Projeto que propõe acabar com a “Feirinha da Sexta” divide opiniões em Araçuaí

Donas de casa, consumidores e feirantes, prometem protestar caso a Câmara de Vereadores aprove o fim da “Feirinha da Sexta”, que funciona na parte externa do mercado municipal de Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha. Aprovado em primeira votação, o Projeto de Lei (PL), do vereador Asdubal Teixeira da Silva (PRB), proíbe a comercialização de produtos hortigranjeiros e outras mercadorias no entorno do mercado.

O PL passará por uma segunda votação, que estava prevista para a sexta-feira (2), mas foi suspensa devido ao protesto de um feirante no plenário da Câmara. A votação final deverá acontecer na próxima sexta (09/06/2017). Se aprovado, será encaminhado para apreciação do prefeito.

Feirinha da Sexta funciona na área externa do mercado (Foto: Gazeta de Araçuaí)

Os vereadores favoráveis ao projeto afirmam que foi apresentado abaixo assinado de produtores rurais do município, com cerca de mil assinaturas, manifestando repúdio à forma como é realizada a feirinha nas sextas-feiras, com o argumento, que eles estão sendo prejudicados nas vendas do sábado, quando é realizada a feira tradicional.

O autor do projeto, vereador Asdubal, diz que os feirantes de outras cidades estão vendendo seus produtos na sexta-feira, prejudicando os pequenos feirantes e produtores familiares do município. A iniciativa provocou polêmicas e divide opiniões, principalmente nas redes sociais.

Na área onde é realizada a feirinha, existem cerca de 20 barracas. “Mesmo que o projeto seja aprovado, não sairemos daqui. É um absurdo o que os vereadores estão fazendo. Deveriam se preocupar com outros problemas mais sérios que a cidade está enfrentando, como a falta de segurança, iluminação, esgotos a céu aberto e crise na saúde”, argumenta um dos vendedores.

Não vamos sair daqui, garante o agricultor Jailson Alves (Foto: Gazeta de Araçuaí)

O agricultor Jailson Alves de Oliveira, de 38 anos, foi um dos primeiros a iniciar as vendas no local. Ele é produtor de hortaliças, e diz que sustenta a família e os dois filhos com a venda. “Se proibirem na sexta, vamos expor na quinta, se proibirem na quinta, vamos vender na quarta. Daqui não vamos sair”, garantiu o agricultor.

Ele não paga pela ocupação do espaço e defende que é preciso organizar melhor a feira, com cadastramento dos feirantes e produtores e fiscalizar a ação dos atravessadores. “Esses vereadores são irresponsáveis. Por que não se preocuparam com o fechamento do matadouro municipal? Estão incomodando quem está trabalhando honestamente. Vamos dar o troco a eles nas próximas eleições”, disse Oliveira.

A mãe dele, Emília Alves Moreira, de 71 anos, conta que desde menina, sempre comercializou produtos no mercado municipal e foi desta forma que criou os quatro filhos. “Todos trabalham aqui na feira. Estamos revoltados com esta iniciativa.”, esbravejou a idosa.

A feirante Márcia liderou abaixo-assinado contra projeto (Foto: Gazeta de Araçuaí)

No meio da feirinha, Márcia Alves de Sousa, também expositora, de 45 anos, circulava um abaixo-assinado a ser encaminhado à Câmara, protestando contra o fim da feirinha. “É retirar o direito de escolha das pessoas. Tem gente que prefere comprar verduras, hortaliças e frutas na sexta-feira e outras no sábado. Vamos organizar uma manifestação contra esta medida”, garantiu.

Residente em Jenipapo de Minas, a 50 km de Araçuaí, Adimilson Alves Pereira, de 36 anos, contou que sempre vai à feira quando está na cidade. “Vou resolver problemas durante a semana e aproveito para fazer compras na feira. Acabar com ela será ruim para todos”, acredita Alves.

Esposa do vereador autor do projeto (Foto: Gazeta de Araçuaí)

A esposa do vereador Asdubal do Hospital, Maria Emília Oliveira, de 53 anos, também é expositora na feirinha. “Nasci e cresci na roça e há dois anos vendo meus produtos aqui na feirinha”, conta Maria Emília. Ela diz ser a favor do projeto, porque os produtores familiares estão sendo prejudicados. “É de cortar o coração. Eles chegam na manhã de sábado, pagam despesas e passagens de ônibus e muitos não vendem seus produtos”, destaca Maria Emília. Ela acredita que comerciantes de fora prejudicam o comércio. “Eles vendem aqui e levam o dinheiro para fora”, acrescenta.

O distribuidor de verduras de Taiobeiras, a 170 km de Araçuaí, Jorge Luiz Ferreira, de 24 anos, diz que a família dele, abastece o mercado de Araçuaí, com seus produtos hortigranjeiros, há 14 anos. “É um negócio de pai para filho”, diz ele.

Todas as sextas, ele encosta um caminhão baú nas proximidades da feirinha, carregado com sacos de verduras que são vendidas no local. “Esse negócio de acabar com a feirinha, é uma grande bobagem. A queda nas vendas é resultado da crise que o país atravessa. Aqui tem espaço para todo mundo”, observa Jorge Luiz.

A dona de casa Benildes Ribeiro Paim, 50 anos, assina o abaixo-assinado que será entregue aos vereadores. “Esta feira é uma benção para as donas de casa que não podem vir no sábado e para todo mundo. Se houver manifestação, estou dentro”, afirma.

Dezenas de pessoas que se encontravam no local, fazem coro junto com a dona de casa. “Não podem acabar com esta feira”, destacam os consumidores.

Caminhão de verduras de Taiobeiras abastece o mercado (Foto: Gazeta de Araçuaí)

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(Fonte: Gazeta de Araçuaí / Sérgio Vasconcelos)

Postado originalmente por: Aconteceu no Vale

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