Anuncie
Divinópolis e Região

Dia da Consciência Negra levanta debate sobre o mito da democracia racial no Brasil

Por: TV Candidés 20/11/2017 18:18

O dia 20 de novembro é o Dia Nacional da Consciência Negra e o objetivo da data é fazer uma reflexão sobre a realidade da população afrodescendente do país.

“Me senti muito humilhada, como se fosse lixo.”, conta a adolescente. 

Há quase 15 dias, uma adolescente, que preferiu não se identificar, passou por momentos constrangedores em uma escola particular de Divinópolis. Ao participar de um processo seletivo em busca de conseguir uma bolsa de estudos, a recepção dos colegas de sala não foi das mais agradáveis: “Me senti muito humilhada, como se fosse lixo.”, conta a adolescente.  

Há anos, o Jornal Candidés relata histórias de racismo e injúria racial em Divinópolis. Em 2015, por exemplo, o jornal contou o caso da Adriana, que foi vítima de preconceito dentro do ambiente de trabalho. E nem nas ruas e nem na universidade o preconceito dá trégua. Como Elza Soraes costuma cantar: “A carne mais barata do mercado, é a carne negra.” Hoje, ser negro, pobre e jovem no Brasil, ainda é viver em constante risco.

De acordo com o Atlas da Violência 2017, atualmente, de cada 100 pessoas assassinadas no Brasil, 71 são negras. O fenômeno é chamado por especialistas de genocídio da juventude negra. O estudo mostra ainda que a população negra corresponde à maioria (78,9%) dos 10% dos indivíduos com mais chances de serem vítimas de homicídios. Além disso, em 2015, foram registrados 59.080 assassinatos no país. Quase uma década atrás, em 2007, a taxa foi cerca de 48 mil.

E se tratando do gênero feminino, enquanto a mortalidade de não-negras (brancas, amarelas e indígenas) caiu 7,4% entre 2005 e 2015, entre as mulheres negras o índice subiu 22%. (Fonte: Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e Fórum Brasileiro de Segurança Pública).

Lembra da adolescente de 14 anos que se sentiu humilhada em uma escola particular? Para ela, é justamente dentro da sala de aula onde se mais deve discutir a realidade do negro no país.

Trabalhar a aceitação da pessoa negra com a sua identidade é uma das frentes de atuação de Catarina Laborê, militante do movimento há muitos anos. “É uma conjuntura muito complexa, mas eu digo que vem avançando, hoje se fala muito em consciência negra […]”, conta Laborê. 

 

 

 

Postado originalmente por: TV Candides

WP Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com
%d blogueiros gostam disto: