Setores mostram preocupação com novas restrições dentro da onda amarela

Almas pontuou que “objetivo da maior rigidez nas regras é frear este novo momento que estamos vivendo de maior gravidade” (Foto: Fernando Priamo)

Com a Resolução 003, publicada pela Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) no Atos do Governo desta terça-feira (24), setores produtivos afetados pelas novas medidas de restrição impostas na onda amarela do Minas Consciente, como bares, restaurantes, academias e templos religiosos, estão se readequando, mas muitos demonstram preocupação diante das perdas com a redução de público. A norma estabelece protocolos sanitários específicos para funcionamento de algumas atividades visando ao enfrentamento da pandemia do coronavírus, que vem batendo recordes de contaminação e de hospitalização há cerca de duas semanas. Em entrevista à Rádio CBN nesta terça, o prefeito Antônio Almas (PSDB) observou que, enquanto na semana passada foram contabilizados 428 casos da Covid-19 na cidade, a soma de confirmações de pessoas contaminadas chegou a 301 apenas entre o último domingo (22) e segunda (23).

“Em Juiz de Fora, sempre tivemos conduta mais conservadora daquela adotada pelo Minas Consciente. O objetivo de maior rigidez nas regras é frear este novo momento que estamos vivendo de maior gravidade”, contextualizou Almas. “O drama continua desde março: não podemos permitir o colapso do sistema de saúde. Aumentamos os leitos UTI SUS de 108, em março, para 197. Mas não teremos infinitamente pessoal.” Segundo ele, uma nova avaliação será feita pelo Comitê Municipal de Enfrentamento e Prevenção à Covid-19 dentro de 15 dias, podendo haver retorno à flexibilização conquistada anteriormente, manutenção da onda atual ou retrocesso à onda vermelha.

Um dos setores mais impactados pelas novas medidas é o de bares e restaurantes, que está obrigado a restringir o horário de funcionamento, de segunda a sábado, das 10h às 15h e das 18h às 22h. Aos domingos, esses estabelecimentos não poderão receber clientes em suas mesas, podendo comercializar somente por delivery ou por meio de retirada em balcão. Desde 24 de outubro, a abertura desses locais estava permitida diariamente, entre 10h e meia-noite.

De acordo com o coordenador executivo e advogado do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Juiz de Fora (SHRBSJF), Rogério Barros, que integra o Comitê Municipal, houve tentativa para que a restrição não abarcasse os domingos. “A situação é muito preocupante, porque vai reduzir ainda mais a renda das empresas, e estamos chegando ao final do mês, quando há o pagamento da primeira parcela do 13º salário. Em fim de ano, qualquer movimento nos ajuda.”

Prejuízos

Apesar das considerações e de prever novos prejuízos para a categoria, que já amarga de 600 a 800 demissões e mais de 60 fechamentos de pequenos e grandes estabelecimentos, Rogério considera que parte das medidas restritivas foi importante neste momento. Na percepção dele, isso poderá impedir que Juiz de Fora regresse para a onda vermelha – a mais restritiva de todas – perto do Natal. “Reivindiquei ao comitê, através do sindicato, que a abertura fosse permitida para almoço aos domingos, porque é um dos melhores dias para restaurante. E que, na pior das hipóteses, não fosse permitida a venda de bebida alcoólica. Mas não consideraram”, lamentou. Segundo ele, mesmo antes da publicação da resolução, o movimento já havia caído cerca de 50% nos últimos dias, por causa do fim do primeiro turno das eleições municipais e da alta taxa de transmissão e de ocupação de leitos.

Em entrevista à CBN, o prefeito Antônio Almas ponderou que, para tomar a decisão, foram levados em conta estudos que apontam maiores riscos de contaminação em bares e restaurantes. “Além disso, vimos muita aglomeração, um comportamento social do lado de fora (dos estabelecimentos) contrário às regras sanitárias, como manter o distanciamento social de pelo menos dois metros e uso de máscaras.” Ele acrescentou que o consumo de bebida alcoólica leva as pessoas a elevarem a voz, aumentando a emissão de gotículas, o que contribui para a contaminação. Sobre o impedimento aos domingos, o chefe do Executivo disse que seria um incentivo para as pessoas ficarem em casa, já que são dias em que teriam mais tempo para cozinhar, por exemplo.

Academias e quadras

As academias de ginástica, que conseguiram retomar suas atividades em setembro e avançar na flexibilização, agora vão ter que permanecer fechadas aos domingos e não poderão promover aulas e atividades coletivas. Os demais protocolos e restrições vigentes, como ocupação de 30% da capacidade e regras de distanciamento, continuam valendo.

Presidente da Associação das Academias de Juiz de Fora (Acad-JF) e sócio-fundador da rede Activa Fitness Center, Diego Paiva lembrou que Juiz de Fora já havia retrocedido da onda verde para a amarela há duas semanas. “A grande questão é que as academias hoje são centros de saúde de atenção baixa e primária por força de lei. Conquistamos isso através da Lei municipal 14.107/2020, que incluiu atividade física praticada em academias de ginástica como essenciais.” Portanto, na opinião dele, não poderia haver comparação do setor com outros que sofreram restrições. “Fomos autorizados a reabrir na onda amarela em setembro, cumprindo rigorosamente todos os protocolos de segurança, e, por dois meses, não tivemos intercorrências. Para justificar a insanidade das eleições, o poder público avançou na onda verde em novembro, liberando shoppings, bares, clubes de lazer, eventos, aglomerações e, agora, quer limitar nosso serviço. Da mesma forma que a população procura hospitais para curar enfermidades, também deve ir às academias para cuidar da saúde, aumentar a imunidade e fortalecer-se fisicamente, principalmente em tempos de pandemia. Somos espaços de atenção primária e inseridos em política pública de saúde.”

Atividades coletivas

Já o prefeito justificou, à CBN, que estudos também apontam academias como locais de risco “do ponto de vista de expansão do vírus”. “Decidimos ser mais restritivos. Aulas coletivas geram maior contaminação. E a suspensão aos domingos sinaliza que a população deve se manter em casa ou praticar exercícios ao ar livre”, disse.

Os esportes e atividades de caráter coletivo estão proibidos, afetando as locações de quadras e campos esportivos. Proprietário da Arena Mariano, Anderson Lima não acha justo ter que interromper totalmente a atividade, que ainda dava fôlego para ele conseguir manter sete escolas de futebol na cidade em ano de pouquíssimos alunos. “Não entendo essa implicância com as quadras, se as academias continuam funcionando, assim como os bares. E os ônibus estão lotados. Pesquisa da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) indica que apenas 1,7% das pessoas se contaminaram praticando futebol.”

Sem associação que reúna as cerca de 50 quadras e campos da cidade, Anderson acredita que essa falta de representatividade tem afetado o setor. “Esporte é saúde, precisamos unir a categoria”, sugeriu, acreditando que poderia haver restrições para funcionamento, mas não impedimento da atividade, que já havia sido paralisada de março a agosto. “Foi uma medida dura. Sou totalmente a favor da precaução, o vírus é sério, pega todo mundo, não escolhe. Só não entendo o porquê de a restrição ser só para alguns. Eu estava usando dinheiro da quadra para pagar os professores das escolas de futebol, agora tendo que parar a quadra vai ser complicado.”

Templos religiosos

Com a nova resolução, os templos religiosos também estão orientados a diminuir a presença dos fiéis de 30% para 20% da capacidade, como limite de, no máximo, cem pessoas por espaço, com respeito às regras de higiene e distanciamento. O presidente do Conselho de Pastores de Juiz de Fora (Conpas), Charles Marçal, observou que a medida prevalece, apesar da lei aprovada pela Câmara, que garante o percentual de 30%. “Entendo que não teremos dificuldades de nos adaptar e contribuir para a segurança da nossa população. A igreja sempre irá colaborar para o bem e para a saúde de nossa cidade.”

A Tribuna também procurou a assessoria da Arquidiocese de Juiz de Fora, que deverá se pronunciar posteriormente, devido ao dia atípico nesta terça, em decorrência do falecimento do monsenhor Miguel Falabella, vítima da Covid-19.

Durante a entrevista à Rádio CBN nesta terça, o prefeito Antônio Almas disse ainda que a proibição de locação de granjas para eventos particulares ocorreu por causa do difícil combate a festas clandestinas. “Esperamos que nos próximos 15 dias haja redução na transmissibilidade do vírus. O prefeito não faz oposição ao setor produtivo, mas hoje vivenciamos um novo momento de risco para a população, o que envolve a necessidade de restrição das atividades. Se cada um fizer a sua parte, fica mais fácil. Enquanto a gente não perde dentro de casa, fica difícil entender o drama”, comentou, sobre as argumentações de que as mortes estão concentradas nos grupos de risco.

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Postado originalmente por: Tribuna de Minas – Juiz de Fora

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