Lixo eletrônico será recolhido em praça esta semana

O teclado utilizado para escrever essa matéria, um dia, vai se tornar o que chamamos de lixo eletrônico. Esse e muitos outros objetos, seja por defeito ou pelo avanço da tecnologia, vão se tornar obsoletos e, consequentemente, lixo também. O problema é que esse amontoado de coisas, se dispensado de forma irregular, causa danos ao meio ambiente e à saúde das populações. Outra questão é a falta de informação no que tange ao recolhimento desses materiais, que não devem ser descartados junto com o lixo comum. A partir dessa segunda-feira (5), Dia Mundial do Meio Ambiente, a Praça do Riachuelo vai se transformar em um grande ponto de coleta de lixo eletrônico, organizado pela E-Ambiental, empresa especializada em recolher esse material e encaminhá-lo para a destinação correta.

A iniciativa ficará à disposição da população das 9h às 17h até o próximo sábado (10). A expectativa de Thiago Willian da Cunha, um dos sócios da E-Ambiental, é recolher cerca de 40 toneladas de lixo eletrônico, além de convidar a população a conhecer um pouco mais sobre o assunto. “A última ação que fizemos foi em Goianá, e lá recolhemos mais de uma tonelada de lixo eletrônico. Como a população de Juiz de Fora é muito maior, esperamos chegar a este volume. Isso, consequentemente, acaba sendo retirado dos aterros e evitando novas contaminações”, destaca. O processo aplicado pela empresa consiste em fazer uma triagem do material recebido, separando vidro, plástico e componentes eletrônicos. Se houver itens que ainda funcionam, a E-Ambiental os utiliza para montar computadores e destiná-los a projetos comunitários.

Após a triagem dos materiais, a empresa encaminha os mesmos a entidades que realizam o processo de reciclagem. Vidro, ferro e plástico, por exemplo, podem receber o processo no Brasil, enquanto os componentes eletrônicos são enviados para fora do país para serem submetidos à logística reversa. Qualquer pessoa também pode solicitar, gratuitamente, o recolhimento do lixo eletrônico que possui em sua residência. “O ideal é a comunidade se reunir para juntar um volume grande, para que possamos buscar de uma só vez”, explica Thiago. A E-Ambiental também trabalha com ações em escolas e na implantação de ecopontos em locais de grande circulação de pessoas.

Tudo começa na fabricação

Para quem acha que a contaminação do solo ocorre quando o aparelho eletrônico é jogado fora de forma irresponsável, engana-se. Segundo o professor do Departamento de Ciência da Computação da UFJF, Eduardo Barrére, o problema começa na produção, que demanda muito material e consome recursos naturais nesse processo. “É danoso desde o início. Na verdade, quando se faz o descarte correto, você está minimizando o impacto.”, observa. O lixo eletrônico possui uma série de materiais que não são decompostos no meio ambiente, como chumbo, mercúrio, cádmio, arsênico. Ao dispensá-los em qualquer lugar, essas substâncias acabam sendo absorvidas pela terra e passam para a água. “As consequências são problemas no sistema nervoso e alterações no funcionamento dos rins, fígado e pulmão.”

O professor também alerta para outro problema: o largo descarte de televisores de tubo em função do fim do sinal analógico. “O Brasil está extremamente atrasado. As empresas aqui até recolhem e separam, mas o processo é feito no exterior. Alemanha e Japão, hoje, são os principais países detentores de tecnologia destinada à reciclagem desses componentes.”
Em nota, a Secretaria de Meio Ambiente (SMA) da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) informou que preconiza a Política Nacional de Resíduos Sólidos, na qual os fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes são obrigados a estruturar e implementar sistemas de logística reversa, mediante retorno dos produtos após o uso pelo consumidor, de forma independente do serviço público de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos.

 

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Postado originalmente por: Tribuna de Minas – Juiz de Fora / MG

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