanda, mas estamos percebendo que a demanda continua caindo. (…) Então, tivemos que montar um novo quadro de horários para todas as linhas. (…) Pegamos o quadro de horários de sábado e, nos horários de pico, reforçamos com mais veículos. (…) Já ao longo do dia, tiramos carros da rua. Para as linhas que tinham carros em horários mais curtos, por exemplo, colocamos intervalo de, no mínimo, uma hora – somente algumas estão com 50 minutos.”

Questionado sobre por que a Settra não reforçara os horários de pico já na mudança anunciada, na última semana, o gerente do Departamento de Transporte Público justifica que a redução de 20% da frota era a única alternativa disponível para a Prefeitura naquela ocasião. “(A medida) não foi mal-sucedida. Foi tudo muito rápido. Tínhamos carros cheios sim, mas outros estavam muito vazios. Se deixássemos os carros rodando em horários de dia útil, teríamos ainda 539 carros com uma demanda decrescente. Foi a ferramenta que tínhamos: lançar mão do horário de sábado. Ao mesmo tempo que lançamos mão do horário de sábado, já começamos a estudar novos horários para todas as linhas. Normalmente, levamos, no mínimo, três dias para fazer um estudo criterioso. E criamos em uma semana novos quadros (de horários) para todas as 269 linhas. Se simplesmente tirássemos os horários aleatoriamente, os usuários perderiam a referência.” Sob o regime especial de horários, haverá 375 ônibus nas ruas e 7.450 viagens diárias.

Como explica Braida, a Settra analisará diariamente as demandas de cada linha e novas mudanças são possíveis. Há expectativas de apresentar já nesta sexta novo quadro de horários para os domingos. “A demanda aumentou? Diminuiu mais ainda? Têm linhas que se sobrepõem? Posso tirar pelo menos uma linha e fazer um reforço em uma rua em que está faltando (carros)? Já começamos, por exemplo, a alteração do quadro de horários de domingo. A ideia é tirar as linhas entre meia-noite e 4h”, revela.

“A recomendação é não ter carros cheios. Queremos as pessoas sentadas e de preferência espaçadas. Se os carros estão cheios e há pessoas em pé, temos que reforçar a linha.”

Em caso de questionamentos, os usuários podem entrar em contato com o Serviço de Orientação ao Usuário (3690-8218).

Preocupação com servidores de saúde

Conforme o gerente do Departamento de Transporte Público, Luciano Braida Ribeiro, o horário foi ajustado após reunião demandadas por equipes técnicas de diversas unidades hospitalares de Juiz de Fora, uma vez que “havia a preocupação de desatendimento aos servidores de saúde com a redução do transporte coletivo. Então perguntamos quais os horários das trocas de turno e mantivemos um reforço em horário próximo às trocas”. Além da drástica queda de demanda, eventual deslocamento desnecessário de pessoas por Juiz de Fora durante o período de isolamento social e a revisão tarifária do transporte público, prevista para novembro, sustentaram a decisão da Settra em reconfigurar o quadro de horários.

“A ideia é que as pessoas fiquem em casa. Queremos evitar que haja ônibus rodando e, consequentemente, pessoas se deslocando. Por isso, inclusive, suspendemos o passe livre dos estudantes. E o outro motivo é que, em novembro, teremos que fazer novamente um cálculo tarifário. Se continuamos com a quantidade originais de carros, horários e e funcionários por três meses, na hora de calculá-la o valor iria para cima. Temos que pensar também no impacto econômico. Foi um trabalho criterioso”, afirma. De acordo com os contratos firmados entre o Município e as concessionárias Manchester e Via JF, “após o primeiro reajuste ocorrido no contrato, (…) ou após as revisões tarifárias, o valor da tarifa será reajustado anualmente, após decorridos 12 meses do último reajuste ou da última revisão”.

Filgueiras é exemplo de lotação

As linhas do Bairro Filgueiras – 100, 103 e 105 -, Região Nordeste, enfrentaram, ao menos até esta quinta-feira (26), situação crítica de lotação, sobretudo pelo itinerário cortar outros bairros, conforme usuários relataram à Tribuna. Nos horários de pico, os coletivos continuaram cheios com a redução linear de horários anteriormente em vigor. Quando ainda estava trabalhando diariamente no Bairro Fábrica, Stephanie Alves Damasceno Pereira, 22 anos, pegava o ônibus às 7h45 ainda vazio, mas o coletivo enchia ao passar por bairros Grama e Parque Guarani.

“E, como não tem lugar para sentar, a maioria (das pessoas) fica em pé. E percebemos que as pessoas ficam com medo, porque, onde segurei, outro está segurando etc.. Se tem alguém tossindo ou com máscara, o outro passageiro já olha de maneira estranha. A pessoa já fica com medo antes de alguém mostrar algum sintoma”.

Mesmo com as restrições implementadas pela Prefeitura ao comércio, Stephanie tem percebido os coletivos mais cheios. “Quando eu vinha para casa, as linhas que mais via era Filgueiras e Progresso. As pessoas que pegavam ônibus na Avenida Getúlio Vargas e que moravam no Grama e no Bandeirantes, por exemplo, também pegavam o Filgueiras com medo de não ter outros ônibus. Mesmo que o comércio tenha fechado, supermercados, farmácias e empresas de telemarketing continuam funcionando. O meu pai, por exemplo, que é porteiro, continua trabalhando. O pessoal da limpeza também não parou”, diz a jovem.

‘O pessoal vem espirrando’

Hélio Januário Pereira, 51, toma diariamente a linha Filgueiras para trabalhar, às 5h, e retornar para a casa, às 18h30. Após as mudanças da última semana, Hélio nota os ônibus cada vez mais cheios, já que o número de carros e horários diminuiu. “Antes, tínhamos ônibus 4h, 4h40 e 5h. Agora é só às 5h. À noite, por exemplo, se eu perder ônibus entre 18h30 e 19h15, só consigo pegar depois das 21h. Os ônibus sobem para o Filgueiras cheios. Os bancos estão todos ocupados, e as pessoas do seu lado. Todo mundo sentado, mais gente em pé. Está sendo uma doideira, porque o pessoal vem espirrando… tudo o que (as autoridades) estão pedindo para não fazer. Se vou em pé, fico coladinho com outra pessoa. Não tem jeito, mesmo que a gente abra a janela.”

Postado originalmente por: Tribuna de Minas – Juiz de Fora

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