Mulheres de Luta: ‘Sempre tive vontade de empreender’, diz Karolina Vargas

Karolina Vargas, 33 anos, fotógrafa e empresária (Foto: Marcelo Ribeiro)

Embora gostasse do curso quando era aluna da Faculdade de Comunicação da UFJF, lá pelos idos de 2005 ou 2006, Karolina Vargas jamais se viu como jornalista. “Eu sempre tive vontade de empreender, mas não sabia exatamente como. Quando eu e a Polyana, hoje minha sócia, trabalhávamos na mesma agência, fui percebendo que a gente podia fazer algo só nosso de fotografia, uma área que as duas amam. Então, como nenhuma das duas queria ter um estúdio com seu nome, que era comum, criamo”s a Magenta, um projeto muito nosso, um projeto de mulheres”, conta a empresária, natural de Guarani (MG), sobre o negócio que completa, em 2019 dez anos de mercado, e hoje é a maior referência do ramo na elaboração, produção e confecção de convites de formatura.

Para Karolina, optar pelo empreendedorismo, por abrir o próprio negócio, é uma decisão desafiadora e corajosa para qualquer pessoa. Mas quando quem abre as portas do próprio empreendimento são mulheres, há algumas outras dificuldades que se somam às anteriores. “Primeiro porque, quando começamos, tínhamos em torno de 23 anos. Eram mulheres fotografando, em casamentos, eventos. Eram mulheres de assistentes, carregando luz e outros equipamentos. E éramos novíssimas, e por isso questionadas por nossa capacidade. Sentia que isso causava um estranhamento, sobretudo porque, além de estarmos ali como fotógrafas, éramos as donas da empresa. E estávamos ali carregando equipamento pesado, ficávamos em pé por horas a fio, para muitas vezes não acreditarem em nosso trabalho: ‘Mas tão novinhas assim tirando foto sozinhas?’. Dez anos depois, estamos onde estamos. E veio tudo deste início, eu e Polyana. Sem ela, nada disso seria possível. Foi uma luta de muita parceria, amizade e dedicação de duas mulheres. Somos muito diferentes, mas o nosso sucesso vem disso: da nossa complementaridade e apoio mútuo”, diz Karolina.

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Ainda com a trajetória inegável de sucesso da Magenta, Karolina afirma que algumas atitudes, a maioria sutil e quase imperceptível, mostra o quanto o mercado de trabalho ainda é duro com as mulheres.

“Não é raro que algumas vezes prefiram tratar com o Amaro sobre certos assuntos, em vez de falarem comigo e com a Polyana. E não raramente é sobre áreas que nós dominamos e ele não. É como se ser homem desse uma legitimidade maior a seu discurso, seu conhecimento, pelo simples fato de ele ser homem”, pondera a fotógrafa, mencionando o marido Amaro, que entrou na sociedade três anos atrás.

Um obstáculo muito particular, uma luta diária de Karolina para exercer a profissão, deve-se a uma doença crônica que ela possui, uma condição que se deve à obstrução no sistema linfático, parte dos sistemas imunológico e circulatório, provocando inchaço, no caso dela, na perna. “É algo que me dificulta demais como fotógrafa, um ofício que requer que eu trabalhe de pé por muitas horas, carregue peso. Tenho tentado me dedicar mais a funções internas da empresa, mas fotografar é, de fato o que eu amo. Acho importante falar sobre isso porque, além do impacto estético sobre a autoestima, ela dificulta a mobilidade de verdade. Além disso, não há tratamento pelo SUS, e, pelos planos de saúde, é considerado ainda um problema estético. Mas pode ter consequências muito sérias, e acho fundamental ajudar a conscientizar as pessoas sobre o problema”, diz Karolina.

A profissional acredita que, ao verem outras mulheres bem-sucedidas ao empreenderem, outras jovens podem se sentir inspiradas. “Foi o que aconteceu comigo, vendo outras mulheres e vendo também o fruto do meu trabalho, que é uma parte importantíssima da minha vida. Minha evolução profissional e a da Magenta, por consequência, me empodera muito. Fui aprendendo a acreditar em mim e a fazer os outros acreditarem em mim. Isso se reflete. Trabalhamos com convites de formatura e atualmente a maior parte das turmas que atendemos é formada por mulheres, que sempre ficam admiradas com o que veem aqui. Espero muito que elas consigam perceber que também podem ter sucesso profissional com nosso exemplo, na área que desejarem, sem necessariamente terem que seguir o que a sociedade espera, de ter que prestar um concurso público ou algo parecido.”

Uma das partes que mais encanta Karolina no cotidiano profissional é ajudar as mulheres a se reconectarem com a própria beleza. “Por meio da fotografia, eu busco captar a espontaneidade delas, a essência, para que elas se sintam bonitas como são. Todo mundo tem sua beleza, e ela não é a beleza dos padrões que nos são impostos, sobretudo às mulheres. Quero que elas vejam os convites de formatura e pensem: “essa sou eu e estou linda como sou”, e não com milhares de correções feitas no Photoshop. É um privilégio poder fazer as pessoas, sobretudo as mulheres, se reencontrarem com sua autoestima”

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Postado originalmente por: Tribuna de Minas – Juiz de Fora

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